31 Jul 2009

É grande miséria não ter bastante inteligência para falar bem, nem bastante juízo para se calar. Eis o princípio de toda a impertinência. Dizer de uma coisa, modestamente, que é boa ou que é má, e as razões por que assim é, requer bom senso e expressão; é um problema.
É mais cómodo pronunciar, em tom decisivo, não importa se prova aquilo que afirma, que ela é execrável ou que é miraculosa.”
Jean de La Bruyére, in "Os Caracteres"

Inteligência e Juízo? Culpada!

Tenham um fim-de-semana as blissful ;) as I know mine will be *
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30 Jul 2009

silly season (ii)

pede-se ao visitante 9000, que acabou de bater com a porta, o favor de retroceder à recepção. Além de um puxão de orelhas ;) há um prémio pelo número redondo, à sua espera.
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Once a Lady .. always a Lady.
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Convite?
Assobiando, cantando e rindo? Fácil isto.
Confortável.
Passamos a pertencer ao núcleo, aos que pensam igual, aos que não levantam ondas, aos que não argumentam mesmo sem concordar, aos que nem sequer chegam a ter de concordar ou não, dado que não é essa a escolha que lhe colocam habilmente no caminho, com dissimuladas setas de néon a apontar para onde ir. Rebanhos. Sempre gostei de rebanhos ou não tivesse passado as minhas férias, ao longo de anos, no campo. Mas rebanhos são normalmente grupos que não pensam porque não precisam. Há alguém que os guia, que assobia, que empurra, que magoa. Há ainda e quase sempre um cão de dentes aguçados para morder traseiros que aparentem resquícios de vontade própria. Vivem assim e vivem felizes. Não ter de tomar decisões e dar uso ao miolos por ser uma benesse.
-
Ou estás comigo ou estás contra mim – é outra das grandes máximas do mundo actual.
E formam-se barreiras, filam-se armas aguçadas e prontas a picar, e quando nada há a argumentar parte-se para o insulto pessoal.
Desce-se ao nível da mão na anca e pé no chinelo.
Legítimo quando razoável.
Ridiculo quando se percebe que não há outra saída. Nem poderia haver.
_
O mundo é um quintal (chavão mais que explorado) dizia hoje, em conversa com uma amiga, a propósito de uma série de coincidências engraçadas.
Com muitas árvores de fruto e algumas ervas daninhas, respondeu-me, fazendo-me sorrir.
É tal e qual.
E aquilo que me fez escrever hoje nem justifica a despesa em insecticida, jardineiro ou qualquer outra medida comunmente adoptada nestes casos.
Uma pisadela, e consequente arrancar de raiz será suficiente.
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.. porque o cansaço mental não pode nem deve servir de desculpa para tudo.

29 Jul 2009

"Festas" nas Aldeias

Na Aldeia da Minha Vida, a Susana continua a desdobrar-se em iniciativas * O objectivo é mesmo não deixar morrer o meio rural em quem há muito vive no urbano ;) e o sucesso é o que se vê.

Deixo-Vos a dica das próximas “festas” e a certeza de que vale a pena acompanhar.

(...)
De 10 a 30/31 de cada mês, a Aldeia da minha vida organiza uma Blogagem Colectiva, com temas ligados às nossas terras:
- Julho: "Férias na minha terra" (a decorrer)
- Agosto: "Festas e Tradições"
- Set: "Vindimas e vinhos"
- Out.: "Na minha terra come-se bem"
- Nov: "O meu Magusto"
- Dez: "O Natal na minha terra"
Como participar: até dia 8 de cada mês, envie o seu texto, com máx. 25 linhas e 1 fotografia original, para aminhaldeia@sapo.pt
(...)
e é simples, afinal :)

28 Jul 2009

politics or political?


Apareceu primeiro o SimpleX. Prendi-o ali ao canto e à rubrica chamei Elucidatory – porque prometeram num dos primeiros postais publicados que não defendiam com unhas e dentes o indefensável, confessando-se, também eles, algo cansados e desiludidos com o rumo. Gostei. E fiquei na expectativa.

