29 Apr 2009

projectos? cumprem-se .. :)

Acabou no My Tale Blog o projecto a que me propus.
Demorou mais que pensei e foi, por diversas vezes, alterado.
Releio tudo, acerto aqui e ali, coloco os episódios com princípio, meio e fim e acabo a apreciar o resultado.
É a segunda vez que me proponho a escrever com seguimento, coerência (pouca) e algum encadeamento de temas.

Fruto de quê?
Confesso que há muito de mim ali. Como há definitivamente muito de mim em tudo o que faço na vida e de mim dou. E há ainda algo da vida de pessoas que tenho o prazer de conhecer e a quem quero bem. Muito bem.

Consegui o propósito?
Não sei .. falta-me a vossa prezada opinião para dar o próximo passo. Ou não.

And please .. do not "go gentle". * there's no "good night" at the forefront, whatsoever ;)

intimism (xli)

Na sequência da actividade ginasta da mais que tudo lá de casa, duas vezes por semana, durante duas horas, é-me dada a possibilidade de ter duas horas inteirinhas para mim, sentada no simpático bar do ginásio, de livro em punho, ou simples bloco de apontamentos onde vou despejando em linhas corridas muito do que por vezes aparece por aqui.
A mania dos caderninhos de escrita fina, o escrever de tudo e de nada e a extravagância de me dedicar a pensar sobre o que me é dado ver são alguns dos ingredientes dos postais que por aqui deixo. Como já todos perceberam este não é excepção. :)
A faixa etária dos meus companheiros varia entre os seis e os vinte e poucos anos. Rapazes e raparigas, ginastas, nadadores, praticantes de judo e basquetebal, em animada conversa ou em silêncio estudioso, livros espalhados sobre a mesa enquanto aguardam o início das actividades. Por vezes professores em intervalos de aulas e sempre a voz simpática e grave do senhor Isaltino (ele próprio brinca com a coincidência) que, de avental imaculado, azul escuro, quase até aos pés, domina no balcão enquanto serve meias de leite, águas sem gás e pão com todo o tipo de conteúdo. Não há doces, nem fritos, nem bolos carregados de creme. Umas envergonhadas tabletes de chocolate espreitam por cima da máquina de café mas raramente são objecto de compra.
Ontem esqueci-me do livro em casa e fiquei, de galão escuro e quente à minha frente, a observar. Saem as garotas da natação, cabelo a escorrer água convenientemente coberto pelo carapuço do casaco, as mais velhas directas para a rua, as mais pequenas encostadas às mesas à espera dos pais ou de quem as venha buscar. O Mestre (Judo), assim é tratado pelos alunos, atravessa o recinto calmamente, tem um ar pacíficio e quase contemplador, pede uma água e senta-se perto da minha mesa. Aborda-o um aluno com uma questão de peso versus categoria e escuto atenta a explicação que recebe. Numa outra mesa duas ginastas, já equipadas, acabam os trabalhos de casa tirando dúvidas uma à outra. Entra uma das mais altas jogadoras de basket que já vi, é imediatamente rodeada pelos colegas que lhe dão os parabéns pela vitória no último torneio. Ela cora, meio sem graça, grande demais para se esconder, e passa rapidamente o cartão no identificador, em fuga. Passa uma hora e pego no jornal da região para me entreter com o tempo que falta. Estou a ler um artigo sobre o Conde de Oeiras quando sou interrompida por uma voz fininha que me pergunta se se pode sentar. A garota à minha frente deve ter uns sete anos. Claro, respondo-lhe. E sorrio-lhe. Devolve-me o sorriso e senta-se na ponta da cadeira, afastada. Volto a concentrar-me na leitura e quando levanto os olhos, ela observa-me. Volto a sorrir. Espero a minha mãe, responde-me à pergunta inexistente. Está no centro comercial a comprar uma roupa. Telefonou-me a dizer que se tinha esquecido das horas e a perguntar se gosto mais de preto ou de cerise. Eu respondi preto porque não sei o que é cerise. Os olhos expressivos são levantados ao tecto e encolhe os ombros pequenos como se se desculpasse.
Olho em volta e vejo um livro de cor parecida que as ginastas esqueceram na mesa. Aponto-lho. Estás a ver aquele livro. Cerise é mais ou menos aquela cor. Agradece-me e continua: estás à espera da tua filha? .. estou, digo-lhe, mas ainda falta algum tempo. Ela sorri. Um sorriso que me intrigou. Na sua carita pequena, sardenta de olhos enormes, aquele sorriso envelheceu-a uns dez anos. Às vezes gostava de chegar cá abaixo e ter a minha mãe à minha espera .. fazendo-me engolir em seco. O senhor Isaltino, alma boa e habituada aos desaires desta matemática ingrata de horários versus esquecimentos, lugar para estacionar, esperas e antecipações, intervém de imediato: Sofia, estás com fome? Ao que a pequenita salta da mesa dirigindo-se ao balcão.
Salva .. eu.

