27 Feb 2009

it's life

The only reason for the existence of a novel is that it does
attempt to represent life.
.. and yet .. vejo tantos "actores" e "actrizes" representar os seus papeis à exaustão que me interrogo se será assim tão deslumbrante e infinitamente mais fácil viver as vidas alheias.
Ou tentar.

.. os votos de um excelente fim-de-semana que, como diz e bem Cristina, o tempo ajuda * haja tempo .. :)

(Quoting Henry James)

thinking (ii)

A ânsia é inimiga da ponderação.

Exemplo:

Afã no atravessar de estrada, tendo-a visto do outro lado do passeio, acabou atropelado mesmo em cima da passadeira que acabara de estender.

think about it


Quando a doutrina ideológica se transmuda em realidade, já não é preciso que o ditador esteja perto para espalhar o medo.

Os cidadãos comuns chamarão a si essa tarefa.

Foreign Policy
Feb - March 2009


Kim Hyun Sik é investigador na Universidade George Mason.
Durante 38 anos foi professor de russo na Universidade de Educação de Pyongyang.

26 Feb 2009

intimism (xxxi)

Faz tudo como se alguém te contemplasse
Epicuro

Li aqui .. e independentemente do humor que é acima, muito acima da média, da gentileza nas respostas do anfitrião daquela casa que sinto um pouco minha (é engraçado o possessivo conjugado no tempo virtual, mas a isso voltarei) entristeci. A sério.

Perdi a minha Avó, a minha guia, demasiado cedo.
Não são sempre as perdas dos Entes queridos cedo demais?
No meu caso a minha Avó foi minha mãe, minha amiga, minha cúmplice. Minha professora, apoiante, mentora orgulhosa da pupila em tudo o que aprendi na vida.
Naqueles primeiros vinte anos de vida.
Lembro-me de quando partiu.
Lembro-me de ter acreditado, muito piamente, que me acompanharia sempre.
E lembro-me de durante muito tempo, tanto tempo, ter agido como se me observasse.

Faz tudo como se alguém te contemplasse.
Eu fazia.
E acreditava que fazia melhor porque ela me contemplava.
E acreditava que, de facto, me contemplava.

Acho que ainda acredito.

experience (iv)

Uma pequena brincadeira em teu nome, ao teu nome, minha amiga.
A demora? Plenamente justificada, afinal N é a invogal mais mal amada de todo o ABC.
Ao contrário de ti que me honras com a tua amizade e carinho.

Sarava Soberana do Saara.
Sempiternamente sóbria simplesmente sumária e semântica e por vezes tão sensata que o singelo incauto separar-se-á na sonda de asilo que o proteja de tal Santa Sagrada.
Sarava Soberana do Saara.
Sempre sossegada e tão silenciosa que de simples sibilo passou a segredo a súplica em que te afadigas para sustentar aquilo em que acreditas.

Sarava! porquanto S é o sonante inicio da tua sílaba ;)

thinking (i)

Não há coisa mais peganhenta que um ser suplicante.

25 Feb 2009

readings (ix)

Só pode progredir o que permanece. - Sem dúvida. Resistir é vencer, e vencer corporiza-se na belíssima imagem de um homem de pé entre as ruínas. O futuro é feito do que permanece depois de evaporada a espuma dos dias. Esse caudal que avança — de geração em geração —, unido por um invisível fio-condutor, é a Tradição. É por aí que vou.

Somos mais. Somos vários. Felizmente a perda de memória, de raízes, de um passado que ainda que nos envergonhe devemos manter intacto, aconteceu? Então é para ser relatado como aconteceu, não afecta demasiados.