Ao voto que herdei de meu Pai no Socialismo, política na qual fui educada em privado, dado que ninguém da família teve algum dia projecção política pública, aliada às raízes na monarquia, tendência acarinhada por outros que nunca deixaram, por tal, de ser da família, e a mais ou menos confusão de sentires e de acreditares – as discussões sobre: política, saúde e trabalho, foram erradicadas, há anos, das tertúlias familiares! Nem me perguntem do que falamos. Há alturas em que as conversas são, no mínimo, irreproduzíveis.
Mas escrevia eu que ao voto herdado de Meu Pai no Socialismo, tenho-lhe juntado cada vez mais dúvidas, certezas, convicções e mágoas de quem, não entendendo muito do assunto, como o prova o texto naif que por aqui vou digitando, ainda assim gosta pouco de deixar o seu “destino” no que aos governantes diz respeito por mãos alheias e exerce, consciente mas talvez não muito convencida, o seu dever de voto.
Sim, no meu entender é dever de voto e não direito. Talvez por já nasci com ele e os direitos têm de ser conquistados. Este, alguém conquistou por mim. Para mim.
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Apareceu rapidamente o Jamais e curiosa fui acompanhando, pedindo intimamente que não se jorrassem os facilitismos de trocas de galhardetes, agressões pessoais e maledicência de retirar audiência, como vejo os políticos, os outros, fazer na televisão. Alguém diz que algo está mal e o Governo responde que em outros tempos também estava, apontando exemplos, datas, número e estatísticas, nomes e apelidos, ficando o espectador cheio de informação que não serve para nada e faltando-lhe aquela essencial que gostaria de ouvir: se está mal que fazer para voltar a estar bem? Podemos participar nisso? É simples. Respostas concretas a questões básicas. Mas neste País o exercício da moda é responder a perguntas com mais perguntas. Chama-se a técnica do “novelo” na gíria da comunicação. Conheço-a.

Aconteceu mais depressa que supus. Os do lado do muro à direita dizem mata e os da esquerda, perfilam, agarram a fruta podre, fazem pontaria e atiram. Os do lado do muro à esquerda respondem e os do muro da direita, sujos e peganhentos, sem tempo para o merecido duche, replicam.
Linkam-se uns aos outros em tracinhos azuis ou laranja que confundem os leitores, de repente estou a ler aqui se o dedo me escapa para o link lá vou eu parar sei lá onde e leio uma outra coisa, igualmente bem escrita, mas em sentido contrário. Chamam-se pelos nomes como se estivessem à mesa do café em acesa cavaqueira e se tocamos, ainda que ao de leve, no nome do citado, aparece-nos a página onde escreve e o que escreve, que por vezes, nem nada tem a ver com o que estávamos a ler, mas não deixa de ser interessante. Todas as pessoas têm mais que uma faceta, já dizia alguém.

Eu, simples e mortal eleitora, incauta q.b., sem grande paciência e tempo, que procurava algo mais informativo esclarecedor e ao fim e ao cabo, porque não admiti-lo, esperançoso também, que para me dizerem que isto está péssimo e que o Primeiro Ministro é isto e aquilo eu não preciso de ter um computador, para ler agressões e insultos encapotados, levantares de véu como quem não quer, ai desculpe, foi sem intenção, também não e que em equilíbrio tenho airosa sido poupada ao que vejo voar em todas as direcções, farto-me.

E as minhas perguntas continuam sem resposta.
E concentro-me na herança de Meu Pai.
Um voto no socialismo porque, começava ele a conversa quando cada um de nós atingiu a maioridade.
Se ele visse hoje o que fizeram com o seu Socialismo ..

27 Jul 2009

Depois havia um rio.
E pequenas canoas.
As grandes lajes têm de ser contornadas com perícia e equilíbrio e ainda há a corrente, não perigosa mas persistente que nos puxa para onde quer.
Confias?
A pergunta teria de ser respondida em tempo recorde. Os coletes estavam vestidos, luvas calçadas, as crianças na margem a gritar cada qual pelos seus progenitores. Confias? Repetiste, e sentida, quase emocionada, equacionei a palavra.
Se confio? tantas que foram as vezes que confiei por achar que são todos como eu. Confiáveis. Algumas, dolorosas, aquelas em que cheguei à conclusão que há gente (inha) que não merece sequer a conjugação do verbo no condicional.

Confias? E a palavra ecoa na gritaria da manhã de sol, nos cabelos que brilham, nas faces coradas, bate na água que reflecte um céu sem mácula, respinga e pinga no remo largo, seguro e entra-me olhos adentro.

Olhos que levantei, mirando-te.
Tu sorriste, entendendo.
E partimos.

