29 May 2009

Perfect .. present perfect

Mummy, queria acabar assim os dias, todos os dias da semana, diz-me a minha mais que tudo, abraçando-me a cintura, menina crescida de perfil rectilíneo, passo cadenciado ao meu lado. Olho-a de soslaio, quanto cresceu Céus? Faço-lhe cócegas, foge rindo à gargalhada, a bola a bater no chão, apanhada no ar, mummy vê é assim que fazemos na rítmica, estica o braço, perna em bandeira, e os senhores da esplanada a sorrir e eu anda, anda! ;) O rio espelha um por-de-sol lindo, tons de laranja que se sobrepõem numa dança de luz, barcos pequenos de grandes velas brancas deslizam nas águas cálidas que se sentem mornas, apetece um mergulho, boné na cabeça, óculos escuros e um gelado que teimoso escorre antes de o conseguirmos comer.
Vamos jogar? E atira-me a bola antes da resposta, gelado em equilíbrio entre gargalhadas e ar que se finge zangado, ela não esconde o gozo, menina matreira, corre ligeira para ajudar, desculpa, desculpa enquanto abafa a risada.
Fim de dia ao ar livre, horários que se fintam e ignoram, gelados lambuzados, gargalhadas que ecoam, sorrisos que se provocam.

Sim querida .. tens tanta razão!
Devia ser obrigatório terminar assim os dias. todos os dias.

Que o vosso fim-de-semana seja .. luminoso*

28 May 2009

Today is my Day so .. ;) will be back .. tomorrow *

27 May 2009

instruction # 4


Sê Feliz.

A sério.

Sê inteiramente feliz. Na felicidade dos pequenos detalhes. Das pequenas conquistas. Na felicidade de um amigo que está feliz. De um nascimento. De um sorriso.

Sê feliz ainda que de felicidade alheia por vezes tenhas de vibrar. Já viste a quantidade imensurável de coisas boas que perdes por estar constantemente a pedir a Lua.

Pára de pedir a Lua. A sério, outra vez.

Ainda acreditas que alguém te trará a Lua?

26 May 2009

nonsense ao cubo.

A mim, também me parece, Luís.
Tal e qual.
E "mães verdadeiras"?
.. também gostava que me explicassem quem são, como actuam, como se diferenciam das outras, e por aí adiante.

instruction # 3

Nada confesse em privado que não esteja certa que venha a lume, com direito a conversa de café, no dia imediatamente a seguir.
É fácil o teste.
Comece com uma mentira.

25 May 2009

Evolution

Our faculties are more fitted to recognize the wonderful structure of a beetle than a Universe
Charles Robert Darwin (1809/1822)

Já cá estava há uns meses e era ontem, precisamente a 24 de Maio, o último dia em a que podíamos ver. Por umas coisas e por outras, festas de aniversário, passeios, estudo para testes e provas de aferição e .. trabalhos para apresentar, a mãe de cabeça em duas dificílimas traduções (mas que me deram um gozo fantástico) e mais todas as vicissitudes e desarmonias de fins-de-semana que são sempre curtos e passam invariavelmente depressa, o certo é que, contra o que nos caracteriza, deixámos esta para o último dia. E aguentámos estóicas uma hora de fila para entrar no edifício e mais outra para chegarmos à primeira sala, entre conversas animadas, encontrões e passos pequenos, cadenciados.
Se valeu pena?


Passaria de novo pela espera, pelas conversas e pelos encontrões. Só para ver mais uma vez a admiração nos olhos da minha filha, as perguntas e conclusões, o detalhe, as imagens, a história, a Vida e a Lição.

Parabéns Mestre * .. e Obrigada Gulbenkian

será ..

(porque estou quase a dobrar um outro ano? :) talvez ..)

... Envelhecer não seria; mas era deixar passar um grande espaço de tempo, como um troço de filme em branco, fechar os olhos ao peso daquela doçura da volta, tapar os ouvidos como quem teve um mau dia e chora ao meter-se na cama, moída, gasta ... Na manhã seguinte acordar, mas passados uns anos, longe do Faial, ou noutro Faial só com o caminho à roda, o Pico em frente ... gaivotas ... sem ninguém.
O tio tinha dito: «viajar ou envelhecer?» Margarida gastara a resposta naquele silêncio e os olhos nas orelhas do cavalo.

