1 Jun 2010

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Porque há ciclos que se fecham.
Mesmo.
Tenho um amigo, que admiro, que me costuma dizer que abre e fecha um ciclo de dez em dez anos. A ser verdade vou quase quase a meio do quarto ;) .. virei mais um ano há uns dias e entrei na graciosa capicua dos quarenta.
Sinto-me bem. Estou bem. E acima de tudo algo diferente. Com mais trabalhos, outras actividades, oportunidades que não pensei existirem mas como escrevi há tanto tempo, que seria de mim sem os meus projectos? os que procuro e os que me encontram, me desafiam e me piscam o olho. E tendo mudado algo nos últimos anos há coisas que não mudam: a resposta a desafios é uma delas.
Desta vez acho que é de vez. Manter por manter, escrever parvoíces para cumprir o índice e as visitas, rebuscar textos antigos e escritos sob outra realidade, ou inventar de grande tudo o que se quer e não se tem, não é para mim. Sei muito pouco ser outro alguém que não eu própria.
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Outro alguém que prezo (bastante, agora que penso nisso;) acusa-me de ser demasiado intensa, apressando-se a continuar que não é negativa a avaliação, muito pelo contrário. Talvez por isso, por sentir e fazer tudo o que me dá realmente prazer de forma intensa, tenha optado por deixar este meu espaço.
A veia intimista reservo-a agora à minha verdadeira e preenchida intimidade.
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Porque há ciclos que se fecham.
E este encerra quatro anos de escrita, partilha, alguma dor, muitas alegrias, conquistas maiores que o verbo, vivências diaristas, muitos comentários, e uma verdadeira amizade que nasceu aqui mas que levarei comigo para lá dos limites deste meu diário.
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Obrigada por isso *

7 May 2010

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.. sentada na calçada como que abandonada. Ao lado, um cartão mal escrito com uma história inverosímil ainda que verdadeira. O cabelo desgrenhado, sujo e pejado de bichos cai pelas costas outrora certamente direitas. Nos olhos não há luz. Nem esperança. Apenas a triste nuvem que deixam os sonhos que abandonamos cedo demais. Uma nuvem cinzenta, da cor do céu do Inverno.
Profere uma ladainha baixinho, numa voz meiga e velada que passa despercebida na loucura da hora de ponta da nossa cidade. Pessoas como formigas demasiado ocupadas. Sempre ocupadas. É uma música, reconheço, e até lhe sei a letra. Fala do mundo, e das pessoas no mundo. Fala de responsabilidade e de amor ao próximo. E aquela melodia nos lábios de quem já pouco espera soa a grito de socorro. Pedido de ajuda disfarçado nos saltos altos que martelam a calçada onde se senta. Como que abandonada.
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4 May 2010

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A verdade primeiro ama-se, depois demonstra-se
Vergílio Ferreira

29 Apr 2010

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.. são os tempos de crise, repetem os garotos, ops, pré-adolescentes com direito a ir para a cama depois das 21h30, s.f.f., ;) de doze anos, sentados na mesa da sala, a elaborar um trabalho para a disciplina de projecto. Cortam, consultam, imprimem, resumem, procuram, comentam, opinam.
É a crise! atira o miúdo dos caracóis e cara de reguila (deves ser fresco, pensei imediatamente assim que o vi entrar), e continua: pelo menos é o que o meu Pai está sempre a dizer.
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.. convivem com a crise os nossos filhos.
Na vida do dia-a-dia, na escola, em trabalhos de pesquisa. Estão mais alerta, mais informados, mais atentos aos sinais, e conseguem enumerar, assim de repente, meia dúzia de medidas para poupar. Poupar água, poupar energia, poupar dinheiro.
Sorrio, na cozinha, enquanto lhes preparo um lanche, .. estão muito melhor preparados do que nós. Estão mais expostos é certo. Talvez não tão protegidos a assuntos que no meu tempo ninguém conversava com as crianças, ninguém explicava. Talvez porque se achasse que não entenderíamos, talvez porque a barreira entre as obrigações dos Pais e a existência dos Filhos, fosse estanque, separada, engavetada em meia dúzia de noções que entretanto abandonámos.
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Estão mais expostos os nossos filhos, sem dúvida, mas mais fortes, também.

28 Apr 2010

Aqui começa hoje a votação aos textos sobre a Páscoa, onde este meu entrou ;) .. tendência de voto?!?.. nada disso, nada disso *

.. e aqui, comecei ontem mais uma série, desta vez de simples retratos. Só isso. Pedaços.

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porque se é para voltar, é para trabalhar, menina ! (avisam-me ..) ;)
.. são imensos os planos de futuro. Será assim tudo tão simples pergunto-me? Normalmente, naturalmente e com outros mentes à mistura, mentiras aparte, o facto é que as coisas são por norma simples, transparentes, lineares e muito fáceis de alcançar.
O grande busílis desta questão está na auto confiança e falta dela, na auto estima e sua inexistência e em todos os opostos de que somos capazes desde que nos lembramos de respirar. É por tal que há quem viva uma vida de faz de conta e se orgulhe disso e quem se dedique a salvar a vida dos outros e faz com que nos orgulhemos disso.
Somos mais positivos se estivermos rodeados de gente positiva? Sem dúvida. E agimos de forma mais coerente se identificarmos a coerência nos comportamentos alheios? Penso que sim.
Tal como rapidamente resvalamos para o contrário de tudo isso quando quem está a nosso lado passa todos os momentos disponíveis a lamentar-se da triste sina que lhe saiu quando alguém decidiu conceder-lhe um tempo a que pomposamente chamamos vida.
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Isto vem a propósito de quê? A propósito de tudo. De nós, da nossa vida, das nossas opções na parafernália de escolhas que temos pela frente, da procura, da melhoria, da ambição, da felicidade - aquela real que se sente e se vive e raramente se apregoa ;)

27 Apr 2010

.. limpo devagar o pó que se acumula nos cantos dos textos, sob os comentários, nas esquinas dos sorrisos e das palavras bonitas que pautam o meu diário.
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Devagar porque se espirro corro o risco de partir a cabeça como o provam as estatísticas daquele anúncio com que somos brindados na televisão nacional ;)
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.. abro as janelas de par em par, sacudo sofás, almofadas e tapetes, passo por água os copos abandonados ainda com vestígios de baton e vinho .. despejo cinzeiros e acendo velas cheirosas.
Estamos de volta.
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