28 Apr 2009

virtual insanity

Sentando à minha frente o meu interlocutor é .. assim-assim. A mesa corrida, cheia de amigos, alguns que se vêm quase todos os dias, outros nem isso. Este há algum tempo que o não via, nem é pessoa com quem muito tenha convivido. Ex-marido de, ela sim, uma grande amiga, “pendurou-se” no jantar fazendo com que ela só viesse para o café. Idiota.

A conversa flui, a política, os partidos, a crise e as crianças, tudo por esta ordem para acabarmos em beleza. Pais e mães babados com fartura, trouxe o diligente dono do restaurante e nosso amigo também, várias toalhas limpas enquanto por ali permanecemos ;) De repente interrompe-me o discurso, num espera aí que já falas - conhece-me mal a criatura, a investidas deste género silencio-me sem apelo nem agravo, e saca do telemóvel, colocando um Blackberry última geração em cima do tampo da mesa. O casal ao meu lado ri-se e atira-lhe um viciado! ao que ele responde: vou só ver os comentários. Tenho por ali umas gajas que .. tendo tido o bom senso de se calar.

Onde é que estas pessoas têm a cabeça, interrogo-me. Homens com mais de quarenta anos, pais de filhos, em jantar agradável com pessoas de carne e osso, fazendo alarde de carências virtuais e interrompendo o fio de conversas, que até podem ser desinteressantes, mas são sonoras e a cores, para ler comentários numa página virtual?
Felizmente não lhe sei o endereço. Nem quero. Ainda me arriscava a ser considerada “carne para canhão” por um energúmeno que nem um casamento conseguiu manter quanto mais ..

É um mero episódio este. E a minha fúria na altura prende-se mais provavelmente com o facto de me ter mandado calar do que com a importância do que realmente aconteceu.
Mas se há coisas que não consigo entender é como é que se cria uma tão grande dependência dos meios tecnológicos inertes e sem sentimento, quando lá fora há uma vida a pulsar. E a passar.
Ou será que não há?

27 Apr 2009

A smooth sea never made a skilled mariner (*)

(*) English proverb

Olho a frase e desmonto-a.
Parto-a em pequenas partículas.
Avalio-lhes o peso e o significado.
Procuro-lhes os detalhes. E todos sabem que God is in details .. as well as the Devil, by the way.
A smooth sea never made a skilled mariner .. maybe.

No outro dia a propósito de outro ditado dei por mim a discutir a importância dos obstáculos na vida. Verdadeiros. À primeira vista, intransponíveis. E da força. A força, a persistência, o credo, a resistência e até o medo que nos fazem transpô-los. Ultrapassá-los. Deixá-los para trás. Resolvê-los.
Estaríamos mais bem preparados se tal não acontecesse?
Se não perdêssemos o sono na tentativa de encontrar uma solução para o problema que, de repente, nos caiu em cima?
Se não nos consumíssemos na tentativa de minorar as consequências, por vezes terríveis, para aqueles que amamos e que de nós dependem?
Se não errassêmos por labirintos de cenários, tantas vezes considerados, tentando fazer a opção correcta na parafernália de escolhas que desembocam todas em outro cruzamento .. sem sinalização.
Se não nos puníssemos, como se de culpa fossemos feitos, pelo que aconteceu tentando perceber que fizemos, por que caminho enveredámos, que escolhas desconsiderámos para nos vermos, à beira do abismo e sem correias que nos prendam, a um passo da queda que sabemos .. letal.

Talvez.
Talvez a vida não soubesse a vida sem os desafios constantes a que estamos expostos simplesmente por respirarmos.
Mas uma coisa vos garanto. Eu daria, por vezes, de bandeja uma parte do tal sabor por uma existência mais morna. Mais pacífica. Mais paciente. Menos ..