Gostei de ler* Aqui fica o fragmento que mais me disse.

blogchallenge (iii)

Esta coisa das correntes e dos desafios acaba por ser muito engraçada assim se cumpram os princípios ;) a Minha Amiga Cristina Ribeiro lança-me aqui o nó para outra, desta vez composta de seis verdades e três mentiras a meu respeito.
Aqui ficam :)

1. No recente espectáculo de Lisa Ekdahl no CCB, fiquei mais de meia hora à conversa com a cantora / compositora que é uma mulher de uma doçura rara;
2. Adoro andar descalça .. e ando descalça em todo o lado, com evidentes prejuízos;
3. A praia e o mar são os meus elementos. Aprendi a respeitar o mar com o meu Pai que me ensinou a nadar fora de pé, contava eu apenas três anos de idade;
4. Sou uma mulher de família no que os laços e as raízes significam, extrapolando por vezes este significado a outras áreas da minha vida. Da única vez que me dei mal com esta maneira de ser .. doeu;
5. Adoro os meus amigos. Não são imensos mas são todos únicos;
6. Uso o cabelo comprido, costas abaixo, pesado e negro que me dá uma sensação de xaile protector perante o mundo e os outros;
7. Gosto muito de favas;
8. Tenho um orgulho indisfarçável na minha filha. Na menina-mulher que se torna, ainda que por vezes tenha algumas dúvidas se estou a saber ser mãe;
9. Os estrangeirismos britânicos fazem parte integrante desta vossa amiga. Como a pele. Onde alguns poderão ler possidonice e mania, eu reforço laços de sangue e raízes. If you know what i mean.. ;)

Não deixo laçadas pelo ar desta vez, so considerem-se devidamente convocados os Amigos: Nocas, Júlia, Drengo, Helder, Flip, Zé Bandeira e Tiago, assim o queiram e se não quiserem, friends anyway ;)
--
Editado o postal agora que as mentiras foram descobertas! ;)
Obrigada de novo Cristina. Mais uma vez foi divertido *

experience (iii)

Curiosa a carpideira que comove os cordatos seres que confluem numa consistência algo célere para, convenhamos, concordar que o caco e cerne da questão comummente comungante se cifra numa caótica e compulsiva, algo coesa mas tão-só caricata, choradeira.
--
Já sei, já sei queres o N ;)

23 Feb 2009

Thank You

A gratidão é minha Caríssimo .. pela inteligência, pela simplicidade.

Outro para si

Indeed (ii)

"O que sempre me fascinou nas mulheres, mais do que a impossibilidade de as compreender, é a incapacidade de as programar."

Desassossega-me aqui o pacato final de semana o Caro Confrade :) (isso faz-se?!) Atenta e aluna da vida que sou, leio tudo cuidadosamente e até ao fim.
Gosto particularmente daquele verbete, que lhe peço emprestado, e completo o raciocínio com Anthony Quinn, no filme Las Nubes:
Don’t you ever try to understand women.
While you think .. they feel. They are beings from the heart.

Bem-Haja João. Gostei do que me deu a ler.

experience (ii)

Agradecer antecipada e amorosamente a vossa assiduidade e afectuosidade aos amplexos que acanhadamente vou acrescentando num alargamento algo acelerado mas sempre autêntico ainda que amiúde, ao que me apercebo, não agracie e agrade todas as ambivalências.
(e siga o ABC) ;)

20 Feb 2009

Indeed



O feminino é eterno mas o ‘eterno feminino’ não existe, porque muda. ‘eterno feminino’ é um termo perigoso inventado pelos homens para significar que as mulheres não são conhecíveis e que são uns seres mais ou menos indecifráveis.

Não é verdade, as mulheres são conhecíveis, conhecem-se a si próprias.

Helder Macedo, Novembro de 2000


Thank you Sire *

_______________

Desejo-Vos um excelente fim-de-semana .. pleno de auto (ou nem por isso) conhecimento ;)

experience (i)

Peculiar este particular ponderado, que me permite patear o portentoso par que paulatinamente e por mor de permanências permanentes profusamente partilha as minhas prodigiosas partições.

Engraçado hein? Amanhã tento com a letra C ;)

19 Feb 2009

human being .. are you positive about that "human"?

