10 Sep 2008

vidas (i)

Tive uma vida cheia, muitos sucessos, muitos momentos.
Mas fui sempre admirada, nunca amada


É com esta frase que o visitante é acolhido na Exposição 50 Anos Maria Callas, 50 anos desde a sua actuação em Portugal, no teatro S. Carlos, cuja réplica em miniatura mantém a magnificência daqueles dias de 1958.
Uma voz, uma mulher, um verdadeiro Mito. Atribulada a sua vida pessoal e emocional como o é quase sempre a vida de uma mulher, estrela, caprichosa e estonteante. A considerada mulher mais elegante do século, dona de uma voz ímpar, comovente, zangada ou terna, prudente e arrojada, vê assim a sua vida exposta em vitrinas que contém a sua correspondência, cabides a preceito estampando os seus vestidos, quase todos os que usou nas diversas, imensas actuações com as quais brindou o público da altura. Público pelo mundo inteiro que a idolatrava, admirava, respeitava, mas não amava, segundo afirmou.

Mamã que sorte, diz-me a princesa, depois de passar uma hora com os phones gentilmente cedidos, sentada na representação de uma mini ópera trabalhada para o efeito que se pretende, a ouvir Rosina no Barbeiro de Sevilha. Que sorte tens tu por teres nascido enquanto ela ainda era viva! Remata, fazendo-me sorrir ..

Tenho sorte sim princesa, mas tenho sorte por tu gostares tanto como eu.
E tu tens sorte, sorte por conheceres, ouvires, viveres e sentires.
É disto também que é feita a tua aprendizagem na Vida.

Tante grazie Maria ..