Vitorino Nemésio, Mau Tempo no Canal , (excerto do cap. IX)

22 May 2009

prize (iv)

A Júlia, dona de um Caminho que tenho o privilégio de percorrer :) ofereceu-me este selo, afirmando que este é um blogue feminino. Eternamente responderia se não tivesse o Once a murmurar baixinho e a bater o pé no chão! ;) Feminino sim e sempre. Por vezes puramente na primeira pessoa do singular, outras nem por isso. Feminino e partilhado enquanto proveitosa e agradável for esta partilha. E que outra forma haveria para terminar uma semana de emoções? Entre uma agradável surpresa, um convite inesperado que me enche de nervos e .. orgulho, o cansaço natural de um trabalho que não abranda, horários cheios e apertados, correrias para os cumprir, não haverá, posso garantir, forma mais terna de acabar a semana.
Obrigada Júlia *

Os nomeados? Todos os blogues femininos da minha barra lateral .. e todos os outros que ainda lá não estão porque não os conheço *
Cinco coisas que adoro na minha vida? Vocês já sabem isso, não sabem? ;)

Bom fim-de-semana *

21 May 2009

It takes a great deal of history to produce a little literature

(Henry James)

20 May 2009

concordo e assino

Vão dizer-me que a gravação da professora de Espinho vai permitir que ela deixe de dar aulas e que isso é bom. Tudo bem. Mas eu digo-vos que é melhor ainda que, aos 12 anos, eu não tenha tido quem me fizesse espião a soldo.

Ferreira Fernandes, DN, 20.05.09

intimism (xliv)

Saímos do volteio, diz-me a instrutora contente com os progressos da pequena amazona ao fim de doze aulas. De silão havíamos passado a sela, e depois a rédeas, e ainda a todo um conjunto de actividades que se prendem com a colocação dos arreios, a limpeza dos cascos, o escovar, limpar, lavar e toda a brincadeira que caracteriza as nossas manhã de Domingo. Explica-me o passo seguinte com artes de professora apaixonada pela actividade. Que a princesa tem um equilíbrio e um à-vontade com os bichos que ultrapassa o normal.
A garota, contente e orgulhosa conversa baixinho, desta vez com a Luna, uma garbosa égua de pelo castanho-escuro e crina apertada em pequenas tranças que lhe dão um dar deveras feminino comentei para risota geral. Vem a dona do picadeiro assistir à aula. Brinca comigo a propósito de me roubar a filha aos fins-de-semana se confirmar o que tanto ela como a instrutora intuíram há muito.
Nesta altura a minha filha responde à Luna não linda, só no final da aula, pode ser? encafuando a cenoura apetitosa no bolso do colete, ao que a bicha, e eu havia bebido café simples portanto .. acenando o grande focinho em marradinhas nas costas dela, parece anuir.
Estou prestes a fugir, quando sou agarrada por um braço dono de uma voz que me diz: ora vamos lá a ver como é que ela se sai sozinha no trote levantado.
O trote levantado é um exercício de puro equilíbrio. Os pés enfiados nos estribos, biqueira da bota à frente calcanhar alçado, perna colada à barriga da montada O cavalo a trote. Os braços atrás das costas, mão direita no cotovelo esquerdo e todo o equilíbrio do cavaleiro está na força que faz no abdómen e nas pernas. raramente se levantam na primeira aula sem a rédea do instrutor continua a voz ao meu lado, e o braço dado no meu têm medo, mas ela não só não tem medo algum como parece que nasceu numa baia, desculpe a imagem!
Eu desculpo, eu desculpo. Esteja à vontade que eu desculpo. Afinal quantas foram as vezes que dormi numa? ..tantas.

19 May 2009

Está insuportável o meu Diário.
Passeia-se pela assoalhada, de ar altivo e majestoso, caneta de prata em punho para eventuais autógrafos suponho .. é no que dá dar-lhe publicidade .. agora não há quem o ature!
:) Ao Jornal O Diabo, na pessoa do seu Jornalista João Severino, o meu Obrigada pelo destaque.
Quando puder venha aqui ter uma conversa com este molho de folhas e convença-o que não é nada de mais, sim? ;)

ainda bem.

