20 May 2009

intimism (xliv)

Saímos do volteio, diz-me a instrutora contente com os progressos da pequena amazona ao fim de doze aulas. De silão havíamos passado a sela, e depois a rédeas, e ainda a todo um conjunto de actividades que se prendem com a colocação dos arreios, a limpeza dos cascos, o escovar, limpar, lavar e toda a brincadeira que caracteriza as nossas manhã de Domingo. Explica-me o passo seguinte com artes de professora apaixonada pela actividade. Que a princesa tem um equilíbrio e um à-vontade com os bichos que ultrapassa o normal.
A garota, contente e orgulhosa conversa baixinho, desta vez com a Luna, uma garbosa égua de pelo castanho-escuro e crina apertada em pequenas tranças que lhe dão um dar deveras feminino comentei para risota geral. Vem a dona do picadeiro assistir à aula. Brinca comigo a propósito de me roubar a filha aos fins-de-semana se confirmar o que tanto ela como a instrutora intuíram há muito.
Nesta altura a minha filha responde à Luna não linda, só no final da aula, pode ser? encafuando a cenoura apetitosa no bolso do colete, ao que a bicha, e eu havia bebido café simples portanto .. acenando o grande focinho em marradinhas nas costas dela, parece anuir.
Estou prestes a fugir, quando sou agarrada por um braço dono de uma voz que me diz: ora vamos lá a ver como é que ela se sai sozinha no trote levantado.
O trote levantado é um exercício de puro equilíbrio. Os pés enfiados nos estribos, biqueira da bota à frente calcanhar alçado, perna colada à barriga da montada O cavalo a trote. Os braços atrás das costas, mão direita no cotovelo esquerdo e todo o equilíbrio do cavaleiro está na força que faz no abdómen e nas pernas. raramente se levantam na primeira aula sem a rédea do instrutor continua a voz ao meu lado, e o braço dado no meu têm medo, mas ela não só não tem medo algum como parece que nasceu numa baia, desculpe a imagem!
Eu desculpo, eu desculpo. Esteja à vontade que eu desculpo. Afinal quantas foram as vezes que dormi numa? ..tantas.