Estranho tanto silêncio (…)
responde-me Pedro Correia a um comentário que deixei no seu brilhante texto sobre Mugabe.
Lembro-me de lhe ter acompanhado, em outro registo, uma série de enumerados déspotas, lembro-me de me ter primeiro espantado, depois insurgido contra a sua permanência no nosso País com honras de gente que importa.
Afinal, importa.
Num país em que o desemprego ronda os 93%, a moeda foi abandonada por ter zeros a mais, a cólera ataca em força mais de metade da população que entretanto não tem o que comer, e quando escrevo o que comer é isso mesmo que está a pensar leitor: nem uma côdea, a celebração do aniversário do ditador vai custar mais do que custaria alimentar o país de que se julga imperante.
Julga? .. e é. Porque conseguiu que as forças e as resistências faltassem, o medo imperasse, e o laivo de vida se escoasse. Isto sim é saber lidar com a oposição. Em forma de gente? Sem dúvida, diabo em forma de gente.

Da próxima vez que Portugal se lembre de o acolher, seja a que título for, mesmo que diplomaticamente falando, lembrem-me de fazer fila para ver se lhe consigo dar uma palavrinha. Sem luvas.

18 Feb 2009

blogchallenge (ii)

Desafiam-me a Luísa, a Nocas e o J ;)

Pagina 161, 6ª linha, do livro mais próximo:

“I’m afraid you have just guaranteed that fate for yourself Miss Miller."

John Jakes On Secret Service
.. eu sei J. nunca pensaste que leria isto mas tem calma, trata-se de um simples trabalho de tradução ;)

Falar sobre a frase?
Ocorre-me simplesmente que por vezes nem para garantir o destino serve a vida de alguns. Algumas vezes por interferência externa e castradora, outras, tantas, por incapacidades próprias.

Grata aos três por mais esta corrente ;)

17 Feb 2009

blogchallenge (i)

Desafia-me aqui a Cristina Ribeiro a expor seis particularidades a meu respeito .. ;) hum Cristina só seis das imensas incongruências das quais sou exemplo vivo? Não sei se consigo, mas vou tentar *

Durmo com os estores abertos e os reposteiros corridos .. gosto da sensação de luz ainda que por vezes opaca e a Lua .. já dizia a minha avó, é uma excelente companheira de insónias;

O que me leva ao número dois desta lista felizmente diminuta: durmo pouco. Muito pouco. Tão pouco que qualquer dia ;) não dormirei nada.

Mudemos de assoalhada
Lavo sempre a loiça antes de a colocar na máquina. Por vezes tão bem que a minha ajudante me pergunta: mummy, a loiça da máquina está lavada não está? .. não estava.

Passemos à sala senhores .. would you care for a tea?
Onde entra o meu Amigo Flip .. chá branco, diz-me (fiquei traumatizada viu?) ;) .. No, thanks. Chá por aqui, consumido aos litros é preto, bem escuro, forte e com açúcar. Manias ..

Por manias, assino tudo o que escrevo. E afirmo tudo o que a minha convicção nas coisas ou nas pessoas me deixa afirmar. Não instigo levemente nem recrimino à porta fechada. Gosto de olhos nos olhos e murros na mesa, se necessário. Para fazer de conta, não contem comigo. Já me trouxe mais dissabores que amores esta maldita particularidade, mas ..

Por último, sou naturalmente desconfiada dos it's quick, easy and everyone's doing it.

Foi divertido Cristina, Obrigada, de novo!
Siga o baile, para quem quiser dançar ;)

intimism (xxx)