E depois há alturas em que parece que o mundo te caiu em cima.
Sim, o mundo, o globo terrestre com todas as kiloteslas e nanogramas que se lhe conhecem.
O obstáculo intransponível suga-te a energia, a luz, a fonte e o calor. Apetece-te colocar a cabeça entre as pernas, como os senhores paramédicos dizem para se fazer quando suspeitamos de quebra de tensão, e desistir. Apetece fechar portas e janelas e colocar o aviso: não estou, morri com um secreto desejo que ninguém acredite e volte mais tarde. Apetece amaldiçoar tudo e todos e acima de tudo, todos quantos julgamos responsáveis pela infelicidade que nos caiu em cima aos trambolhões. E há vários. Há, invariavelmente sempre, imensos.
E depois acordamos num profundo coma com os filhos a pedir o leite da manhã ou ajuda para ligar o televisor. E no sorriso de olhos brilhantes de uma cara laroca aos pés da cama de onde achámos não nos voltaríamos a levantar, vamos buscar a força escondida que nos esmaga, também ela, o peito, e secamos as lágrimas, e ensaiamos um sorriso e dizemos para nós mesmas, porque as mulheres nisso são fantásticas e conseguem, conseguem sim mesmo que não acreditem, e conseguem sempre que se propõem conseguir. Dizemos, bom dia espelho. Estás com ar de desenterrada mas anyway .. today is definitely another brand new day ..!
E vestimo-nos, e preparamos o leite, e olhamos pela janela, e ligamos o televisor, e vamos às compras com uma lista infinita que de nada nos serve porque a esquecemos no fundo da mala, e comovemo-nos com a venda de t-shirts para alegrar meninos deficientes, e olhamos os nossos e damos graças por não estarmos dependentes da venda de nenhuma t-shirt para lhes colocar um sorriso nos lábios, eles que nos acordaram de manhã de sorriso brilhante e um: mãe preciso-te. E compramos, cozinhamos, arrumamos, e ainda lavamos o carro, cozemos a mochila e escovamos os ténis, arrumamos brinquedos, sacudimos o pó, aspiramos enquanto respondemos aos gritos, por cima do barulho do aspirador, a uma enfiada de perguntas sobre tudo e sobretudo sobre nada. E brincamos, sentadas no chão, pernas à chinês, vestimos bonecas ou colocamos rodas em carrinhos, há sempre peças a mais, e rimos com eles e eles connosco e nós de nós.
E preparamos banhos com bolas de sabão a pegar no chão da casa-de-banho que acabámos de limpar e suspiramos por ter de o fazer de novo enquanto as rebentamos por entre gargalhadas e cabelos a escorrer. E apanhamos todas as toalhas do chão e gritamos que se despachem, estão ao frio, que tontos! Vão-se constipar!
E ao jantar levantamo-nos trezentas vezes porque de mil algos nos esquecemos, e vigiamos que comam a sopa e tudo, a fruta descascada e as respostas intermináveis às perguntas infinitas que nunca acabam .. meu Deus, será que nunca acabam? E deitamo-los com histórias de embalar, fazemos as vozes e os sons, eles sorriem de olhos pestanudos quase, quase a adormecer num abraço mãe adoro-te .. e eu adoro-te a ti meu filho, meus filhos, todos. Meus.
E voltamos ao silêncio da casa, a máquina da roupa ligada, a loiça a escorrer, o almoço do dia seguinte orientado, as mochilas com os lanches, com os livros, os chapéus e os casacos, a roupa pronta aos pés das camas e a sopa? Oh Céus, e a sopa que pegou! .. e mais, mais?

E somos assim. Mulheres. Mães. Por vezes tão cansadas que ao deitar, nesse mesmo dia, já nem nos lembramos do que nos fez acordar em lágrimas pesadas. Sentidas. Insuperáveis. Afinal .. não eram.
Ainda bem. Só assim poderemos passar por tudo de novo .. e outra vez.

