30 Jun 2009

readings (xx)

Diary of a man of fifty
Henry James encontra a sua própria versão com 25 anos de idade. Os mesmos ideais, a mesma paixão, o mesmo temor.
Contudo, a diferença centra-se na coragem.
Coragem de decidir, de avançar, de arriscar. What if? É a questão que pauta este pequeno livro, leitura de praia que me levou algumas horas distribuídas por dois dias. What if? É a questão em que tantos se centram sem conseguirem avançar, deixar para trás o que tem de ser deixado, ou at least decidir o que tem de ser deixado.
Livro brilhantemente escrito, na mestria deste grande escritor inglês, cuja leitura me deixou um travo na boca na tentativa de equacionar todos os meus if .. todos os meus what.
As escolhas e as decisões. O que deixei, do que prescindi, do que desisti. What if? .. logo eu que detesto os “ses” do nosso descontentamento. As if..!

silly season (i)


Gosto da série Criminal Minds.
Mesmo. É talvez a única que gravo e sigo sem perder um episódio.
A princesa lá de casa também gosta. Mas prefere o encantamento das Charmed Ones ;) confesso que entre episódios diários de uma e ocasionalmente um horário seguido na segunda, o menu de gravações da MEO está a abarrotar de feitiços, crimes, investigações e demónios.
Assim mesmo, à vez.
E confesso que é, acima de tudo, Spencer Reid e as suas brilhantes conjecturas que me prende ao ecrã. Claro que o instinto maternal também tem algo a ver com o assunto. O garoto parece estar constantemente a precisar de colo. E depois é inteligente. Muito inteligente. Demasiado inteligente para a estupidez ambulante que por vezes nos rodeia. Uma lufada de ar fresco? também. E quem me conhece de perto sabe que me atrai mais uma "mente brilhante" do que um corpo musculado a atirar para a publicidade ao perfume X, sem pêlos, e tal .. coisa ridícula. Como se os homens se fizessem homens .. sem pêlos. Ou a rapá-los.
Adiante.
Gosto mesmo do Criminal Minds.
Do companheirismo da equipe do BAU, da acutilância dos raciocínios, da forma como chegam a perfis, modus, e afins. E consigo perceber que por causa disso haja uma corrida à disciplina de criminologia. É encantadora a forma como, na maioria das vezes, trabalham, resolvem e ficam felizes por isso. Quase gratos.
Encantadora e simples. Afinal resolver crimes não é o seu trabalho.

29 Jun 2009

instruction # 7

;)

aproveitem bem, e quando escrevo bem quero dizer mais que bem todos os momentos que vos deliciam, vos encantam, vos apaixonam .. porque, (claro que há uma razão, oras .. ) ;) porque .. eles acabam. Depressa. Muito depressa, diria.

Mãe e filha de regresso * bronzeadas, descansadas, ou melhor cansadas de outros cansaços .. para aguentar estoicas mais um mês antes das férias grandes!

ao mesmo tempo .. is good to be back*

19 Jun 2009


Mãe e filha vão a banhos. E merecemos, merecemos tanto ..! Merecemos mesmo!
;) até breve Amigos Meus*

readings (xix)

Recuperei leituras que me são muito, mas mesmo muito gratas :) Tiago Sousa Garcia mudou-se de malas e bagagens e brinda-nos não com uma página cheia de coisas ricas mas duas .. Gostei especialmente do in acabado - não o somos todos? E a concretização que se pretende que seja o mais tarde possível .. bem tarde, muito tarde!

A acompanhar com a merecida atenção *

18 Jun 2009

limites? que são limites? :)

Os únicos limites das nossas realizações de amanhã são as nossas dúvidas e hesitações de hoje, afirmava Roosevelt do alto da sua sapiência.

E eu mais não faço que acreditar piamente nele.
A sério. E até sou defensora da filosofia de culinária que advoga quem não arrisca não petisca. Portanto, farto-me de empreender, colocar os bichinhos matreiros que me segredam aos neurónios todos os perigos e riscos, dentro da gaveta da mesa de cabeceira, calçar as botas de montanha ou o sapato de salto de agulha, e abarcar as oportunidades, futuras realizações, com algumas dúvidas sim mas sem grandes hesitações tal a forma como me entusiasmo, me dou, dinamizo e concretizo.

instruction # 6

O que ela ainda não sabia é que quando se maltratam os seres que nos tratam bem, mais cedo ou mais tarde, por vezes mais cedo que tarde, a lei do retorno, essa justiça indelével dos seres antigos, pautada por flautas que tocam harmoniosamente em céus que não vemos, regressa, em força, e raramente, muito raramente teremos alguma vez a capacidade ou será a oportunidade? de lhe escapar.
É quase terrível a lei do retorno.
De tal forma justa que pode parecer injusta.
Porque é pequena a memória dos homens.

