26 Feb 2009

intimism (xxxi)

Faz tudo como se alguém te contemplasse
Epicuro

Li aqui .. e independentemente do humor que é acima, muito acima da média, da gentileza nas respostas do anfitrião daquela casa que sinto um pouco minha (é engraçado o possessivo conjugado no tempo virtual, mas a isso voltarei) entristeci. A sério.

Perdi a minha Avó, a minha guia, demasiado cedo.
Não são sempre as perdas dos Entes queridos cedo demais?
No meu caso a minha Avó foi minha mãe, minha amiga, minha cúmplice. Minha professora, apoiante, mentora orgulhosa da pupila em tudo o que aprendi na vida.
Naqueles primeiros vinte anos de vida.
Lembro-me de quando partiu.
Lembro-me de ter acreditado, muito piamente, que me acompanharia sempre.
E lembro-me de durante muito tempo, tanto tempo, ter agido como se me observasse.

Faz tudo como se alguém te contemplasse.
Eu fazia.
E acreditava que fazia melhor porque ela me contemplava.
E acreditava que, de facto, me contemplava.

Acho que ainda acredito.