18 May 2009

intimism (xlii)

A princesa em festa de aniversário, tema engraçado, um workshop de culinária infantil, e a mãe a pirar-se para a praia. Um dia de praia sozinha, coisa rara ainda que apetecida. Um tempo suave, sem o calor peganhento e desagradável dos 38º à sombra, e o Barbosa a preparar o último colmo da fila, aquele que sabe eu prefiro, longe da confusão, bem acima da linha do mar. Hoje sozinha, menina? A princesa? Pergunta-me, sem esperar resposta.
Assim que me sentei encostada na cadeira confortável percebi que o meu vizinho do lado era invisual. Não porque estivesse a ler, ou pelos óculos que tinha na cara. Não me perguntem concretamente como lá cheguei de uma mirada. Mas tive a certeza. Peguei no livro, cabeça à sombra, e dediquei-me à delícia que foi a “quezília” entre Eça e Camilo.
Que prosa. Que maneira de escrever o arrufo, a ofensa. Que poder de argumentação. Eça citadino e elaborado, Camilo uma verdadeira força da Natureza. Há homens assim hoje em dia? Tenho as minhas dúvidas. Escritas iguais estou certa que não existem. Por muito copy/paste que se faça com artes mágicas mas sem inspiração.
O meu vizinho levanta-se. Homem já algo grisalho, bem constituído. Em passos firmes, demasiado firmes, dirige-se ao mar. Sem bengala ou qualquer tipo de ajuda, muito direito como se de alguma maneira tivesse há muito decorado o caminho, não só o de ida, mas o que lhe permita regressar ao seu colmo. Coloco o livro de lado e observo-o. À beira mar, um nadador salvador aproxima-se, trocam breves palavras, entram os dois no mar. Comovo-me com a independência demonstrada e, ao mesmo tempo, com o pedido de ajuda expresso. Sem vergonhas. Regressa, acompanhado, com um sorriso nos lábios. Volto à minha leitura sem contudo conseguir concentrar-me. Pouso o livro, acendo um cigarro. De repente interpela-me sem concentração hoje menina? .. reforça o menina num tom gaiato que me elucida ter ouvido o Barbosa. Rio-me e respondo-lhe está demasiado calor. que lê? espantando-me como foi que “viu” que lia. “A Guerrilha Literária” .. é a sua vez de soltar uma gargalhada, o que faz sonoramente, puxando a cadeira para mais perto do som da minha voz. Uma cronista, hein? Quem eu? Uma curiosa, nada mais. E que Guerrilha prefere então? .. silêncio durante dois segundos pesando a pergunta e respondo-lhe a da Vida. Então descreva-ma. Esta, aqui no espaço que ocupamos por acaso.
Sorrio-lhe sabendo que não me vê o sorriso, e surpreendentemente devolve-mo.
Um sorriso franco.
Começo. Descrevo-lhe os garotos dos chapéus coloridos que ali à direita fazem uma corrida com as toalhas presas qual super-homem. O da toalha cor de laranja é o mais rápido, mas parece-me igualmente o mais velho. Vantagem. O senhor do chapéu-de-sol às florinhas, daqueles antigos que me lembram o da minha avó, sacode meticulosamente os calções de banho. É certamente daquelas pessoas que não admite um grão de areia no tapete do carro. Tão meticulosamente que está há mais e vinte minutos naquilo, credo. Rimo-nos. Há um casal que discute. Conseguimos ouvir alguns sons sem que se percebam as palavras. Ela de dedo no ar, qual professora em raspanete, ele a encolher os ombros a cada investida, como se já nada lhe interessasse. A avó de fato de banho preto atarefa-se em redor de um pequeno grupo de crianças. Estimo que sejam todos netos. Tantos? Pergunta-me. Acho que sim. São todos muito parecidos. Sandes e fruta saem ordenados da grande arca frigorífica azul e branca. Uma garrafa de água fresca roda por toda a criançada. Sentados, muito faladores provocam gargalhadas sonoras na avó cujas rugas se contraem.
Há um grupo de jovens que joga à bola na areia molhada, gritos estridentes a cada golo e paragem no ar a cada garota bonita que se atravessa no pedaço de areal que reclamaram. O meu vizinho dá uma gargalhada. Continue, pede-me. Lá ao fundo está um pai que quer à viva força que o rebento tome banho de mar. O menino esperneia e abana a cabeça sem querer avançar. Se o pai se colocasse do tamanho do filho e olhasse as ondas que rebentam em força na areia molhada, aposto que subiria a toda a pressa até ao chapéu.
Você é uma verdadeira contadora de histórias! Interrompe-me. Delicia! .. agradeço-lhe o elogio. Faço uma pausa para um banho. Obrigada, atira-me alto, ao fim de uns passos. De nada, respondo-lhe, bom regresso! De novo, o sorriso franco.
Sabia que já lá não estaria ao regressar do banho.
Agora sim volto a concentrar-me na Guerrilha, esmiuçada que está a que me rodeia.
Um dia de praia sozinha. Coisa rara ainda que confessamente apetecida.