Chegou a rapariguinha lá de casa, em pleno crescimento e evolução física e mental, à conclusão, quanto a mim brilhante mas é evidente que à versão mulher, dona de casa, trabalhadora terão V. Exas. que acrescentar: Mãe da rapariguinha, o que me retira o crédito todo, eu sei ;) mas escrevia: à conclusão brilhante (desculpem, mas é mesmo brilhante) que existem dois tipos de rapazes o que vai provocar a natural evolução para dois tipos de homens.
Confesso que estarrecida e de imaginário fio de baba, avancei sumidamente para um queres explicar? que era precisamente o que ela queria ouvir.
Dois tipos de rapazes.
Os que são amigos das raparigas e os que não são. Os que se sabem portar com as meninas de modo diferente dos que se portam com os rapazes e os que não sabem. Os que sabem conversar de coisas diferentes. Que conversam connosco sobre umas coisas e com os rapazes sobre outras. E acima de tudo, mummy, os que não são ordinários, assim mesmo ordinários, e usam desodorizante e os outros.
gargalhei
E deixei-a continuar na sua análise do universo juvenil masculino para me encantar com o simples que é ser ou não ser, aproveitando para me lembrar de todos quantos cabem e não cabem nesta formula matemática. Dos que me rodeiam? Nenhum fica de fora, felizmente ;)
Não resisti à pergunta que me queimava a língua e que sabia a faria faiscar mas arrisquei .. hum, e diz-me cá, o Zé Maria pertence a que grupo? .. corada, furiosa mas com um brilhozinho nos olhos que não engana respondeu-me: ora mummy, não me envergonhes, claro que pertence ao grupo dos que sabem estar.

Saber estar. Simples, não?

16 Feb 2009

Correntes d'escritas

é quase, quase como se lá estivesse estado! ;)

Guess What? ;)

"Sou escultor arquitecto,
com primor tão singular,
que as obras da natureza
sei fielmente imitar.
A muitos que me consultam,
sem lisonja e sem engano,
o bem e o mal lhes declaro,
sem causar ofensa ou dano.
Emendo quanto se emenda
e sou tão desinteressado,
que de tudo que me oferecem
nada deixo arrecadado. "


Porque por aqui aterramos devagarinho e ainda de sorriso pela surpresa fantástica (mas merecida! .. risos) que o large week-end proporcionou ;)

12 Feb 2009

public service (xi)

A Patrícia Lino continua o seu projecto sobre Clarice Lispector. De todas as pesquisas, de todos os trabalhos, de tudo a que aos livros dediquei na vida até agora, confesso que raramente, muito raramente presenciei tal empenho, dedicação e Amor.
De novo e nunca demais, Parabéns Patrícia :)

Torquato da Luz, poeta cujas linhas não dispenso, lança, no dia 28 de Fevereiro, na Livraria Barata, o seu livro Por Amor e Outros Poemas.
Deixo um excerto de um dos meus preferidos entre todos os que nos dá a ler em espaço próprio.

Esta continua a ser uma das páginas da minha preferência, uma conjugação perfeita entre o livro e a imagem, como não encontro em mais lado nenhum.
Parabéns Miguel e ainda que sem muito tempo please keep it ;)

Desejo-Vos um excelente fim-de-semana *
(sim, por aqui vai-se gozar um dia de férias mas shhhh) ;)

11 Feb 2009

Make-Believe

Confesso que sobre tudo isto, a minha opinião é politicamente incorrecta e como tal não interessa ;) A "paródia" a que me dediquei acaba por exprimi-la de forma .. digamos .. romântica e quimérica.

