25 Aug 2008

There we are ..

Toc, toc, toc, ouve-se no rés-do-chão. Toc do martelo a pendurar o quadro de que gostamos. Tintas por todo o lado, escolher o tom sobre o tom não é tarefa fácil quando ambas gostamos de cor. De luz. A princesa ajudou na decoração. Escolheu a fotografia do baloiço, porque lhe parece que a mãe tem naquela altura, a cara dela. O tom leve, qual brisa suave ao som de uma imaginária música de fundo. O “Once” vai-nos admoestando que não é particularmente fã deste bordeaux, “castanho ou lá que é!” cheira-lhe a coisa antiga, saída de uma arca. E o que se pretende é uma nova via. A tua via daqui para frente. E que a letra está muito pequena. E aquela cor ali em cima bem podia ser um rosa, afinal são meninas, duas meninas. Rio-me e empurro-o pela mesa enquanto me debruço no ecrã com a princesa ao meu lado, a apontar para as hiperligações. São tudo pessoas que tu lês mamã? Pergunta-me curiosa. Como os livros da estante? Reforça. Sempre se admirou dos livros na estante e respeita o cantinho da biblioteca como gosta de apresentar a quem nos visita. A cadeira de baloiço ligeiramente inclinada, a manta branca e confortável por cima. Umas folhas secas, a antiga máquina de escrever da bisavó inglesa, e uma estante onde os livros já estão em duas e três filas. Testa-me perguntando-me por um título que sabe numa das detrás e ri-se sempre quando lhe respondo exactamente onde o encontrar. É um jogo antigo entre nós. Sim, querida, respondo-lhe. São pessoas que a mãe lê. Como os livros na estante. E com vida dentro, tal como neles.

Sorri e continua a apreciar o que vamos compondo neste III Capítulo. Um capítulo diferente em aparência mas carregado da mesma baba de mãe, dos feitos e conquistas da princesa, das coisas que me preocupam e sobre as quais me aventuro a escrever, de outras que provavelmente só terão importância para nós, mas que ainda assim, partilharei. Um novo capítulo, um novo ano lectivo quase a começar. Férias terminadas. E que intensas e gratas foram as de este ano.
Como que de propósito sem que propósito tenhamos tido. Não faltarão temas neste novo Diário, estou certa. Os previstos e aqueles que de inesperado se revestirão.
Que mais nenhum nos volte a lesar.
A fotografia?
Porque sim.
Na altura em que foi tirada eu ainda não sabia o quanto ia ser feliz.