14 May 2009

Não, S. Pedro, nós não vamos tentar de novo e outra vez ir à Feira do Livro este fim-de-semana .. nada disso.

Vamos mesmo é aproveitar a coincidência fabulosa de colocar um dia de férias junto com um final de semana ;)

Hasta lunes *

instruction # 2

Percebes lindamente quando és bem-vinda.
A sério.
O sorriso por detrás das letras, o ligeiro senso de humor, a piscadela de olho, ponto e virgula fecha parêntesis, não tem ciência.
Depois o tratamento por tu, ou não, a resposta pronta, a pergunta que pressupõe resposta. Percebes lindamente quando és bem-vinda. E quando frequentas um espaço em que todos são bem-vindos, bem tratados, com simpatia e chávena de chá por parte de quem recebe.
O mesmo se passa, numa fracção de segundo que leva a um ligeiro enrugar de testa, quando o contrário se verifica. Quando a secura de resposta não admite um “inicio de discussão” ou a sua ausência, no meio de outras tantas respostas aos demais interlocutores te dizem, em letras de néon garrafais e a piscar: sai daqui!

Percebes lindamente quando és bem vinda. E nesse caso, se a leitura interessa, o tema é agradável e a visualização da página se faz sem problemas, deves adicionar o destinatário da tua atenção aos favoritos e fazer dele leitura, sempre que possível.
Para os outros casos, aqueles em que percebes que pelas razões que conheces alguém tem o prazer em colocar-te de lado, aconselho a utilização da tecla BACK.
:)

13 May 2009

capacity .. ability .. whatever!

Man's capacity for justice makes democracy possible, but man's inclination to injustice makes democracy necessary
Karl Paul Reinhold Niebuhr (1892)

Um verdadeiro pau de dois bicos, como se diz na terra do meu Pai. Daqueles com que se conduzem as parelhas e que em criança passava a vida a enrolar trapo para que o caseiro não picasse as vacas. Cheguei a ouvir alguns sermões à conta disso. Mas não é de vacas, emparelhadas ou não, que fala o pensamento de Niebuhr, teólogo, protestante, defensor da teoria preconizada por Cicero de que resorting to war can only be under certain conditions .. as if, completaria.
E quem vela por quem vela que assim seja? Ou quem guarda o guardião? Velho e estafado tema de que todos dependemos de todos e de tudo. Mas .. ! cansativa eu hoje, mas (!) .. a apetência do homem para a justiça torna a democracia possível: gosto do pensamento. Até porque me considero justa ainda que nem sempre democrata. E se calhar porque algumas vezes, poucas(!) sou injusta. O que faz de mim o quê? Poupem-me a imagem da parelha, se fizerem o favor. Humana, diria. E é sempre um risco quando se tenta encaixar o humano em duas linhas que definam modos de agir, pensar, estar. Tal como também é igualmente um outro risco, não tabelar e sociologicamente encaixar géneros e posturas. Numa perspectiva absolutamente empírica e para futuras gerações conhecerem e quiçá aproveitarem. Democracy is necessary. Man’s ability to injustice. Está tudo lá, caramba, bastaria alguma revisão de matéria dada. Aprendida. Estafada. E esquecida.

