7 Oct 2008

public service (ii)


Encore .. Kipling

Já me confessei sua fã .. já ousei traduzi-lo para português num ensaio que me deu um prazer extraordinário, tentando a palavra certa para que conseguisse senti-lo em Português como o sinto na língua original, mais fácil para mim..
Já falei por aqui no Eye of Allah, conto soberbo sobre a descoberta precoce e antecipada na história de uma pequena lente de aumentar .. com as consequências inerentes, todos os “demónios”, de repente, visíveis e não só imaginados. E a surpreendente conclusão a que se prestam as últimas linhas deste conto.
Agora terminei a Casa dos Desejos .. uma colectânea de contos de Kipling, compilados sob a supervisão de Jorge Luis Borges, com uma brilhante introdução.
Não é comum ler escrita e assumida a verdadeira admiração pública por este escritor de quem gosto tanto. E explicada a sua “pouca” notoriedade quando comparado com outros, ilustres e idênticos da sua época. Kipling escreveu para crianças, justifica o preliminar, e como todos os escritores a que tal se dedicam, numa qualquer altura da vida, não foi muito levado a sério. Mesmo quando escreveu .. a sério;)

Confesso que li este pequeno livro de 6 contos, numa noite. O último - o Jardineiro - conhecido em outras andanças da minha vida de devoradora de letras, voltou a encantar-me.
Pela simplicidade, pela mensagem que foge aos protagonistas mas se atira olhos dentro com artes de luz de néon, pelo brilhante arrumar sem lugar para dúvidas do Bem e do Mal. Pela noção tão pacifica de que o Bem, essa força maior, vence sempre. Inevitavelmente. Sem “tardança”, sem parágrafos enormes ou pensamentos impenetráveis.
Assim.
Simples.