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A aventura? You should try it! ;)

24 Jul 2009

studying (ii)

.. estive ontem a ajudar uma amiga a fazer parte de um trabalho (chato) para uma disciplina (aborrecida) sobre o tema vida em sociedade, honra, injúria e difamação.
Sério.
A coisa parece meio desactualizada numa altura em que a palavra honra foi para alguns (demasiados) despida de conteúdo, mas o facto é que (quote) crimes contra a honra, provados por propositada difamação do sujeito, são passíveis de punição (unquote) bla, bla, bla - a minha sobejamente conhecida incapacidade de resumo bate em linha directa com a dificuldade de concentração em termos jurídicos e judiciais ;)

Chamou-me a atenção este parágrafo.
Serviu para que avaliasse o facto de que o desconhecimento da lei não pactua com o seu desrespeito. Nem o desculpa.
E propus-me descobrir até que ponto a aplicação prática está em linha com a teoria escrita no "enorme" ;) Código Penal que tivemos de folhear. Se chegar a algum resultado contem com actualização :) mas não hoje, claro, que estou de partida para um fim-de-semana no campo, (mais que merecido nada de franzir sobrolhos) e estas coisas primam pela morosidade do sistema!

Que o vosso seja excelente .. *
Rudeness is the weak man's imitation of strength
Eric Hoffer

23 Jul 2009

Rage, rage against the dying of the light.

Dylan Thomas (1914)


.. nem todos.
há quem prefira o escuro.
é da forma que se passa despercebido, pardo, sem sombra.

checkmate

.. even chess masters might be killed by the chessboard
How?
As they just forget the reality.
You’re 11 for God Sake! What’s your reality?
.. I need to save them all.


O diálogo pertence ao filme Entrusted que Portugal traduziu para Códigos Secretos, título que por si só não me levaria a vê-lo. A criança de 11 anos (Thomas Sangster) é dotada de uma memória prodigiosa, muita imaginação e uma maturidade exagerada. Um exímio jogador de xadrez, filho de Maria Von Gall, uma mulher com uma inteligência acima de qualquer média que ludibriando a intensa vigilância Nazi (estou a ser simpática, eu sei) e gerindo uma pequena (grande) fortuna depositada num Banco em Genebra, ajuda milhares de judeus a tentar fugir àquilo que foi, sobejamente conhecido, um verdadeiro inferno que o mundo autorizou que uma só nação perpetuasse (esta interpretação é minha e também aqui estou a ser simpática).
Maria morre numa emboscada ao salvar o filho das mãos dos nazis, o pai da criança sabe da sua existência dias antes, a fuga até à Suíça, a forma como os códigos das contas foram decorados pelo miúdo, as barbaridades cometidas por pessoas de uniformes e cruzes suásticas ao peito ..
..não me vou alongar no enredo. Nem no final para o caso de o quererem ver (o filme é de 2003), até porque o que me interessa com este postal é mesmo o diálogo que reproduzi ao inicio.

I need to save them all.

Para que o mundo não esqueça, não reproduza, não desdramatize, não invente.

22 Jul 2009

When there is no enemy within, the enemies outside cannot hurt you
african proverb

..

intimism (xlvi)

Havia ainda uns peluches antigos e novos em cima da cama que deram lugar a duas almofadas a condizer com a colcha laranja e o tapete azul forte.
O cortinado que tapava a grande janela de onde se vislumbram árvores carregadas de folhas verde-claro, onde a passarada pernoita acordando-a no chilreio às 6 da madrugada, foi substituído por uma sede fina, algo eclética, de forro opaco, estilizada.
Na prateleira das colecções de livros (a estante é para os outros), as gémeas no colégio de Santa Clara deram lugar à Casa do Vento, os livros grossos e pesados da Disney foram arrumados numa caixa e molduras com fotografias dos primos, do irmão, das amigas e da égua, a Garrana, tiveram direito a lugar de destaque - Assim mesmo, nesta ordem.
Os posters da Hannah Montana, disfarçadamente colados na parte interior das portas do roupeiro, foram retirados e em seu lugar um grande poster de cavalos selvagens ocupa uma e .. os Jonas’ Brothers e a Kate Perry partilham a outra. Engraçados os miúdos.
Os ténis só se usam quando há actividade que o justifique, chinelos com missangas e as fly de salto de cunha ocupam as preferências, acompanhados de calções de ganga, t-shirts justas, cabelo apanhado em ponytail ou em trança e um ligeiro gloss sem cor. Gloss? Isso é gloss princesa? E fica-me bem mummy? .. fica. Fica lindamente menina crescida (suspiro).
As mochilas andam num só ombro, os óculos escuros deixaram de ficar em casa, há uma preocupação diferente no ar e uns iogurtes sem pedaços no frigorífico que isso é comida de quando eu era pequena, mummy.