24 Apr 2009

..tip

Dicas para o week-end? Que tal isto? Aproveitem :)

intimism (xl)

Lembram-se disto?
Muito bem, prazo de entrega cumprido à custa das unhas e pele da ponta dos dedos da filha e da mãe, óbvio! Uma maqueta que espelha a ruína em que está hoje o fabuloso castelo, só tomado por altura das invasões francesas. Uma torre semi-destruída, o edifício da imponente igreja, hoje sem tecto. Tudo feito em molde de cartão e pequenas peças de cerâmica que andámos a colar nos últimos .. hum .. trinta dias? Talvez mais.
A par da apresentação maquetizada um pequeno power point explicativo do porquê da escolha do monumento e algumas particularidades a ele associadas. As fotografias? Todas de arquivo pessoal evidentemente, ai de mim se não tivesse pelos menos umas quatrocentas e cinquenta em casa e outras tantas nos cds da era digital do meu descontentamento.
Se registei o momento? Claro que sim. Resta-me encontrar o cabo certo que corresponde à máquina fotográfica utilizada e passá-lo para computador. Coisa para durar outros trinta dias mais coisa menos coisa .. ;)
Deixo-Vos a introdução escrita pela menina-semi-beirã ;) lá de casa.

Porque escolhi o Castelo de Monsanto?
Porque Monsanto é a terra do Meu Avô Materno a quem só conheço pelas histórias que conta a minha Mãe.
E assim está ligado às nossas raízes. E porque gosto muito de ouvir a minha mãe e os meus tios contarem todas as travessuras, as escaladas e as brincadeiras de todas as férias que passavam em Monsanto.
Dizem-me que de todas as vezes que subiam ao Castelo com os primos e amigos descobriam coisas novas.
Já lá fui e gostei muito.
Ainda que tenha dado uma queda muito feia nas muralhas da única ameia ainda intacta.

E uma conclusão: vale a pena, vale realmente a pena passar legado aos nossos filhos. Mesmo que não seja tão perfeito quanto gostaríamos que fosse, tão extraordinário, tão balalão .. vale a pena.

23 Apr 2009

Livro .. na primeira pessoa do singular

Fui escrito.
Aliás tudo começou quando fui escrito.
Escrito, corrigido, alterado, cortado e acrescentado. Operação difícil, vos garanto. E dolorosa também. Foram muitas as vezes em que me apeteceu intervir. Conversar com o meu autor, explicar-lhe que naquela linha de pensamento ficaria bem um outro cenário, hipótese ou explanação. Mas não o posso fazer. A Obra não influenciará o criador é uma das sonantes alíneas que temos de respeitar logo que somos os escolhidos.
Vejo-o cansado, à luz de um candeeiro que já conheceu melhor dias, tentando que do fio de pensamento tão claro na mente saiam as palavras coerentes e significativas que se propôs relatar. A operação pode demorar apenas uma semana, como oiço dizer aos meus companheiros de prateleira na livraria onde vim parar; mas desses eu desconfio um pouco já que o arrumar de letras pretende-se um processo pensado, amadurecido, logo: demorado, ou pode demorar uma eternidade. De tal forma que a páginas tantas (lá para a centésima terceira) o construtor de letras volta atrás e começa a fazer-me cócegas apagando parte do que havia escrito. Suspiro nestas alturas e concentro-me no tecto.

Pronto.
Estou finalmente pronto. Resta-me aguentar estóico a última intervenção. Olho com surpresa para o local para onde sou atirado, impresso, fotocopiado até me colocarem um espartilho duro e colorido. Capa, oiço dizer. Esta aperta-me particularmente. E assim de relance não me parece que tenha alguma coisa a ver com o que tenho cá dentro. Enfim. Pressas.

Passaram-se alguns anos. Fui lido, manuseado, encadernado de novo, por vezes com papel rafeiro de cor indefinida, outras com papel autocolante que dói horrores quando alguém tenta reencadernar-me. Fui citado, estudado, arrumado na prateleira onde por vezes espirro disfarçadamente por causa do pó acumulado.
Hoje, ligeiramente inclinado, partilhando o espaço com uma orgulhosa vela de enjoativo cheiro a baunilha, sirvo de apoio a outros como eu. Desejoso de voltar ao activo. Porque esperam?

22 Apr 2009

earth


Segurou o pequeno globo num misto de temor e excitação que lhe fazia tremer os pequenos dedos rechonchudos e limpou-o cuidadosamente.
Muito cuidadosamente, quase em afagos disfarçados. Lá dentro, em tons transparentes de ventos idos, pequenas sementes de uma vida verde desconhecida pontuavam uma terra castanha que adivinhou molhada .. cheirosa. Seres minúsculos atarefavam-se em direcção a nada, vidas corredias, nervosas, estranho pensou o garoto .. para onde vão?
Um barulho, que em surdina ensurdecia, oprimia o silencioso suspiro que o globo soltava de quando em vez. Um suspiro dorido, profundo e calado. Calado pelas máquinas de um amarelo vivo, muitos maiores que os pequenos seres que lhe prenderam a atenção. Que fazem? perguntou-se, no mesmo instante em que percebeu que arrancavam, com ares ferozes, as pequenas sementes verdes que tinha visto nascer lá mais em cima. E a terra.. aquela terra castanha que achava cheirosa de chuva, transformava-se no mesmo instante num deserto árido, rachado em rasgos que pressentiu de dor. Calado por outras máquinas, desta vez em tons de cinza e negro, que lançavam uns fogos coloridos que o fizeram sorrir a principio, até perceber que onde caiam aqueles fogos coloridos transformavam em cinza e chama tudo em redor. E pequenos corpos daqueles seres, jaziam pelo chão sem ninguém os levantar. Horror, pensou o garoto, virando de propósito o pequeno globo para afastar tais visões.