12 May 2009

"I paint my own reality.
The only thing I know is that I paint because I need to, and I paint whatever passes through my head without any other consideration"

Frida Kahlo (1907-1954)

__
Porque lhe revi a vida .. ontem num filme que não me cansa. Nunca. :)

g' morning neighbour :)

A blogosfera é sem dúvida um bairro Patti. (Continuo encantada com a expressão, vê?) ;) e ao ler o seu post inicial sobre a origem, tenho novamente de lhe dar razão.
Um bairro. Com alguns cafés, supermercado simpático mas carote, só para aquelas faltas de última hora, a farmácia de serviço, as escolas, jornais variados, postos de informação e de lazer, sem nada a apontar ;) e avenidas largas e arborizadas, que a imaginação é fértil e podemos pincelar à vontade.
Poucos carros estacionados, passeios livres de rodados, e outros. Gente simpática, que nos acolhe de sorriso e nos abre a porta. Há locais que começamos a frequentar e em que nos sentimos absolutamente bem-vindos. É o caso da simpática que nos brinda com um bom-dia! de entusiasmo contagiante, querendo quase dizer já tardava, ou quem nos acena do outro lado da rua, desfiando-nos para um chá e dois dedos de conversa. Alguém que connosco partilha uma descoberta ou uma notícia já sabias que ..? E os artistas! Há em todas as localidades artistas que nos encantam. Espectáculos de rua, música, exposições de fotografia e livros, são os preferidos cá de casa. Se tudo vier polvilhado de algum humor, daquele genuíno, então é ouro.
Não somos exigentes, somos? ;)
Depois, como em todos os bairros, há sítios onde só entramos uma vez. Seja pela antipatia da menina ao balcão, seja porque o café é intragável, a carne não nos pareceu fresca, ou quem atende e convida fala demasiado e acha que tem sempre razão. Cansativo.
Sem dúvida que o relacionamento por aqui é de vizinhança pura.
Com tudo o que a expressão encerra e quer dizer. É por isso que se renovam os blogroll, se apagam uns para deixar entrar outros, como vizinhos que se mudam de camioneta parada à porta do prédio, deixamos de ler fulano para passar a ler beltrano sem saber muito bem, por vezes, como fomos lá parar. Como no bairro, onde a volta a pé no fim-de-semana nos leva a locais que, vivendo já ali há algum tempo, não sabíamos existir.
No meu caso não posso deixar de constatar que muitos dos que aqui permanecem foram os mesmos que me ajudaram, no dia da mudança, com a estante de livros que não queria, nem por nada, caber no elevador ;)
Obrigada :)

11 May 2009

i wish .. i miss .. i feel.

Saudades de locais onde nunca estive, diz Daniel Santos na caixa de comentários do Estado Sentido, e eu fico a matutar nesta frase.
Saudades de locais onde nunca estive, de pessoas que nunca conheci, de tempos que não vivi.
Saudades de desconhecidos que só não são amigos porque a vida não nos colocou ainda na mesma estrada sem sentido único.
Saudades de tempos que, porque não vivi, sei que ainda me esperam .. saudades de sentir o que não me canso de sentir, e de ver o que não me canso de ver e de perguntar e de explicar ou simplesmente de me calar e deixar a vida passar, enrolada numa manta, sentada num sofá .. saudades.
É possível sentir saudade do que ainda não se sabe? .. talvez. Sei que é possível senti-las o tempo todo de algo que se conheceu, nos fez bem, por vezes mal, e continuar seguindo um caminho na tentativa de encontrar, além de tudo novo, algo de antigo que nos faça sentir .. saudade.

Palavra tão nossa, intraduzível, acho até que só sentida nesta língua.
Neste luso coração. No fado de ser .. saudade.

Obrigada S. Pedro .. Muito Obrigada.

imagem da net

8 May 2009

books & books

(imagem da net)

No ano passado foi assim, recordam-se? :)
Teremos a sorte de repetir a experiência este ano?
Não sei. Sei que a lista de livros a comprar diminuiu :) elegemos dois cada uma e vamos em todo o lado procurar até os encontrarmos.