Alguém me explica o que se está a passar?
(Escusam .. é retórica mesmo) ;)

21 Jul 2009

interpretações (iv)

Woman Reading - Henry Matisse - 1894
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De costas. Sossegada, finge ler. Atenta, contudo, aos ruídos que a cercam.
A Isidora, peixeira na rua que apregoa, como ela gostaria de ter sido uma delas! Sempre livre, rua fora, pé descalço, canastra à cabeça e pregão na voz. O Marcelino carpinteiro que enche o ar quente da manhã com batidas nos pedaços toscos de madeira que em breve serão mesas, cadeiras, colheres de pau e enxadas. Sim enxadas que ainda há quem, nas traseiras dos pequenos prédios colados que quase não respiram, tenha a sua horta de alfaces vivas e tomates vermelhos. Ela bem os ouve em outro pregão nas vendas ao sábado de manhã na esquina que dá para o rio.
Os cantares de um rádio roufenho que passa fado, a voz do fado que tudo silencia, que nos traduz a saudade e nos transporta, interrompe-lhe o pensamento.
Vem em ondas de som a conversa das vizinhas que estendem a roupa a meias, partilhando o estendal, comentando quem passa e quem falta passar. A garotada atrás de um papagaio de papel que nunca viu mas que adivinha colorido, cheio de fitas brilhante e pedaços de tecido cozidos uns aos outros, pela Ermelinda, costureira do bairro que de janela aberta perde por vezes as linhas e bainhas no vento que se levanta. O som dos garotos a rir e a gritar coloca-lhe um sorriso nos lábios e faz bater mais forte o coração. Quem lhe dera ser de novo criança, correr sem rumo e horário, o sol e o céu por limite à aventura.
No silêncio da sua pequena assoalhada todos os sons têm a forma que lhe quiser dar. O relógio de pêndulo, herança de um bisavô que não conheceu, leva o tempo arrastado nos ponteiros, tempo que oprime, certeza de dias iguais, sempre iguais enquanto de costas finge ler.
Finge viver.
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A Imagem aqui roubada, ainda que em pré aviso ;) Obrigada Miguel.
..

20 Jul 2009

..
O Tiago foi, o sortudo, e promete um Diário do Curso.
Acompanharei à distância mas, e porque as férias estão à porta, está agendada uma visita à Fundação Eça de Queiróz e à belíssima região :)
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inveja é coisa feia, eu sei .. ;)
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É Hoje!

:) Com um abraço à Carla Maia de Almeida
e os Parabéns por mais um, daqueles .. ! ;)
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coincidence? maybe not ..

Dizia a Sofia Vieira aqui há uns meses largos:

“Seguindo um linque no sitemeter de alguém que me referiu num post, cheguei a um blogue que já nem me lembrava que existia. É um blogue triste, de um velho triste (e que é triste não porque seja velho mas porque quer muito ser novo)”

.. pois é. Há pessoas que conseguem em duas linhas escrever o que eu levo ages a tentar resumir. sem sucesso.

17 Jul 2009


Vinha eu toda contente para vos desejar um excelente fim-de-semana .. as excell as .. ;) quando me alerta o meu Diário (reagiu mais ou menos à alteração do nome, obrigada por perguntar, está a compor-se do susto ainda .. ) ;) mas dizia, alerta-me o diligente para a poeirada proveniente da barrinha verde que regista quem limpa ou não os pés aqui à entrada.

Merece um desenvolvimento isto .. but definitely not today ;)

..Que o vosso seja excelente*
Life is wonderful, isn’t it?
E será que o wonderful está na forma como escolhemos vivê-la?
Também :)

16 Jul 2009

studying :)

A propósito do comentário que L. Rodrigues deixou num postal ali em baixo, (quote):
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O Carácter é uma coisa que sempre me fez confusão. Porque para mim o carácter é a modos que um receptáculo neutro. Que pode ter dentro coisas boas ou más. Um mau carácter ainda é um carácter. É como a "personalidade".
-
.. fui à procura de algo que li há imenso tempo e acabei por encontar uma tradução parecida sem grande trabalho ;) que o tempo urge:
-
Uma vez tomada a decisão, não dar ouvidos mesmo aos melhores contra-argumentos:
sinal do carácter forte.
Também uma ocasional vontade de se ser estúpido.
Nietzsche , Friedrich
-
Caústico? também! Mas por vezes o malhar em ferro frio tem destas coisas .. e eu, sem tempo para mais ;)

Obrigada L. Valeu!

intimism (xlv)

Avaliação da Royal Academy of Dance na Escola de Dança de Lisboa
Provas prestadas ao Grau II. Admitida ao Grau IV.
..

