22 Jan 2009

two

Olhos fitos tão longe. Para lá da plateia, para lá da galeria, para lá dos balcões onde gentes se amontoam e batem palmas. É ensurdecedor o barulho para quem está onde estou. Exposta. Desprotegida. Again! Gritam-me aos pés enquanto tombam rosas vermelhas. Apanho-as todas abraçando-as, o sorriso é estudado, o olhar perdido também.
Mas o coração, esse bate forte neste peito. Ainda que ninguém oiça.

Retiro-me ao fim de muito tempo. Demasiado tempo. Enrolada numa manta quente, já descalça e sem maquilhagem, encolho-me na cadeira giratória que me fazia as delícias em criança. É a mesma. Olho-me no espelho enorme que me consome o brilho do olhar sem brilho. Cansado. Nuvens de fumo formando figuras que tento interpretar sobem no ar espesso e carregado. Vêm da chávena de chá preto, doce e fumegante com que queimo as mãos e os lábios tentando esquecer-me da dor que me queima as costas.

This was the last one ..murmuro ao sentir alguém atrás de mim .. the last one .. please.