11 Feb 2009

Make-Believe

Confesso que sobre tudo isto, a minha opinião é politicamente incorrecta e como tal não interessa ;) A "paródia" a que me dediquei acaba por exprimi-la de forma .. digamos .. romântica e quimérica.

Façamos de conta que ainda podemos.
Que o país que nos foi legado pelos nossos antepassados merece todas as oportunidades e que nós, os falantes e pensantes, temos a obrigação de o tornar viável. Façamos de conta que temos um caminho a seguir. Um caminho verdadeiro de todos e para todos; que as classes operárias têm empregos justos e vencimentos adequados. Que todos temos uma casa para viver, um bom sistema de saúde, e acompanhamento adequado aos nossos filhos. E que vivemos felizes só com isso.
Façamos de conta que os nossos dirigentes se preocupam genuinamente com o povo. Connosco. Que eleitos pelo mais democrático dos sufrágios, justificam o voto de todos e de cada um com o respeito com que deve ser encarado o arbítrio de responsabilidade e confiança que um voto representa.
Façamos de conta que Portugal vale a pena. Que as pessoas estão felizes, são justas, conscientes, que os jovens estão devidamente preparados e encaram o futuro com ânsia e felicidade, que as crianças correm felizes em parques escrupulosamente mantidos para o efeito e que os idosos com elas partilham os risos e as alegrias de quem já ensinou o que tem para ensinar sem que a mais seja obrigado.
Façamos de conta que não há barracas, nem gente a viver mal, nem gente com fome, nem pedintes na rua. E que as pessoas não olham para o lado quando, por acaso, ainda deparam com algum.
Façamos de conta que os professores são respeitados, como seres imbuídos do espírito da partilha e do ensino e de fazer chegar a palavra escrita e a história falada a todos os cantos do país. Sem excepções. Façamos de conta que as universidades preparam os profissionais do futuro na justa medida em que os mesmos irão ser necessários. E vamos acreditar que assim o desemprego desaparecerá, as condições de vida melhorarão, e não faltarão médicos e calceteiros, engenheiros e sapateiros, físicos e canalizadores.
Façamos de conta que podemos mudar tudo aquilo de que hoje nos queixamos.
Que deixámos de cruzar os braços à espera da desgraça e que fomos, de mangas arregaçadas, ao seu encontro. Vencendo-a. Com a firme convicção que mudamos para melhor. Trabalhando em conjunto e em consciência social.
Façamos de conta que sim, porque para brincar ao faz-de-conta tem de ser com algo que realmente nos faça sonhar.
Com a realidade .. não vale.