“.. tenho imensa pena que ela saia mas entendo que o sonho é o ballet e este ano vai ter oportunidade de o continuar. Sabe Mãe? Não sei onde é que ela vai chegar mas sei que conheço poucas meninas com a convicção da sua filha” (despedida dificil da professora de rítmica, mas as opções que fazemos na vida têm sempre duas consequências, não é? ) ;)

Eu também não sei.
Nem acho que ela tenha já uma ideia concreta sobre o assunto ;)
Mas os olhos que ontem vi brilhar, equipada a preceito para o exame que a esperava, depois de um ano sem qualquer actividade clássica, garantem-me que consiga o que conseguir a minha menina é uma criança feliz.

(obrigada, murmuro de novo e para mim) :)
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Sim, claro, protejam os teclados et tal, et tal.

15 Jul 2009

can i have your attention, please

Não porque se imponha mas porque gosto imenso de tudo explicar até ficar tão claro em mente alheia quanto na minha ;)
CPrice(Once) sou eu. A mesma.
Catarina Price é o meu nome e assim assino as crónicas que a convite de João Severino vou publicando no Jornal do Pau. Once o nick com que por aqui comecei há dois anos e tal e tal, numa altura em que era mesmo e só de vez em quando.
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Deixou de fazer sentido assinar de uma forma num lado e de outra em outro. Coisa que me começou a fazer alguma confusão, ainda que o signo seja o a dualidade ;)
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CPrice akas Once .. glad to have you here *
Zu unserer Besserung bedürfen wir eines Spiegels.
Arthur Schopenhauer
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Free translation: for our own improvement we definitely need a mirror
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Maybe then people can see the so called nonsensical they fall in once in a while ;)
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Thank You, Sire

14 Jul 2009

People don't drink the sand 'cause they're thirsty.
They drink the sand 'cause they don't know the difference
.
(Andrew Shepherd – interpretado por Michael Douglas no filme American President – Rob Reiner – 1995)
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Gosto particularmente deste filme.
Não só pela carga romântica da ligação entre um Presidente viúvo e uma lobbyist ambiental ;) mas e acima de tudo pela força do discurso de Michael Douglas sobre .. carácter, quando confrontado com a quebra da sua popularidade nas sondagens uma vez que se recusa a responder perante os ataques e as mentiras publicadas e relativas à sua vida pessoal. Para além do Cargo, O Homem. Será possível esta distinção?
..
A comoção da assistência presa nas suas palavras e na intensidade do que significam é, quanto a mim, a melhor parcela que esta película nos oferece. Um discurso veemente, para além do programado, que abanou, na estória, as estruturas bem montadas de uma sociedade presa, muitas vezes, vezes demais, no diz-que-disse, no julgamento fácil, tendencioso, na exploração do íntimo alheio. Sempre mais fácil e confortável que o próprio.
..
It’s all about character, responde o presidente mais poderoso do mundo à interpelação do seu opositor (Richard Dreyfus).
..
E é.
É sempre e tudo sobre carácter.
E aqui podemos almejar vir a ocupar uma das cadeiras da White House ou simplesmente o sofá da nossa confortável assoalhada.
É tudo e sempre sobre carácter.
A sua presença. A sua ausência.

13 Jul 2009

"Mas comigo mesma é que eu queria não ser obrigada a mentir.
Senão, o que me resta?
A verdade é o resíduo final de todas as coisas, e no meu inconsciente está a verdade que é a mesma do mundo. A Lua é, como diria Paul Éluard, éclatante de silence"
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Mais? :)
..
..
No fantástico trabalho que Patrícia Lino continua a desenvolver sobre Clarice Lispector!
Harrison Ford

13/07/1942


Happy Birthday, Sire :)

(aqui, no meu filme predilecto de todos os favoritos que já representou)

10 Jul 2009

As férias na Minha Terra


A Susana Falhas, anfitriã incansável e dedicada a causas comuns :) acaba de lançar mais uma engraçada iniciativa no blogue Aldeia da Minha Vida!