Em algumas zonas uma nuvem de fumo negra pairava ameaçadora ensombrando o sol pintado a amarelo e suspenso em fio de pesca imperceptível. Como é que não a vêem, indagava-se de novo, observando atentamente aquela vida estranha, segurando o pequeno globo com todo o cuidado. Indiferentes os pequenos seres continuavam as suas labutas, quais formigas minúsculas, ocultas. Um brilho de vidro azul e branco chamou-lhe a atenção. O mar explicara-lhe o Pai quando lhe trouxera aquele tesouro. até isso destruíram, ouvira comentar com a Mãe ao jantar, julgando-o absorto. Como assim destruíram?, apeteceu-lhe perguntar .. sabia contudo que a pergunta iria colocar nos olhos do pai aquela sombra triste e amarga que lhe via com frequência. Pergunto amanhã, na escola, pensou.

Era lindo o seu tesouro. Já tinha ouvido falar dele nas aulas de História Antiga e Civilização.
Havia ali ainda uma vida, pensou .. uma vida cansada, mas que ele na ingenuidade dos seus 12 anos, acreditava, ainda esperançada. Oxalá eu pudesse ajudar esta Tero, desejou escutando de novo aquele lamúrio triste, profundo .. arrepiante Hey! gritou abanando o Globo com força, como se o pudessem ouvir os minúsculos e indefinidos seres que via de um lado para o outro em azáfamas que lhe pareciam tolas. Hey! Não vêem que estão a magoá-la?!
Pareceu-lhe, por impossível que possa parecer, que por uma milésima de segundo algo parou no buliço do seu tesouro .. ilusão .. milésima de segundo mais tarde, tudo retomou o seu ritmo alucinante de quem parece não escutar, não ver .. não sentir.


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texto já editado.

21 Apr 2009

prize (iii)


Thank You Sire :)


Beware of a man of one book(*)

(*) English proverb

O que pretende concretamente quem destrói um livro? Quem queima, quem rasga, quem ignora? Qual o último objectivo por detrás de um amachucar de folha? De um risco oblíquo numa página?
A humanidade, da qual, por vezes não orgulhosamente, faço parte, prima pela escrita e edição de obras prodigiosas. Em todas as vertentes conhecidas e até algumas ainda por explorar. Mas prima igualmente pela quase mitológica e matemática destruição da prova escrita. Contada.
Que pretende concretamente quem destrói um livro? Ou vários? Acaso apagar o rasto deixado pelo seu autor? Acaso apagar o próprio autor? Emudecê-lo?
Que pretendem?

Proponho-me descobrir aqui. E deixo um Obrigada ao Miguel pela dica. *

20 Apr 2009

intimism (xxxix)

É o mundo de cristal.
Onde tantos se movimentam. Vejo-os passar ao meu lado, todos bem vestidos, barbeados, cabelos arranjados, casacos imaculados, saltos altos sem defeito. Qual bolha de sabão, convenientemente desinfectada, limpa, radiosa, arejada, cheirosa e perfumada. Não me integro, não porque não o saiba, é tão confortável a postura delicada do nada me afecta, sou o máximo mas porque enquanto acreditar, sentir, sonhar, chorar, sorrir, gritar, gargalhar e espernear, não me aceitam por lá. Ainda bem.
É o mundo de cristal. Um mundo onde não espelhas o sentimento que te aflige porque se for riso, és convencida, se for choro vitimizas-te. Abstém-te de sentir. Ou de dar a entender aos outros que sentes. Porque se te queixas é porque alguma fizeste e é merecido. És culpada. Sem julgamento e à partida: Culpada.

