9 Sep 2008

?questions?

Antes não compreendia que as minhas perguntas não obtivessem resposta.
Hoje não compreendo porque um dia acreditei ser possível fazer perguntas.
Franz Kafka

Levado ao extremo este pensamento, lido aqui, pôs-me a pensar no porquê (pergunta) das perguntas (redundância).
Na infância os Porquês revestem-se de uma importância tal que lhes foi inclusivamente atribuída uma Idade. Idade que em alguns de nós e felizmente, ultrapassa os 4/5 anos mantendo-se pela vida.
A necessidade de saber e de apurar razões.
A necessidade de entender, compreendendo e assimilando ou até mesmo discordando.
E a cada descoberta, resposta ou esclarecimento, outras dúvidas, outros porquês.

Há uma fase engraçada na criançada em que à primeira resposta surge naturalmente um outro porquê, sem sequer se ter ouvido a explicação. Costumo brincar com os que tenho nessas idades num “Oh Mr. Why is back!” Riem-se e calam-se com a ladainha, focando por vezes o interesse na verdadeira explicação que querem ouvir. Outras vezes, abanam a cabecita e partem para a descoberta seguinte. Já vi adultos fazerem o mesmo e nessa perspectiva não posso deixar de sorrir, “acusando-os” intimamente e em silêncio de .. superficiais ;)

Porquê? .. questão que normalmente se reveste de uma responsabilidade demasiada para quem responde. Por vezes dando origem a respostas vãs para satisfazer o pouco tempo do questionado ou a sua natural e inata falta de sabedoria, jeito, apetência para, enfim.. são vastas e naturalmente pouco explicadas as razões que nos levam a responder .. “porque sim.”

Ao contrário de Kafka, e naturalmente que em um outro contexto totalmente diferente, o meu contexto, já me espantei por não ter respostas às minhas perguntas, mas recuso-me a acreditar que tenho de as deixar de fazer.