Façamos de conta que ainda podemos.
Que o país que nos foi legado pelos nossos antepassados merece todas as oportunidades e que nós, os falantes e pensantes, temos a obrigação de o tornar viável. Façamos de conta que temos um caminho a seguir. Um caminho verdadeiro de todos e para todos; que as classes operárias têm empregos justos e vencimentos adequados. Que todos temos uma casa para viver, um bom sistema de saúde, e acompanhamento adequado aos nossos filhos. E que vivemos felizes só com isso.
Façamos de conta que os nossos dirigentes se preocupam genuinamente com o povo. Connosco. Que eleitos pelo mais democrático dos sufrágios, justificam o voto de todos e de cada um com o respeito com que deve ser encarado o arbítrio de responsabilidade e confiança que um voto representa.
Façamos de conta que Portugal vale a pena. Que as pessoas estão felizes, são justas, conscientes, que os jovens estão devidamente preparados e encaram o futuro com ânsia e felicidade, que as crianças correm felizes em parques escrupulosamente mantidos para o efeito e que os idosos com elas partilham os risos e as alegrias de quem já ensinou o que tem para ensinar sem que a mais seja obrigado.
Façamos de conta que não há barracas, nem gente a viver mal, nem gente com fome, nem pedintes na rua. E que as pessoas não olham para o lado quando, por acaso, ainda deparam com algum.
Façamos de conta que os professores são respeitados, como seres imbuídos do espírito da partilha e do ensino e de fazer chegar a palavra escrita e a história falada a todos os cantos do país. Sem excepções. Façamos de conta que as universidades preparam os profissionais do futuro na justa medida em que os mesmos irão ser necessários. E vamos acreditar que assim o desemprego desaparecerá, as condições de vida melhorarão, e não faltarão médicos e calceteiros, engenheiros e sapateiros, físicos e canalizadores.
Façamos de conta que podemos mudar tudo aquilo de que hoje nos queixamos.
Que deixámos de cruzar os braços à espera da desgraça e que fomos, de mangas arregaçadas, ao seu encontro. Vencendo-a. Com a firme convicção que mudamos para melhor. Trabalhando em conjunto e em consciência social.
Façamos de conta que sim, porque para brincar ao faz-de-conta tem de ser com algo que realmente nos faça sonhar.
Com a realidade .. não vale.

intimism (xxix)

A paixão começou no Verão.
Rima, claro, que a estação é dada a coisas de coração.
Ai! Pronto .. Reformulando.

O Atl de Verão oferecia, entre uma imensidão (não tenho culpa ora, a palavra termina assim) de coisas atraentes, radicais e assim-assim, passeios a cavalo. Ainda que sem nunca ter experimentado, a pequena lá de casa, armada em amazona, verbaliza um quero experimentar, ao que o Filipe, aventureiro mas diligente monitor lhe pergunta: tens a certeza? Ela não tinha, mas ainda assim Upa! Chegou a casa, lembro-me, afogueada da excitação explicando-me entre atropelos que tinha feito um novo amigo. O Reef. E o Reef era o cavalo mais doce, mais fofo, mais terno e mais amigo que ela alguma vez vira. Mas já tinhas visto algum assim de perto que não seja os da feira da Golegã, lembrando-me dos ai mummy! de cada vez que eu colocava a minha palma por debaixo de um dos focinhos. Oh mummy, isso são os outros respondeu-me. O Reef é o meu novo Amigo. O Atl durou cinco semanas e duas vezes por semana os amigos encontravam-se ali para o lado da Malveira, ela de calça arregaçada e toque largo na cabeça, o bicho a acenar-lhe, a cabeça fora da baia como se a esperasse e a dona do sítio a rir-se num quero falar com a tua mãe.
Claro que estas coisas custam dinheiro.
Não muito neste caso que não me parece que o local se vire exclusivamente para o comércio, mas ainda assim. A vontade de ir mais longe e aprender a andar de sela e rédea verbalizou-se e a mãe fez a surpresa no Natal de lhe oferecer um cartão com aulas, a avó e os amigos ajudaram com um fato completo, e os olhos da princesa a abrir os embrulhos não deixaram margem para dúvidas: era uma prenda muito especial.
Começou a aprendizagem no sábado passado. A instrutora cumprimenta-a com uma intimidade que estranhei e diz-lhe o Reef tem andado insuportável de saudades tuas gritando oh Reef olha quem aqui tens.
Eu juro que tenho de acreditar que os cavalos são ensinados a fazer aquilo com todas as crianças. E para a próxima vou estar atenta às outras crianças para comprovar esta teoria que precisa de ser comprovada. Porque a cabeça do bicho nos braços da minha filha, um resfolgar mansinho como se conversasse com ela, e aquele casco a bater no chão de impaciência .. assustaram-me ;)

10 Feb 2009

Ridículo?