Depois? Bom, depois há os outros que nos chamam, sussurram ou piscam o olho, agitam-se na banca à nossa passagem ou acenam disfarçadamente captando a atenção entre um raio de sol e o papel brilhante de um gelado apetecido; como defendia Locke "nihil est intellectus quod prius non fuerit in sensu" deiamos uso aos sentidos então ;)

.. nada que a relva convidativa, o gelado de baunilha e este vento que não despenteia cabelos não sirva para acalmar a sofreguidão das primeiras leituras ;)

Depois conto .. * Bom fim-de-semana

7 May 2009

7 de Maio de 1933

A Beira é solidez, mulher vergada no campo,
homem fora o dia todo, atrás de rebanho.
Menina no rio lavada, trouxa de roupa à cabeça,
pé descalço no mato, arranhadela.
A Beira é terra bravia pintalgada de giesta
passeio de fim de dia,
cheiro a pinha e eucalipto.
Amora doce, silva que arranha os braços queimados do Sol.
Azeite dourado em lagar, vinho pisado em canção
calça arregaçada, trabalho árduo em brincadeira aliviado.
A Beira é a ovelha tresmalhada, preocupação de pastor, cão leal em palhota de céu de estrelas,
penhasco, vereda, caminho de cabra.
É calor abrasador, frio de neve que greta a pele, samarra de pele curtida, contra a intempérie.
A Beira é seara madura, dourada do vento e terra em verde milho semeada.
Horta pequena, alface, couve e batata
Casinhoto de pedra, lareira acesa e queijo acabado de coalhar
.. ordenha, leite quente e saboroso, cheio de nata a boiar.

A Beira é recordação de infância, momentos partilhados, alguns sofridos, alguns zangados.
Mas hoje, neste dia, a Beira é tua, Pai.


(texto editado em 07 de Maio de 2008 e por todos os outros que hão-de vir, enquanto eu puder recordar. Parabéns Pai, estou certa que estejas onde estiveres .. sorrirás.)

6 May 2009

quem escuta de si ouve (*)

provérbio português

Que cusquice cusca e cuca anda no canto da casa?
Entra uma, entra outro, até parece combinado!
Cuscam que cuscam e rebuscam, catam, colhem e espiolham.
Coisas e loisas sem burilo de quem, cabeça oca ou cava, cata, cata qual galinha no pó da terra cocorocó!
Que procuram? Ninguém sabe.
Acaso um tesouro enterrado?, acaso brilhantes de tempos idos?, acaso palavras ao vento, acaso .. nada. Certamente, nada!

Cuscam que cuscam e rebuscam, catam, colhem e esmiuçam.
.. canseira!

half the battle

Estudam-se os adjectivos em Inglês. E os graus dos adjectivos. Chega-se rapidamente à conclusão que a gramática inglesa é muito mais simples que a nossa. Tal como a língua.
Na disciplina de Português perdemo-nos na conjugação pronominal e as locuções conjuntivas .. eu juro que tinha uma mnemónica para me lembrar desta coisa .. Dividem-se e subordinam-se orações e identificam-se todos os complementos. Gosta disto, ela. Felizmente.
Em História, estamos em pleno 25 de Abril mas há que saber quem foi o último Presidente da última Republica, a importância de Gomes da Costa, o que era a Ditadura Militar, como acabou e deu lugar à outra.
Que não era militar.
Mas militarizada.
Hein? pergunta-me a garota.
Nada, nada .. sorrio.
Salazar conseguiu equilibrar as finanças do país. Explica como. Explicou. E acrescentou o mote pessoal que à custa do que ele fez o povo ficou pior. Menos investimento em saúde e em educação, mais impostos. Salários sem aumentos. E o povo não se queixava mummy? Não podia, querida. Arca o sobrolho numa interrogação de quem não entende aquele podia. E continua a ler. As músicas proibidas na rádio. Os livros censurados. As publicações destruídas. Redacções de jornais invadidas, fechadas. A PVDE que deu origem à PIDE. E os presos. E as torturas. E tudo.
Noto na minha filha de 11 anos um sentido crítico, próprio desta nova e atenta geração. O próprio acesso a tanta informação assim o permite. E a forma como com eles falamos, idem, idem. Escreve e vai decorando nomes e cronologias mas opina. Opina ameaçadoramente à paz familiar num final de dia que se supunha calmo. Oiço-a, e percebo-lhe muito bem a fúria. E de novo aquelas interrogações para as quais ninguém tem resposta .. :) como foi possível? Como de tanto horrível ser foi possível perpetuar. Durante 40 anos mummy? Mummy, sabes o que são 40 anos?!
Depois vieram os Militares. De novo Mummy já reparaste que são sempre os Militares a intervir? .. pano para mangas compridas que corto a talho de foice ou não saímos do tema. Repuseram a Democracia. Espetaram cravos vermelhos nas carabinas e o povo gritava nas ruas “o povo está com o MFA” .. eras pequena mas lembras-te disto, Mummy? (gostei do "eras pequena", confesso) O General Spínola, a Junta de Salvação Nacional, o Governo Provisório .. parece coisa de guerra não parece, mum? Mas ele tinha um ar simpático, olha a fotografia.
E depois Mum, passou a correr tudo bem? Até agora, à crise, não é?