17 Jun 2009

instruction # 5

Nenhum homem merece uma confiança ilimitada
- na melhor das hipóteses, a sua traição espera uma tentação suficiente

Henry Louis Mencken

16 Jun 2009

A amizade é uma alma com dois corpos *

A menina é aqui a cronista não é? Pergunta-me a senhora idosa sentada ao meu lado no eléctrico que atravessa Lisboa em direcção a Algés. É, não é? Insiste enquanto lhe sorrio e reparo no jornal que tem ao colo. Uma fotografia que não me faz justiça e as minhas letras assim impressas em papel de cor indefinida com um ar levemente old fashion, o meu sorriso, as minhas letras, eu. Sou sim senhora respondo-lhe mantendo o sorriso ao que me entrega uma caneta e me pede mais baixinho: e dedica-me esta, por favor? .. Dou nova miradela ao jornal, que a senhora alisa de repente algo envergonhada, relembro a crónica, a história, a dor e a ponta de esperança que lanço no final não porque seja verdade, mas porque é preciso. É que .. começa corando ao de leve, rugas profundas agora ligeiramente cor de rosa e uns olhinhos pequenos por detrás das lentes riscadas a humedecer devagar. Toco-lhe na mão, que me aperta, e pego no jornal, escrevendo: a uma amiga que ainda não conheço, assinado o meu nome legível, sem os habituais gatafunhos. Continua a apertar-me a mão e repete baixinho: a uma amiga .. a uma amiga.
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* Aristóteles em Ética a Nicómaco

9 Jun 2009

Aldeia da Minha Vida


Parte do todo em que recentemente me vi envolvida passa também por esta singela participação na blogagem colectiva Aldeias da Minha Vida, um projecto aliciante que tocou aqui no amor a parte das minhas raízes, com um prémio delicioso (acreditem, conheço bem) ;) e o natural enriquecimento que passa por partilhas de memórias e vidas de quem tem a sorte de ter .. uma Aldeia :)

A partir de amanhã e até 28 de Junho, os textos de todos os participantes estarão publicados e sujeitos a votação (através de comentário deixado no respectivo texto). Enviei este, já Vosso conhecido.
Ide .. e votai * ou ide sem votar, mas não deixeis de ir. (gosto desta conjugação, confesso)

Jules Renard afirmou um dia entre tantas outras afirmações, Os projectos são os rascunhos do futuro, uma frase simples que pressupõe algum trabalho, muito empenho e um credo daqui .. até ao infinito. Projectos. Futuro. Simples, não? :)

Neurónios focados de novo.
Até já *
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(Fotografia gentilmente cedida por Pedro Pais)

