29 Aug 2008

intimism (i)

De repente dou-me conta que passou um ano.
Hoje sorrio de um passado que até há uns tempos atrás me fazia chorar. Um ano é um ano. São trezentos e sessenta e cinco dias o que multiplicado pelas horas a que temos direito dá uma enormidade de tempo. Depois com a actividade que me caracteriza, hiper na boca dos amigos mais galhofeiros, nem me vou dedicar a pensar tudo o que fiz, o que empreendi, como me curei. E curei-me?, pergunto honestamente ao espelho que me mira de frente. Vejo uns olhos amendoados e negros que me fitam e reparo que as sobrancelhas estão bem arranjadas, a pele morena dos tempos de praia e sol, férias recentes ainda sentidas. Os meus olhos não mentem. Nunca mentem. Mesmo quando a boca se cala para não mentir, os olhos, esses, espelham a opinião com direito a virgulas e pontuação. E o que diz o lago dos olhos?, pergunta-me aquele amigo com quem tudo se fala, porque a intimidade de anos assim o permite. Diz-me que sim, estou curada, respondo olhando ao longe o barco de vela branca, içada, que se faz ao mar para lá da foz. Mas sabes que mais, atiro-lhe sem esperar resposta .. sinto-me curada.
Sorri, fazendo um gesto largo com o braço, como um alívio, .. só te falta mesmo deixar de fumar, opina, assobiando ao céu como se nem estivesse por perto.
Enganas-te respondo-lhe piscando-lhe o olho. Falta-me fazer uma enormidade de coisas ainda.

A começar por gozar o fim de semana que se aproxima, em terras distantes ;)
Que o vosso seja excelente *