Onde é que começa e onde é que acaba o que de tanto ensinarmos, escrevermos e decorarmos nos esquecemos de por em prática?

5 May 2009

learning

aqui.
sempre a aprender .. ainda que sempre seja, por norma, demasiado tempo ;)

why? i might ask ..

Já lhe aconteceu olhar uma determinada frase, uma expressão, um arrumar de letras muito próprio e identificá-los?
Claro que sim. E não, não porque pertença a obra lida ou estudada, não porque faça parte dos manuais e compêndios que já nos passaram pela mão ao longo da vida, e nem tão pouco por estar assinada por algum nome sonante da literatura, da física ou da botânica.
Simplesmente porque é nossa, não é?
E até nos conseguimos lembrar, na maioria das vezes, onde foi que as dissemos, em que contexto, com que carga ou mensagem e se a memória (substantivo abstracto feminino singular) não nos falhar até vislumbramos o interlocutor da altura.
Assim.
Exactamente assim.
Sem ciência. Sem arte. E sem aspas.
Infelizmente.

4 May 2009

diary (i)

Acordar cedo que há estudo para por em dia. Quatro testes esta semana mais provas de aferição e outras, tantas quantas as disciplinas, globais e até 19 de Junho. Fácil.
As compras da semana no mercado levam-nos horas. Apuramos, cheiramos, tocamos, pesamos. Falamos com a Dª Ester que tem as melhores batatas para cozer de toda a localidade, plantadas com cuidados e esmeros na parte de trás do quintal. Levamos ramos de manjericão, salsa e hortelã que exalam um perfume delicioso a espreitar do saco marron onde tudo acomodamos.
Os ovos da vizinha Manuela, cujas galinhas passeiam altivas e de crista levantada, seguras do excelente trabalho que executam: quase todos os ovos são de gema dupla. Os meus favoritos.
As alfaces secas de humidades e viçosas, de grandes folhas verde-claro, que se adivinham tenras esperam a vez de entrar no saco depois da fruta; morangos pequenos e doces de textura rosada e dura. A Dª Etelvina lava meia dúzia na água corrente e oferece-nos uma mão cheia piscando o olho à princesa que não te tire o apetite para o almoço ou tenho de me haver com a tua mãe fazendo-me rir e pedir um quilo. São deliciosos.
Chegadas a casa, compras arrumadas, a princesa dedica-se a exercícios de matemática: média, moda, estatística, áreas de triângulos, quadrados, paralelogramos. Fala alto enquanto resolve, apaga, verifica. Da cozinha, em preparação do almoço, as janelas abertas que deixam entrar um verdadeiro sabor a Verão antecipado, sorrio, enquanto descasco, tempero, preparo. Acabei! Grita-me passado uma hora.
Almoçamos.
A tarde é para festa de aniversário. Uma das melhores amigas, uma ida ao cinema, com direito a jantar e pijama party. O estojo das pinturas ;) é minuciosamente observado, vernizes, batons, sombras, elásticos e cremes e uma profusão de algodões de todos os tamanhos. Sem esforço, imagino-as em apurada e saturada dedicação, entre risos e gozos, tenham cuidado com as roupas. Nada de se pintarem em cima da cama da Joana! aviso-a, lembrando-me da desgraça em que ficou a minha colcha numa intervenção em tudo semelhante. Sim mummy .. ;)
Regresso a casa. Arrumo, limpo e preparo comida para a semana. Gosto de, com tempo, preparar e congelar refeições que me salvam a vida nos horários complicados. A tábua de passar a ferro pisca-me o olho vestida de capa nova, azul forte, e o ar de verão continua lá fora a convidar-me à saída.
Opto. Não pelo mais útil. Talvez nem pelo mais necessário.
1º de Maio. Feriado. Dia do Trabalhador. Dia de quem?
;)