Mummy tens a certeza que queres esperar pela reportagem? pergunta-me da sala.
Eu queria. Era uma reportagem especial sobre o Liceu Marquês de Pombal, e pelo que recentemente sabia nunca um centenário fora tão desrespeitado. Queria ouvir aqueles alunos que batem nos professores e nos auxiliares, estes últimos em número mais que diminuto para as centenas de alunos que frequentam o local. Queria ver-lhes os olhos, aperceber-me se realmente se dão por vencedores aqueles que usam a força, que incendeiam os carros, que destroem o equipamento.
Queria ler nas entrelinhas e nas hesitações o quanto são miúdos sem futuro, em que a última oportunidade é aquele diploma de 9º ano sem que em nada acrescente ao saber, que descuram, à aprendizagem pela qual não se interessam, ao respeito pelo professor que não têm, ao estudado “no care” com que encaram o futuro.
Queria.

Mas é certo que ninguém aguenta mais de dois minutos a olhar um écran de televisão com um homenzinho de olhos verdes a falar de vacas, da alimentação das vacas, do leite das vacas.
Mas ele não é treinador Mãe? Está a falar de quê então?!
Expliquei-lhe a metáfora que a irritou.
Deveras.
É engraçado analisar o impacto que se pretende através dos olhos e da mente de uma criança de 11 anos. Talvez quem publicamente fala devesse começar por aí para finalmente começar a fazer sentido.
A avaliação da princesa em direcção ao quarto, numa atitude de desistência foi: ridículo! ora aí está algo que não preocupa os nossos falantes: o ridículo.

(e vi a reportagem. E choquei-me de novo e outra vez.)

big sis



é quase mãe, portanto tapem os teclados, que vem aí enxurrada de baba!





(Fotos de José Price Castiço)

eu avisei .. ;)

9 Feb 2009

public service (x)

.. sem dúvida, responderia. Quando avassaladoramente nos inundam os sentires, nos projectam por vezes duramente contra a verdade que contam. Quando meigamente nos molham a ponta dos pés numa incursão que é só nossa pelas letras adentro. Quando nos marcam, qual rocha ao sabor da erosão, com marcas daquelas que mantemos pela vida, relembrando uma frase, uma passagem, de um livro lido há muito.
Quando nos fazem companhia qual bulício de onda que se desfaz na areia ou nos pautam os sonhos em oscilações cadenciadas, portos seguros onde ancoramos, nos protegemos. Crescemos.
Sem dúvida.

6 Feb 2009

reflectindo? também ..

Sempre desconfiei de pessoas que arremessam certezas absolutas como pedras ao charco da nossa assumida ignorância.
Sempre desconfiei de quem assume as dores alheias como suas, esquecendo-se, na maioria das vezes, de lavar o seu próprio umbigo.
Sempre preferi ouvir relatos de experiência feitos do que portentosos discursos cheios de sentenças e vocábulos directamente copiados do thesaurus, sem que se saiba, e percebe-se tão bem que não se sabe, o que significam.
Sempre preferi a autenticidade à camada de verniz que por muito que brilhe .. estala.
E tinha razão.

E sempre é uma palavra que me abstenho normalmente de usar.
Significa, para mim, demasiado tempo.

Por falar em tempo! Que o Vosso, no fim-de-semana que se aproxima, seja excelente ;)

5 Feb 2009

public service (ix)

vidas (x)

Tem três filhos a Lúcia.
Dois no segundo ciclo, um no primeiro. A mais velha anda na turma da princesa lá de casa. São amigas. Sinto que a minha filha a admira. Bastante. Ontem chegou a casa a pedir-me um favor. Posso levar a mochila preta para emprestar a uma amiga mãe? Anui, mas quis saber porquê. Ela contou.
A Lúcia acorda todos os dias às 5h30 da madrugada. Na cozinha prepara o almoço e os lanches dos três filhos que andam numa escola oficial. Tem um cuidado extremo na preparação das refeições. Pode faltar tudo menos comida! É o ditado lá de casa.
Entra às 08h no primeiro emprego. São três as casas que limpa diariamente. Limpa, passa a ferro, lava e enxuga, cozinha e faz as compras. Tem de ser. Está sozinha e sem ajudas. O Pai das crianças fugiu para parte incerta quando a soube grávida do último. Podia ter optado diferente mas não o fez. Hoje é o benjamim da família, um terror com cara de anjo diz a minha que o conhece de por vezes acompanhar a irmã.
A Andreia, é a filha mais velha, tem 12 anos. Sai de casa com os dois irmãos, um de nove e o benjamim de seis. Deixa-o na primária e segue para o ciclo com o outro que já anda no 5º ano. À saída faz o percurso inverso, passando na primária para levar o irmão que tem actividades, felizmente, até às 17h30. Chega a casa, senta-os a fazer os trabalhos de casa e faz os seus.
A mãe aparece pelas 19h30. Normalmente mais cansada que .. o jantar é o ponto de encontro desta família que se ama, se ajuda, não se queixa. Falamos todos ao mesmo tempo, conta a garota. A mãe por vezes desata a rir porque não nos entende. Parecem italianos! costuma dizer-nos.