É o mundo de cristal. Por vezes, confesso, divirto-me abanando-o. Chocalhando-o. Dando um gritinho que, por agudo, racha a bem estruturada parede brilhante. E observo as baratas tontas que por momentos, ínfimos momentos mas ainda assim, correm de um lado para o outro em cima de saltos agulha em precário equilíbrio. Falam todos atabalhoadamente, tentando justificar o injustificável, até concluírem para seu próprio descanso que tudo não passou de uma singular investida de uma das non-fitted. Nada a temer. O mundo de cristal segue o seu percurso. Imparável. Ao lado do meu onde, felizmente, me dou conta que não estou sozinha. Antes assim.

books and time .. time!





Tertúlia Literária, diz-me a minha mais que tudo. Com dois escritores moçambicanos Mummy, de um deles já li o livro e gostei tanto. Gostava tanto que fosses.
E a mummy reduz drasticamente o horário para estar presente até porque o tema me apetece também. Leitura de poemas. Análise feita pelas crianças (são ao todo 37 as mini bibliotecárias mas estavam uma quinze, talvez) na presença dos Pais. E depois extrapolar os assuntos abordados pela poesia pedindo a colaboração dos próprios.
Achei graça.


Principalmente porque cada vez mais se esvaziam as substâncias não palpáveis da nossa vida e da vida dos nossos filhos. Coisas como ler, passear, sentir, correr. Coisas como o prazer de uma face corada, um cabelo ao vento, um gelado que lambuza. Um livro que se partilha ou uma história que se conta, ou uma conversa. Não há tempo, dizem. Mas o tempo senhores .. que é o tempo senão o dele fazemos?

Gostei. Bastante. E daqui virtualmente reforço os parabéns que dei no final (acresce que eram quase 8h30pm sem que nenhum de nós tenha dado pelo tempo passar) à Professora Bibliotecária, ao Carlos Augusto e ao Delmar Gonçalves.
E a todas as bibliotecárias opinativas, consistentes e bem humoradas que connosco partilharam.


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sobre o tema, atacado por uns mas felizmente defendido por tantos outros a Carla Maia de Almeida publicou matéria muito interessante_ ler aqui

17 Apr 2009


-
I am not afraid of storms, for I am learning how to sail my ship
Louisa May Alcott

so am I :) aren't we all?

Have a superb, thus not thundery ;) week-end*

a chain is no stronger than its weakest link

3º dia de aulas do 3º período lectivo e entra a menina-mulher lá de casa furiosa com a professora de inglês.
Safa, espero que ela não tenha filhos mummy, é completamente insuportável por vezes. Abafo a risada da alusão à maternidade, olho-a séria numa repreensão muda pela critica ao que responde de imediato, desculpa mas deixa-me fora de mim, por vezes. E neste por vez que foi que aconteceu? Pediu-me que traduzisse expressões idiomáticas mãe, e quando lhe perguntei se por serem idiomáticas poderia traduzir a ideia, obrigou-me a uma tradução palavra por palavra.
Chocámos de frente no início do 5º ano. O sobrenome que guiamos na exacta medida das costelas de terras de Sua Majestade, tem por vezes este efeito. Convivi com isso enquanto estudante, alguns dos meus irmãos irmãos sofreram do mesmo mal, e a princesa está na mesma onda.
A uma correcção que resultou num texto em inglês escrito pela própria professora onde havia alguns erros grosseiros e indesculpáveis, maiores que o erro inicial que tentara corrigir, respondi-lhe igualmente .. em inglês.
Na primeira reunião de Pais o assunto foi abordado, em particular, pela Directora de Turma a quem expliquei o sucedido.
Foi o início de um processo por vezes justo e coerente (na atribuição das notas) por vezes exasperante e algo tolo na postura de uma professora perante uma aluna que sabe. De conhecimento empírico feito, fruto de convívio diário com outra língua, já que nunca a inscrevi em qualquer curso, aula particular ou explicação para aprofundar o conhecimento da língua inglesa. Sabe como eu sabia com a idade dela. Como os meus irmãos sabiam. Porque é também uma língua .. nossa.
Oxalá não tenha filhos, rematou a minha filha à laia de desabafo. Porque para filhos pressupõe-se uma paciência e uma disponibilidade que não se pautam por estas embirrações de momento, fruto de ignorância ou simplesmente de maus fígados. E eu concordo. Ainda que lhe tenha aberto os olhos à subjacente falta de respeito.

Porque por vezes não é por serem mais novos, mais inexperientes, mais locais ou internacionais. Por vezes é só e unicamente porque as palavras bom senso e humildade deixaram de fazer parte dos dicionários de quem acha que, como ocupa uma determinada posição, está sempre credora.
Por vezes .. enganam-se .. Redondamente.

E pior que o erro é a manutenção arrogante de uma postura que se sabe .. falhada.