"As férias na Minha Terra" trarão certamente memórias engraçadas ou vivências para partilhar *

Parabéns Susana .. * e Bom fim-de-semana de Sol ;) a tutti*

9 Jul 2009

IV (the end)

Onde chega, pelo à vontade que o caracteriza, é aceite, admirado e acarinhado pelas gentes de bem. Gentes que não sonham que por detrás daquela aparência simpática e afável, demasiado simpática acrescentaria, se encontra um verdadeiro lince, treinado por uma educação que não teve, fruto de uma vida de faz-de-conta na qual chega a acreditar tão cegamente que a realidade deixa de fazer qualquer sentido. Um lince que premedita a jogada seguinte sempre com um só objectivo: encurralar a presa. E quanto mais fugitiva e arisca a gazela, mais o gozo da caça em mudança constante de chumbada.
O discurso é proferido dois decibéis acima do desejado, chamando a atenção mas fazendo-o como que por acaso. Habilmente. Isso e as estórias que repete vezes sem conta e à força de as inventar acaba por ser apanhado em pequenas, digamos que, incongruências. Pequenas. Muito pequenas. Quase nada.
Saco roto de conteúdo, foi a expressão ouvida numa altura em que uma das visadas o apanhou desprevenido por uma vírgula colocada fora de contexto. Escusado será escrever que não o voltou a ver. A aparência não vai, felizmente, durar para sempre. Depois disso? Resta-lhe o não ser lembrado. Mas quem de nada se lembra que pode esperar? Nada.
Lamentando que tal aconteça, até porque é de facto um espécime merecedor de estudo, fica a labeL: short novel. As short as ..
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BORLAS:
Técnica 1
Se o ouvir falar sobre uma casa fantástica que viu para os lados de uma avenida que ninguém conhece, ponha o seu ar mais ausente, pisque os olhos duas vezes, faça um beiço e responda-lhe que lhe havia prometido irem viver para o Dubai. Distraia-o. Isso mesmo.
Técnica 2
Imagine que abordam o facto de você, querida, conduzir um carro que não está de acordo com a condição de a minha mulher isto e aquilo .. sorria. Com aquele sorriso que fazemos quando o nosso filho de 2 anos que acabou de tirar as fraldas de dia, se esquece e .. esse sorriso, sim. Olhe-o nos olhos e mostre-lhe o anelar. No ring? .. continue a sorrir. Sim, calmamente. Depois conte-me se resultou.
Técnica 3
Aponte. Ande de livro e caneta na mala e aponte tudo o que ouve, todos os detalhes e pormenores, as horas e as primeiras versões de qualquer acontecimento. Vai ver que se vai divertir quando terminar esse caderno de apontamentos e tiver de encetar um outro. Ou não.
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A série short novel constituída por quatro pequenos episódios, é pura ficção.
Qualquer semelhança de atitudes ou comportamentos pode, contudo, não ser mera coincidência.

III

Vencido o primeiro round, começa a criar a fantasia desejada. Manipula, conquista, manipula, engana, manipula e consegue. Consegue a ilusão de um futuro que não tem a mínima intenção de partilhar, consegue a creditação de sonhos completos, ele que de tão incompleto cabe de frente num pequeno espelho de bolso, consegue o que se propôs até chegar ao ponto de não-retorno.
Aí é simples.
Esfuma-se no ar. O telemóvel emudece, os emails não têm resposta, as campainhas das portas avariam em simultâneo.
Enganou tantos durante tanto tempo que foi aceite nas famílias, nos respectivos círculos de amigos. Ficam elas a dar justificações e a tentar encontrar desculpas e explicações para o facto de o terem ouvido pronunciar com tal ligeireza as palavras quero-te e amo-te que se tornou banal ouvi-lo da sua boca enquanto lia o jornal ou pedia um café.
--
OBS:
preste atenção, vai ver que há um espécime destes bem perto de si. Se assim for não faça rigorosamente nada. Dentro de algum tempo, desaparecerá.
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to be continued

II

Tinha uma verdadeira fixação por mães sozinhas. Mulheres na casa dos quarenta, de preferência. Nem muito novas e irritantes, cheias de cobranças e mimo. Nem demasiado velhas e já endurecidas pela vida em solidão. Com quarenta anos, e sozinhas há algum tempo, com filhos ou sem filhos, as mulheres que lhe caiam na rede ainda tinham na cama o fogo de um corpo de garotas, incansável e insaciável que lhe permitia reviver os tempos áureos em que de manhã não se recordava do nome de quem a seu lado dormia.
Por outro lado eram suficientemente independentes para não lhe perguntarem a que horas chegava para jantar.
..
to be continued