Uma família feliz? sem dúvida. Mesmo quando o dinheiro não chega para comprar uma mochila. Mesmo quando os horários não deixam ao tempo da mãe o tempo para acompanhar mais os filhos. E acompanhar mais será acompanhar melhor?
Porque nem tudo é linear nesta vida, como escrevi ontem num comentário a propósito de medidas que, a serem aprovadas, vão obrigar os estabelecimentos de ensino a estar abertos até mais tarde.
Porque há vidas que se cumprem cedo demais como li num comentário há dias sobre aquilo que escrevo. (Obrigada Patti).
E porque a felicidade, o carinho, o acompanhamento e o cuidado não se medem por bitolas de especialistas que falam nos meios de comunicação, baseados em estatísticas.
Acaba a minha princesa o relato .. e eu penso, abraçando-a, contente e orgulhosa pela disponibilidade que mostra em ajudar a amiga: Ainda bem que a Andreia existe. Boa sorte Lúcia* toda a sorte.

4 Feb 2009

vidas (ix)

A princesa em casa de uma amiga para mais um trabalho de grupo. Apresentação em slide show sobre o tema Ensino .. oportuno não? Se têm mencionado o estrangeirismo na minha altura de estudante de 6º ano, estragavam-me o percurso!
A mãe dedica-se à roupa por passar, que cresce a olhos vistos, tenho a pequena teoria comprovadíssima cientificamente que o monte de roupa para passar a ferro tem vontade própria, e vinga-se da nossa falta de disponibilidade com um acrescento de peças, daquelas que não nos apetece passar nunca. O meu, dado a manobras maquiavélicas, assume proporções de frigorífico dentro do cesto. Capitulo.
Ligo a aparelhagem na minha rádio preferida, som acima dos decibéis autorizados, tábua na cozinha, portas abertas. Vou sensivelmente a dois terços do monte, contente comigo própria, a pensar na recompensa, quando me tocam à porta. O pensamento imediato é: não está cá ninguém, pode ir andando, mas o toque insiste, quiçá alguém preocupado com o facto de eu ter saído com a música naqueles propósitos. Espreito pelo óculo. É a vizinha do lado, de novo. Mas por Deus, não poderiam ser os meninos da MEO, os da Zon para fazermos as pazes, por exemplo, ou os outros a vender qualquer coisa que não me apeteça comprar. Tudo é preferível à seca que me espera. E hoje eu até comprava, digo para mim.
Abro a porta, num sim vizinha, coisa idiota da qual já me penitenciei há tempos, nunca, mas nunca se pergunta sim? a alguém que só espera a interrogação para nos bombardear com hectómetros de conversa que não interessa a ninguém. A sério.
Estive quinze minutos contados pelo velho mostrador do relógio antigo, herança de outros tempos, mostrador que me moteja a paciência num tic-tac solene e cadenciado, a ouvir um matraquear algo maldoso, sinistro e inverosímil, de alguém que além de espreitar as visitas alheias, passear um cão caquéctico, e gritar ao telefone com seres imaginários, não tem na vida, mais nada para fazer. É triste, mas é verdade.
Não! Não me peçam para reproduzir. Lembro-me dos meus “hum .. hum” e do sorriso, de indisfarçável alívio, que lhe dediquei à única frase que recordo, e agora que a recordo até a acho ligeiramente assustadora .. “obrigada pelo desabafo vizinha, não a maço mais, mas fique atenta, eles andam aí!”
Ele há vidas .. !