16 Apr 2009

intimism (xxxviii)

Não quero crescer nem amargar
diz-me a Margarida senhora de uma escrita tão depressa humorada e inconsequente como profunda e cheia de uma melancolia que me faz questionar .. de onde lhe virá.

Crescer nem amargar.
Ficou-me a frase. E o sentido.

Engraçado como dou por mim na azáfama do final de dia, tenho para mim a teoria que é no final do dia que começa o meu verdadeiro trabalho, e a vontade incontrolável de ser mais de uma, mais de duas, a princesa e um dos sobrinhos para ir buscar aos respectivos ATL e Colégio, passar na lavandaria porque embirrei que o casaco que lá está há um ror de tempo tem de ser vestido amanhã, fica a matar com a calça castanho-terra, que fazer? Imaginando pelo caminho que colocar no forno para o jantar, não me dizem? esqueci-me de descongelar o que quer que fosse, coisa que há algum tempo atrás, há mais de um ano diga-se à laia de adenda, servia de risota para me acusarem de querer ir jantar fora.

E stop!
Foi precisamente aqui que parei.
Há um ano. De um outro ano atrás desse.
E de novo o não crescer nem amargar que me ficou colado à pele.

Cresci? Sem dúvida. Perdi alguma coisa? Certamente que sim. Sofri na altura? Imenso.
Perdi a esperança? Jamais.

Amarguei, lembro-me que amarguei e talvez para meu espanto e vergonha tenha inclusive, confesso, chegado ao ponto de cultivar essa amargura, imaginem.
Se entristeci e me tornei pior pessoa?
Continuo a acreditar que poucos terão essa capacidade. De tornar alguém naquilo em que esse alguém não se quer tornar.
Sem tristezas? Não.
Sem que a amargura do momento dê lugar à Tristeza? Sem dúvida.
Porque quando lhe vestimos a pele, aquela pele seca, velha, sem brilho e sem esperança, que sufoca e não respira vamos precisar de uma ajuda hercúlea para a conseguir despir.

Não crescer nem amargar. Ou crescer sem amargar. Tentar não amargar.
Ainda que por vezes possamos entristecer. Permitindo-nos entristecer.

Porque caso contrário a nossa vida viraria um inferno. E é excessivamente curta para isso.
A nossa, a de quem amamos, a de quem nos ama.

15 Apr 2009

rio..

Barcelos é igualmente uma cidade .. nossa :) a estória do galo encantou a menina lá de casa que ao almoço – prova de rojões, "coisa" desconhecida – perguntava insistentemente ao “avô” se era verdade. Mas foi ou não verdade? insistia em tentar perceber como é que um galo cozinhado no prato podia cantar para salvar da forca um inocente condenado. A palavra milagre não lhe acalma a curiosidade mas serviu para a concentrar na descoberta do que lhe tinha sido servido ;) rojões? Feito de quê? .. prova e diz-me se gostas, interrompi antes de enveredar por explicações gastronómicas que a fariam, conhecendo-a, colocar o prato de lado com um pedido de desculpa (risos). Provou. E gostou. Óptimo.

Do museu arqueológico ao ar livre, até à zona ribeirinha de um orgulhoso Cávado, cheio e correntio, encantaram-nos os choupais, imensos e verdejantes.







A Igreja Matriz, possui, ladeando o altar, dois dos mais bonitos painéis de azulejos que alguma vez havíamos visto. A morte de um lado, a Ressurreição do Senhor de outro. São majestosos, enormes e cheios de um detalhe que permite, facilmente, reconstituir todo o episódio. Toda a realidade.


Os jardins da cidade são o orgulho dos seus munícipes conforme nos confidenciou a simpática empregada de balcão onde comprámos pilhas para a máquina fotográfica. Um orgulho e uma preocupação.
Não é raro vermos jardineiros de fato e gravata a caminho do emprego inclinados nos recortes de jardim a limpar de algum papel ou erva daninha visível na passagem.


Barcelos .. onde o castelo de Faria encerra uma história tão triste como a história da Póvoa.

Uma história de escolhas. E de filhos. De Liberdade e de morte. Não a vou contar, prometo.