8 Jul 2009

I

Quem o conhecia chamava-lhe pura e simples The Gambler .. sem a sofisticação e sedução de um frequentador de casino, mas sempre com a prudência de se estar perante um predador. A pouca estatura não facilitava o perfil musculado que se pretende nestas ocasiões, mas ainda assim, cabelo mergulhado no gel e um no care estudado ao nível do vestuário permitiam-lhe um sucesso invejável, nesta fase da vida a caminho do meio século. Escolhia meticulosamente a sua vítima, avaliava-lhe as manias, traçava-lhe o percurso mediante meia dúzia de informações que recolhia aqui e ali, pronto para o ataque calibrava a sua arma, sempre pronta, mudava se necessário a chumbada, e investia certo do sucesso.
..
to be continued

7 Jul 2009


Ninguém pode pronunciar-se acerca da sua coragem quando nunca esteve em perigo
François La Rochefoucauld
..
Leio sobre a debandada. Maria João Pires, sensível e maravilhosa pianista, um dos ídolos da princesa lá de casa .. Miguel Sousa Tavares, polémico q.b. ou acima disso mas de quem me confesso admiradora da palavra escrita .. comecei com David Crockett .. sou-lhe fiel em todas as publicações até ao momento, ainda que discordando, ainda que concordando. Saramago .. Nobel da Literatura com responsabilidades maiores pelo prémio .. que não cabem no prémio.
Leio sobre a debandada de pessoas que têm algo a dizer sobre o País onde vivem, onde trabalham, onde era suposto serem felizes com o que têm que é tanto mais que tantos têm.
Foco-me na realidade que me rodeia.
Aposto que Dª Ernestina do pequeno atelier de costura, hoje às moscas, na esquina da rua onde moro, gostaria de poder partir deste País que não a ajuda a sustentar os três filhos que tem em idade escolar. Ainda no outro dia, em conversa na fila da padaria me confidenciava que não sabia como iria manter os três na escola no ano que em breve começa. E por falar em padaria, a Dª Amélia, padeira de sempre, amiga da Minha Avó, senhora que atravessou uma guerra, o fim do regime e tantas outras ondulações perigosas e quase fatais, me dizia também, metendo a colherada na conversa, que parecia impossível como até do pão as gentes tinham de desistir. Ficou-me a frase desistir do pão; já acabou com a fornada de croissants estaladiços às 18h porque ninguém compra. As encomendas de sortido, areias e lagartos de manteiga, caíram para metade do que toda a vida vendeu, e deixou de ter fiambre e queijo e chourição, que os garotos da escola já nem lá entram a pedir o lanche reforçado de antigamente. devia ter ido embora quando ainda tinha idade rematava de sorriso triste por debaixo do lenço branco imaculado que lhe esconde os cabelos igualmente brancos. Da vida.
A televisão fala do número de desempregados o que até há pouco tempo me parecia uma realidade lateral à minha; até os meus amigos começarem a perder empregos sem conseguirem arranjar outros em troca. A princesa lá de casa chegou, na última semana de aulas, com duas notícias tristes: duas das colegas não vão para o liceu. Vão sair de Lisboa com os Pais. Estão desempregados e não têm como pagar as casas, rematava a miúda com olhos de drama.
Aposto que também estes gostariam não de sair de Lisboa, mas do País em busca das promessas de vidas melhores.
Leio a debandada.
E foco-me na minha realidade que ultrapassa em drama qualquer queixa, qualquer achaque ou querela, qualquer desânimo que os que agora viram as costas a Portugal possam estar a sentir.
E estes, os anónimos, continuam por cá a tentar. E a acreditar.
Era bom que alguém lhes desse tempo de antena. Estou certa que teriam algo a dizer. Também.