3 Feb 2009

intimism (xxviii)

Multiplicam-se os alertas nas notícias e eu cansada de tanta cretinice desligo o rádio.
Ponto.
Voa-me a memória para a neve onde me enterrava até ao joelho a caminho da vila para a tarde passada em casa dos primos, todos de férias. Ou para o calor abrasador de lenço forte na cabeça e as recomendações do Sr. Dionísio “olhe que escalda menina, olhe que escalda”. Os banhos no tanque de água gelada sem ninguém nos vir dizer, com direito a tempo de antena, que se não fizéssemos a digestão .. ou a ida aos ninhos, politicamente incorrecto eu sei, mas nunca os tirávamos do sítio nem mexíamos nas crias.. nunca? bom, até ao dia em que me desafiaram a fazê-lo acusando-me de maricas o pior insulto que me podiam fazer aos oito anos de idade e eu lembro-me partir a cavalo sem sela sem nada tal a fúria e fui buscar um ninho depois de me ter esfolado toda a subir um dos mais altos pinheiros, carregados de resina e lagartas que hoje me arrepiam só de olhar.
Arrepiante foi o olhar do meu Pai que me fez gelar ainda que com mais de 40º à sombra, obrigando-me a tratar daquelas pobre crias que miraculosamente sobreviveram. O verdadeiro castigo? Passei os três meses de férias a escrever vinte vezes por dia o poema Sei de um ninho .. Aprendi a lição.
Os alertas continuam e não pára de chover. De que se queixam afinal se estamos no Inverno, pergunta-me o Sr. Dionísio em recente visita. Olhe menina eu só quero que me cheguem um braçado de lenha que já não sou capaz. O resto? Olhe .. para o antigamente até está bom. Quentinho. E eu sorrio porque lá fora há gelo preso na haste nua da laranjeira e o frio entra por todos os lados fazendo tremer mesmo em frente à lareira.
Que mal preparados estamos, Senhor! Que mal preparados.
E que aborrecidos nos tornámos.

2 Feb 2009

Memória? é feminino .. pois ;)

Acorda-me ao sábado de manhã com o pezinho a bater no chão. Dirijo-me ainda estremunhada à cozinha, ligo a torradeira e aqueço o leite ao fogão. Bocejo. Oiço-o a resmungar em cima da mesa da sala e penso que diabo quer o fulano a um sábado de madrugada? A princesa acorda, chega à cozinha com a camisa de noite às avessas, beija-me repenicadamente num bom dia carinhoso e avança: está refilar ele mummy. Diz que te esqueceste do aniversário e hoje é o último dia! O último dia de quê for Christ penso enquanto provo o leite, café numa chávena e chocolate amargo na outra, viro as torradas e retiro a manteiga do frigorifico. O último dia sim ! grita-me o Once completamente transtornado. Fiz dois anos em Janeiro e nenhuma das minhas princesas o lembrou! Olhamo-nos estarrecidas. Dois anos? Mum como pudeste? atira-me jocosa a garota do reino enquanto mordisca os pedaços de pão que ficaram na tábua. Não sei porque me dou ao trabalho de lhe aparar as torradas como gosta se depois come as côdeas e deixa-as arrefecer.
De chávena na mão, dirijo-me à sala. Pego-lhe. Sussurro-lhe um parabéns a você agradecendo-lhe a lembrança .. desculpo-me com as desculpas que ouvi durante anos aos mais velhos já não é o que era a minha cabeça .. tu sabes! .. Não me gozes oh pespineta, atira-me de mau-humor, se há quem não sofra de perda de memória por aqui ..
Dois anos. Em Janeiro. E tanto .. e mais :)
Impõe-se um outro post sobre o assunto, eu sei.
.. for the moment, fica o meu bem-haja pela vossa constância por aqui *