12 Mar 2009

Mourning

Chegou vestido de negro e vinha para matar. Dirigiu-se à sala 10D, entrou e atirou sobre tudo o que mexia. Uma. Duas vezes.
Antes da terceira rajada, olhou nos olhos os que ainda respiravam e perguntou: "Ainda não estão todos mortos?" E voltou a disparar.


Porquê é a pergunta que se lê no meio de velas que muitos acenderam quem sabe se para facilitar o caminho até ao céu daqueles que tão violenta e prematuramente partiram. Era esta a teoria da princesa lá de casa quando as via acesas na Igreja depois dos Avós falecerem. Iluminar o caminho até ao céu porque lá fora está escuro.
Porquê? Que leva um garoto de dezassete anos a empreender uma “vindicta” contra a vida alheia matando a torto e a direito, matando-se?
Porquê? .. angustiante a sensação de impotência que sinto neste momento, sem resposta, ao mesmo tempo que me invade uma tristeza opaca, pelos lares que se desfizeram quando nada o faria prever.
Assim. Simplesmente.
Por uma vontade alheia e injustificada. Injusta.
Na mira de uma arma.
Num tiro. Ou em vários.