14 Apr 2009

..mar

Arminda, de grande barriga, acorda sobressaltada naquela madrugada. Na cama ao lado da sua, rente ao chão e mais pequena, dorme sossegado o filho de três anos. O António havia já saído para o mar, perto das duas horas talvez, mais coisa menos coisa. Acorda sobressaltada sem perceber porquê e deita as mãos à barriga acariciando-a. Terá sido o bebé? Oxalá esteja bem, pede a Deus.
Arminda lembra a conversa do cego .. o Cego de Maio, ao pedir-lhe no dia anterior: que o teu Toino não saía pela madrugada, Arminda. Diz-lhe de mim que não saia.
O António rira-se ainda que fosse imenso o respeito pelo Maio. O mais valente salvador daquele mar que ruge e se atira contra os homens .. como se os odiasse. Ainda que diariamente os alimente.
Que não saio? Dissera-lhe o marido à leve alusão da conversa havida. E como comemos esta semana se não saio, não me dizes?
Viu-lhe as costas curvadas em esforço e a traineira que entra na onda furiosa que chispa em salpicos brancos e salgados.

Acordam-na os gritos das mulheres na praia. Acorda-a a certeza que algo se passa. Corre descalça pelo areal ainda mal iluminado por uma bruma leve de madrugada anunciada. O estertor do mar é terrível, grandes vagas inundam a areia e fazem oscilar os barcos amarrados. As rochas ao longe estão cobertas pela água em fúria e a luz do farol gira mais depressa na tentativa de alertar os pescadores. Arminda corre descalça, as lágrimas correm pela cara em silêncio, na certeza.
Quase todos, diz-lhe Maio .. trouxe quase todos. Não vi o teu homem. Não consegui ver o teu homem.
Arminda na praia.
Uma mão na barriga, outra no filho pequeno.
De frente para o mar. O mar que a odeia. Que a alimenta. O mar que ela odeia. Que alimenta.



A Póvoa do Varzim é feita de histórias tristes. Mas trouxemos mais. Trouxemos muito. Inclusive a vontade de querer voltar a uma cidade limpa, bem cuidada, com um paredão à beira mar que fez as delícias destas caminhantes. Andámos quilómetros sem dar conta.
A cidade é lisa, plana, sem subidas e descidas. As gentes são simpáticas. Acolhedoras. A gastronomia usa e abusa de um peixe fresco, saudável.
O Museu Cultural e Etnológico em frente à Casa do Mestre faz jus à história da outrora vila pesqueira.

E as Igrejas, religiosamente mantidas, intactas e restauradas, impressionaram-nos.
É preciso um dia inteiro para as visitar. Mas vale a pena.



O Mestre, na Praça do Almada, vela silencioso pelas suas obras semi-submersas mas não esquecidas.

.. a arte é tudo e tudo o mais é nada. A princesa decora a primeira frase e dedica-se a fazer paralelismos com a vida, terminando com a arte de viver mummy? Também querida.


Sorrio para a estátua. Quase posso jurar que me sorriu de volta.

3 Apr 2009

away


Easter time ..

Nos outros tempos pintávamos os ovos oportunamente esvaziados pela Beatriz, numa profusão de tintas pastel em pequenos recipientes. A mesa da cozinha, comprida e em madeira tosca, era coberta por um plástico grosso, sentavam-se os irmãos, os primos e os amigos que ao saberem-nos de férias na terra faziam, a partir das oito da manhã uma barulheira com o batente ou brincavam, até acordarmos, com as argolas de prender as montadas levantando-as e deixando-as cair em estrondo na pedra da entrada. Lembro-me da idêntica gritaria com que os acolhíamos numa saudade que a separação, desde o Natal passado, já tinha agudizado.
Os ovos pintados eram depois escondidos a coberto da vegetação, dependurados nas oliveiras, ou quase enterrados no sulco da terra que nesta altura ainda está húmida e cheirosa.
Domingo de Páscoa, após a Missa de Graças, as roupas de festa eram rapidamente despidas e arrumadas e em calça de ganga e alpergata partíamos à “caça ao tesouro” na tentativa de sermos o que mais ovos conseguia trazer, enquanto se ultimavam os preparativos para o almoço que reunia, igualmente toda a família.

A família é mais pequena agora.
Tantos são os que já partiram em viagem sem regresso a não ser o que a nossa lembrança permite, que quando olho para trás vejo muitos lugares à mesa postos .. mas vazios.
Já não há oliveiras onde dependurar fios invisíveis com ovos coloridos e ninguém suja as unhas de terra num esconde-esconde propositado. Os ovos de caros que são, não se estragam em pinturas que levavam dias a secar. E as gemas e claras já não servem para os ovos moles ou delicias queimadas com que nos deleitávamos. Muito calórico, dizem.

Mas a família continua a gostar de se reunir a propósito de tudo e acima de tudo a propósito de nada. E é a esse ninho que regresso vezes sem conta, ainda que algumas vezes .. em imaginação. Hoje, irmãos, irmãs, cunhados e cunhadas, filhos, sobrinhos, primos .. uma outra mesa cheia, talvez não tão cheia é certo, mas sem lugares vazios.

