20 Nov 2008

intimism (xvi)

Nada prometo.
Esgotei a dose de promessas em alturas devidas e nas outras.
Entreguei, algumas vezes, o credo em mãos alheias e de todas me arrependi.
Gostava de ser como certas pessoas que conheci que de nada se arrependem.
Custa-me a crer que possa ser verdade.
E se o não for, será uma mentira.
Na verdade, não gostava nada de ser assim.

Vociferei, acusei acusando-me, chorei e sofri e quando pus um ponto, converteu-se em ponto final.
Parágrafo.
Na outra linha com letra grande, dizia a professora, ternamente, nos ditados semanais.
As outras linhas que escrevo começam invariavelmente com dois pequenos pontos .. uma pausa. Assimilo as palavras que me ocupam a mente e ao tentar transpô-las para o papel parecem-me quase sempre grandes demais. Pesadas.

Nada prometo, começava assim o texto, e o meu diário pergunta-me agora baixinho para não me interromper o fio do pensamento, ele sabe o quanto eu detesto quando isso me acontece, pergunta-me ele então quase em surdina que raio tem o que estás a escrever com inicio do texto, hein? Olho-o nos olhos, furiosa. Já que me interrompeste, avança tu, atiro-lhe em letras levemente azuis, texto corrido como quando escrevo depressa. Avança ele cioso do seu papel e da oportunidade. Lamenta que lha dê de menos. Recosto-me na cadeira e observo o esforço. Sente-se observado, começa a corar. Pára de olhar para mim, refila, sorrio eu e acendo um cigarro. Anda lá, oh brave one. Quero ler-te.

"Nada prometes. Porque de todas as promessas em que acreditaste algumas ficaram pelo caminho? Talvez. Porque de todas as que fizeste de algumas desististe? Quem sabe .. nada prometes, porque a mais bela promessa que algum dia fizeste é a que todos os dias concretizas .. as outras? talvez quando nada esperares. "

Atira, melodramático, a caneta pela mesa.
Solene inclina-se numa mesura caricata. És um tolo, murmuro, fechando-o. .. e tu, uma descrente de ti, grita!