As vindimas na Beira eram uma aventura como poucas, grandes cestas de vime que ainda hoje sei entrançar, verdes ou negras do sumo da uva colhida, eram colocadas nos carreiros das videiras para que as mulheres, de lenço negro à cabeça e canto cristalino na voz, cumprissem um trabalho que de pesado se fazia leve. Nós, os garotos da cidade misturados sem diferenças com os garotos da terra, amigos até aos dias de hoje, percorríamos as veredas em equilíbrio tentando ganhar a corrida do cacho mais gordo ou da uva mais doce. Acreditávamos que ajudávamos à lide, sei hoje que atrapalhávamos mais que qualquer outra coisa, ainda escuto as gargalhadas do mulherio trabalhador quando ostentávamos um ar orgulhoso por termos conseguido arrastar um cesto cheio até ao reboque do tractor que subiria até ao lagar. O lagar, com um cheiro adocicado e enjoativo, fazia as delícias da pequenada, aguardávamos na chamada fila indiana que nos deixassem rodar a manivela responsável pela primeira espremidela às uvas que eram atiradas dentro. Manivela responsável por uma ferida feia no nariz quando achei que conseguia, ainda de pouca altura, acompanhar-lhe o impulso. Ao fim do dia homens, mulheres e crianças de calças arregaçadas, abraçados e cantando os cantares da terra, pisavam a uva, sem parar. As unhas vermelhas e as pernas salpicadas de vinho. Gargalhadas noite dentro por cada desistência, nós, os pequenos, os primeiros a desistir, cansados do sono e dos vapores nauseados.
Era um outro Setembro. Feito de pão casqueiro e fatia de queijo de cabra com casca, feito de figos e dióspiros em quantidades abissais, da apanha da castanha e da seara dourada e colhida, a aguardar na eira o descasque da espiga. Feito de levantares madrugadores ao relinchar da minha égua, a Estrela, que me acordava cedo na certeza do passeio. Era um Setembro de camisola já vestida por essa altura, calça curta e pé descalço, para apreensão da Mãe que nos inspeccionava no banho à procura da carracita do campo ou de algum lanho feio e a precisar de desinfectante.
Era o juntar da lenha que aqueceria o cacau escuro e a água do banho quando regressássemos todos em Dezembro, toros enormes que crepitariam no lar franco e bem estruturado de uma lareira que era o orgulho do Pai. “Nem uma réstia de fumo dentro de casa! Aprendam, meninos, aprendam!”
Setembro, que não queríamos acabasse, mesmo desejosos que pudéssemos estar na viagem de regresso à cidade para voltar à escola, aos amigos, ao “que fizeste nas férias?” certos de tanta aventura para contar. De outra tanta para ouvir.

Era o meu Setembro, há anos largos, quando ainda criança, quando ainda adolescente.
O meu Setembro em Monsanto, aldeia tão portuguesa, Aldeia mais Portuguesa.

8 Jun 2009

dever .. direito .. dever.

63% de abstenção é como diz o Helder Robalo e muito bem, muito.
Imenso.
Excessivo.
Não consigo entender esta mentalidade e até nem preciso de voltar a fazer alarde às costelas pois não? vão-me dizer que vocês entendem?
.. não consigo entender como oiço por todo o lado queixas, acusações, pedidos de mudança, maldições e tristezas, lágrimas e até desesperos, que todos sabemos que as lágrimas são por vezes fáceis e não querem, na prática, dizer rigorosamente nada.

Oiço, concordo, perspectivo a mudança, acredito nela, e tenho na minha mão o instrumento que tal me permite: o meu voto. Somos poucos a pensar assim ou a praia estava de facto irresistível no Domingo?

Are you sure, he asked.
Positive!

(anyway .. you’d better walk the walking that talk the talking*)

:)


another british saying

5 Jun 2009

1 Jun 2009

Future .. continuous

Projectos. Projectos. Vivo de projectos, eu, e de planos, e de concretizações, ou não.
De me entusiasmar e vibrar com algo novo, de tudo tentar para que dê resultados, para que haja resultados, de viver intensamente um novo desafio. De equacionar a melhor forma para, o melhor meio de, de analisar rentabilidades que não passam por euros, e realizações que me fazem bater mais forte o coração.
Projectos. Que seria da minha vida sem todos aqueles a que já me propus, todos os que já concretizei, e mesmo aqueles que ficaram pelo caminho mas que me deram, na altura, um gozo extremo, cansaço, lágrimas e sorrisos?
Agora apareceram não um mas dois.
Escrita e voz. Voz e escrita.
E eu de sorriso tolo arrumo-os, ou tento, peso-os, ou tento, e na altura de uma resposta digo obviamente: Sim. Sim, claro. Contem comigo. Certamente, com certeza.
O Once arrepia-se e pergunta-me de chofre e eu? E eu? O tempo, esse bem inestimável que julgamos na nossa ingenuidade possuir e controlar, é um ser inflexível. É mesmo. E passa, roda e gira, indiferente à nossa vontade. Não tem rédea nem guia que nos permita abrandar, parar, e começar de novo.
Começos de novo? Aí está algo em que não acredito mesmo. Mas isso é outro postal. Se tempo houver.

Acalmo o meu diário afirmando-lhe convincente que é temporário. Temporária a fase em que tenho de tudo encaixar. A actividade profissional, a vida, a lúdica, e estas duas que agora aparecem, surpresas matreiras de sorriso trocista num toc toc está alguém em casa?
A princesa vibra e apoia, orgulhosa, a senhora sua mãe. A mãe encanta-se e arrisca.
Que seria de mim sem os meus projectos? Os que procuro e os que me encontram?

:) até breve *