26 Aug 2008

Férias

Passaram três semanas?
Três semanas? 21 dias e 21 noites? Como assim, tão depressa? :)
Passaram de facto, diz-me o calendário de sobrolho franzido.
Entre os preparativos para o décimo primeiro aniversário da princesa, com direito a passeio a cavalo pelas dunas do Guincho, ela a reviver o que aprendeu nas aulas de equitação com o seu Reef, a mãe a relembrar memórias distantes, memórias que ficaram na pequena planície da Beira. Passaram-se anos mas a adrenalina do trote-galope, o vento no rosto, costas direitas e ombros ligeiramente inclinados surtiu o mesmo efeito. Há coisas que nunca se esquecem. Nunca.

A chegada da família que está longe, primeiro no comboio que liga a grande cidade a outras mais pequenas. Os abraços de saudade e os gritinhos da pequenada em alegres combinações sobre o que fazer e onde ir. Depois no aeroporto, uma lágrima teimosa de emoção pelo abraço apertado do meu british boy num “i’ve missed you Tia”. E eu? Eu então senti-te demasiado a falta meu pequeno de quatro anos. E pasmo com a tua memória. A memória do que fizemos no ano passado, as perguntas pertinentes, o saber estar, as conversas nocturnas “may I “ you may “ ;) Dias cheios de praia, num tempo ameno que proporcionou dias cheios de um convívio que perdurará na memória e nos fará sorrir quando todos se forem. Quando partirem num até breve, até para o ano, ou quem sabe até ao Natal.

Férias.
Esse período mágico em que cai o horário rígido da refeição e do banho, do deitar e levantar. Em que se passeia e se conhece, se fazem perguntas e se combinam programas alternativos como quem bebe um copo de água. Água .. the healthiest drink of all, diz o pirralho do alto da sua sabedoria fruto do ensinamento. E nós rimos, com um copo de cerveja bem gelada à frente e uma travessa de caracóis. Daqueles que só se comem no Verão. Nas férias.
Primos, primas, irmãos e irmãs, sobrinhos, tios e tias. A confusão instalada na hora de dormir com colchões espalhados pelo chão, are we having a pijama party? Pergunta para risota geral. Os mais velhos tomam zelosamente conta dos mais novos, a ida ao mar é feita como se de um colégio se tratasse, corridas, canseiras, gelados e refrescos.
A intimidade partilhada. Funções bem distintas, pouca roupa, poucos compromissos, muita galhofa e alegria própria de uma família que, separada no espaço, se mantém bem presa e unida no coração. Onde realmente tem de estar.

Férias.
Período mágico, sem dúvida, assim se saiba aproveitar, sem stress, sem termo, sem prazo.
Com a certeza que passará um ano até as podermos gozar de novo.
Com a convicção que estivemos realmente .. de férias.