Deixo os votos de uma Santa Páscoa :) e Até Breve *

2 Apr 2009

mea culpa

Confesso que se por vezes me canso em explicações, como se estivesse imbuída da missão de tudo explicar até ter a certeza que tudo e todos entenderam, por outra caio no facilitismo inabalável de nada acrescentar fechando-me num mutismo que os que me conhecem, chegam a temer. Exagero. A ausência de contacto e o “esquece” dito do alto da minha falta de paciência, contra a minha índole atentam, bem sei, mas dão-me o conforto de quem já esgotou o latim necessário ou de quem, naquela corrente específica numa maré contrária, acaba por considerar que não vale a pena remar.

Já me cansei igualmente de explicar o que é o Once.
Um diário intimista. Onde escrevo o que me apetece. Nem mais nem menos.
E corro aqui o risco de estar a valorizar o que não tem valor. Eu sei. Com comentadores que de virtuais passaram a amigos, e outros que amigos de sempre ainda têm a paciência infinita de me ler por aqui além de me aturar lá fora, estes dois anos e qualquer coisa já me colocaram direitinha no lugar que ocupo. Nem mais um nem menos um centímetro.

Mas ao receber a mensagem:

Você é tão chata, Once, tão profundamente chata e presumida! Quem pensa você que é? Sempre com recriminaçõezinhas e indirectas, que criadal figura, santo Deus! Possidónia, diria mesmo!

… a coberto de uma incursão que se acredita ou pretende “anónima”, em invasão maledicente da casa da qual abro portas sem censura ou reserva ao direito de admissão, acabo por perceber que nem todos me entendem. Por falta de intelecto? Talvez. Por incapacidade própria? Também. Simplesmente porque a descarga de um odiozinho de estimação faz bem ao ego? Provavelmente.
Correndo consciente o risco de estar a dar valor ao que não tem. De facto.
Até porque esta é uma gota de água suja, indevidamente atirada, contra um universo de gente de bem, que aqui vem para me ler como escrevo. Como sou.
A Vós, que fazem parte desse universo, que prezo e quero manter, as minhas desculpas por este desabafo de hoje.
Mas também sou isto. Uma emotiva, por vezes, cada vez menos, pouco ponderada.

Confesso que por vezes me canso em explicações .. e em tentativas de entendimento também. Esmiuçando razões e posturas.
Mea culpa.
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reflexão despoletada ao assimilar este brilhante texto da Luísa, no seu Nocturno.

instruction number one

Há duas coisas que não deve dizer nunca a um homem se o interesse for o ir mais além de um café sem sabor pago no café da esquina meio a correr com a desculpa esfarrapada que está atrasadíssima para um compromisso que não tem.

A primeira é que ele é “interessante”.
A segunda é que lhe faz lembrar alguém conhecido, o pai ou o irmão mais velho.

A ordem pode perfeitamente ser a inversa. Se aguentar o primeiro embate..
Interessantes são as obras de arte na galeria e levam-nos um ror de tempo para se lhes limpar o pó.
Pais e irmãos são aqueles a quem se pode dizer conheci alguém interessante
Experimente.
E depois oiça-lhes a resposta.
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porque revi o "how to lose a guy in ten days" ;)

prize (ii)


Vale a pena, diz-me a Júlia, lembrando-me o Poeta de Alma Grande e estendendo-me um privilégio muito seu num caminho que percorremos por aqui lado a lado, por vezes com direito e tempo a um chá fumegante em amena conversa, outras numa “visita de médico” apressada sem tempo para interiorizar e um apontamento mental que se ilumina no momento em jeito de promessa de voltar.

Gostei.
Obrigada Júlia *

1 Apr 2009

readings (xviii)

changing

We must all obey the great law of change.
It is the most powerful law of nature, and the means perhaps of its conservation

Edmund Burke
1729/1797


Há uns largos anos atrás, tinha a minha princesa qualquer coisa como seis meses de idade e a propósito de uma alteração rígida e penosa na empresa para a qual trabalhava, em conversa com um dos responsáveis pela mesma foi-me dito: A vida é feita de mudança. E se não é assim que está a educar a sua filha, está a educá-la mal.

Mudança. Adaptação.
Capacidade de adaptação. Versatilidade. Empenho. Dedicação.
Tolerância. Confiança. Mudança.
Tenho, cada vez mais, para mim a teoria que é desta forma que, hoje em dia o Mundo faz a sua necessária selecção. Mais do que pelas manifestações da Natureza. Mais do que pelas Guerras dos homens contra os homens. Mudando, abanando, invertendo.
E agora, vamos ver como te sais.. Mudança.