13 Oct 2008

intimism (vii)

Estás cada vez mais parecida com avó, mana .. atira-me o recém-papá ao ver-me encher a chávena de café com leite.
Sorrio e fico meio alheada a lembrar quantas foram as chávenas altas que vi a avó encher de leite com café ao longo da vida. Acreditava que dessa forma iludia a úlcera aborrecida que lhe havia aparecido aos quarenta anos de idade e escusava-se a tomar a parafernália de medicamentos que o simpático Dr. Novais lhe receitava anualmente.
Sentados na mesa da sala, conversámos sobre tudo, e sobretudo sobre nada, na tarde de Domingo .. visita obrigatória à sobrinha caçula que perfez quinze dias, linda, perfeita, com os meus olhos, dizem na família, inchando-me o “ego”. A princesa em pose de adoração, deitada na cama de casal ao lado da prima vai-lhe contando histórias e prometendo reservar as bonecas que ainda existem, os fatinhos e os puzzles para “quando cresceres”! A garota, como se a entendesse, abre os grandes olhos amendoados e aperta-lhe o dedo na sua mão minúscula, lisa e sedosa como só a pele de um bebé saber ser.
O meu irmão, cujo sorriso deslumbrante de orelha a orelha ainda não se desvaneceu desde que a filha nasceu, invade-me as respostas, pergunta sobre tudo, as reacções, os choros, o leite e as consultas, enquanto a Mamã assiste contemplativa e em estado de graça aos pequenos desenvolvimentos da sua mais que tudo.

É o milagre da vida .. uma criança faz-nos pequenos, minúsculos, vão-se as palavras e instala-se aquele sorrir sereno e feliz ..
.. e perante o sorriso com que adormece a petiz dou por mim a rezar e a agradecer.
Obrigada.