28 Apr 2009

virtual insanity

Sentando à minha frente o meu interlocutor é .. assim-assim. A mesa corrida, cheia de amigos, alguns que se vêm quase todos os dias, outros nem isso. Este há algum tempo que o não via, nem é pessoa com quem muito tenha convivido. Ex-marido de, ela sim, uma grande amiga, “pendurou-se” no jantar fazendo com que ela só viesse para o café. Idiota.

A conversa flui, a política, os partidos, a crise e as crianças, tudo por esta ordem para acabarmos em beleza. Pais e mães babados com fartura, trouxe o diligente dono do restaurante e nosso amigo também, várias toalhas limpas enquanto por ali permanecemos ;) De repente interrompe-me o discurso, num espera aí que já falas - conhece-me mal a criatura, a investidas deste género silencio-me sem apelo nem agravo, e saca do telemóvel, colocando um Blackberry última geração em cima do tampo da mesa. O casal ao meu lado ri-se e atira-lhe um viciado! ao que ele responde: vou só ver os comentários. Tenho por ali umas gajas que .. tendo tido o bom senso de se calar.

Onde é que estas pessoas têm a cabeça, interrogo-me. Homens com mais de quarenta anos, pais de filhos, em jantar agradável com pessoas de carne e osso, fazendo alarde de carências virtuais e interrompendo o fio de conversas, que até podem ser desinteressantes, mas são sonoras e a cores, para ler comentários numa página virtual?
Felizmente não lhe sei o endereço. Nem quero. Ainda me arriscava a ser considerada “carne para canhão” por um energúmeno que nem um casamento conseguiu manter quanto mais ..

É um mero episódio este. E a minha fúria na altura prende-se mais provavelmente com o facto de me ter mandado calar do que com a importância do que realmente aconteceu.
Mas se há coisas que não consigo entender é como é que se cria uma tão grande dependência dos meios tecnológicos inertes e sem sentimento, quando lá fora há uma vida a pulsar. E a passar.
Ou será que não há?