9 Mar 2009

readings (xi)

Constance Fenimore Woolson (novelista) 1840-1894

Nas palavras de Henry James “Constance possuía um capital extraordinário de reserva e autonomia e parecia não haver nela o menos desejo nem de agradar nem de impressionar. Vivia a sua interioridade com uma veemência inusitada e possuía uma estranha e activa independência que não se permitia prescindir”.

É engraçado acompanhar a evolução de relacionamento entre Henry James e Constance Fenimore, apreender todos os traços da personalidade desta Senhora pela pena intimista do escritor e depois deixar-me surpreender com a identificação da maneira de ser de Constance, das suas oportunas e breves afirmações, da inteligência pertinaz e algo afoita para a época, na personagem de Isabel Archer da novela Portrait of a Lady, escrita por Henry James dois anos depois de ter conhecido aquela que sempre foi considerada a sua maior amiga, fiel confidente, leitora atenta e crítica.

Isabel Archer é sem dúvida Constance Fenimore. E sente como ela, pensa como ela, veste-se como ela.

O abismo entre o exercício integral da inteligência por parte das mulheres e as consequências desse exercício” é uma frase atribuída a Constance Fenimore e plenamente defendida por ela à época. Consequências que Isabel bem sentiu na pele.

Chegou-me agora às mãos (thank you*) depois de algumas voltas e semi-desistências, “The Old Stone House” escrito por Constance, aka Anne Woolson.

Começo a deixar-me encantar por Aunt Faith que gerindo de forma exemplar o desespero de uma vida solitária com a qual não sonhou, cria, guarda e protege e acarinha um rancho de cinco sobrinhos órfãos, cada um particularmente diferente de todos os outros.

E nas linhas que devoro tenho presente que a Mestra destas letras teve uma vida .. para além do livro, para além da ficção.