6 Jul 2009

Há uma certa vergonha em sermos felizes perante certas misérias
Jean de la Bruyère
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Tens de arranjar alguém que te faça isso!, atira-me esta amiga a quem tudo se permite, ao ver-me dedicada, num sábado à tarde, à pilha de roupa para passar a ferro, de sorriso nos lábios.
Credo! Era lá capaz de passar horas aí! continua, a franzir sobrolho, olhando-me qual peça de raridade exposta em prateleira bafienta, enquanto abre a portada da janela da cozinha e acende um cigarro. Sorrio interiormente enquanto dobro com paciência e sem vincos as t-shirts da princesa. Avesso, direito, vira, roda passa, não vinca, mangas para dentro, etiqueta direita. Já está. Continuo com peças maiores e outras mais pequenas, ela de olhos fitos nas minhas mãos, para lá das minhas mãos, da tábua e do ferro, aposto até que para lá da minha cozinha. Bate o tacão no chão e esmaga furiosamente o cigarro no cinzeiro. Olho-a serena. Sei que algo a atormenta. Deixo que me conte o que é.
A princesa toca à porta aberta com os nós dos dedos, ela sorri-lhe em silêncio, abre a porta do frigorifico, iogurte de cereais e prato com pão e queijo, beijo de fugida no braço da mãe, sorrio de novo, bate a porta do frigorifico e a garota corre para atender o telemóvel. Abana o papel, um dos vários papeis presos com ímans na porta do frigorífico, uns com recados, outros com contas, mas abana agora o papel branco rabiscado pela princesa, no vento que entra pela janela e levanta a cinza do cigarro acabado de apagar. I love you mummy, diz o papel ao vento, I love you more than a trillion, gritam as letras coloridas em brincadeira de menina pequena quando ainda mal falava e respondia ao how much? com um duzentos e mil. Rolam cara abaixo duas lágrimas grossas. Chora a minha amiga, empoleirada nos seus saltos de 20cm, outro cigarro em punho, cabelo irrepreensível, maquilhagem sem mancha. Fixa o papel para além do papel e murmura baixinho era lá capaz e no entanto às vezes penso que é tudo o que quero.

3 Jul 2009

balance sheet

Balanço fora da época
Gosto de balanços, eu. Já escrevi isto algures por aqui. Se não neste livro em outro qualquer. Gosto de balanços e desta formazinha irritante de colocar o eu no final das frases. Bom .. antes no fim que no centro. Nada pior que eus no meio de tudo. Ao centro de tudo.
Mas gosto de balanços. E de fazê-los fora de época. E de aprender algo com isso. Ano lectivo superado .. menção honrosa, melhor aluna, excelentes notas. Menina bonita por dentro e por fora, a minha filha. Que mais posso pedir, pensava ontem na cozinha enquanto a ouvia ao telefone com a prima em combinações de férias e dormidas fora, perguntas atropeladas e risinhos de quem esconde segredos. Nada. Não posso pedir mais nada. Mesmo.
Tenho trabalho, tenho saúde. Tenho casa e o meu frigorifico está cheio de comida. O carro parado à porta não é nenhum último modelo, mas anda. E é meu. As prioridades da minha vida passam por coisas simples. Ser feliz, sorrir, trabalhar, amar, acompanhar, criar, enfim, verbos simples de conjugar, seja em que tempo for. Nada de extraordinário. Escrevo que me farto, coisa que adoro fazer. E falo pelos cotovelos para impaciência dos que me amam. Impaciência controlada claro que é tudo gente bem educada ;) .. já tive férias, e ainda vou ter férias. Com a família, entre amigos. A mais-que-tudo muda de liceu este ano, vem um 7º ano a caminho, no liceu dos crescidos .. mais crescidos .. às vezes penso como foi que passaram estes anos todos desde o primeiro dia de aulas do 1º ano que me parece ainda tão próximo :)

Gosto de fazer balanços, eu. E ainda que nem tudo na minha vida seja o mar de rosas que por vezes espelho por aqui, um mar flat sem grandes desavenças, ondas gigantes ou tsunamis, acabo este com um sorriso e um obrigada que murmuro para dentro. Obrigada.
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Have a nice week-end you all *

2 Jul 2009

more shadow than substance*

E se um dia achares que podes voltar atrás, esquece.
Não é para todos o lema nipónico “mais vale voltar atrás que perder-se no caminho”
Para ti, que te perdeste muito antes disso, resta-te seguir por outro. Paralelo.

E se um dia te lembrares de que cor são os meus olhos, fecha os teus.
Vais ver que a imagem desaparece e o lago profundo das lágrimas que já chorei dará lugar ao sol que agora me aquece e me afaga.
Na tua vez.
Em vez de ti.
Apagando-te a sombra.
É isso.
Está apagada a tua sombra.
Em dias de sol.
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* another british saying

just think about it

"considere-se um mundo com um homem no centro. considere-se que não se trata de um homem qualquer mas de um humanista puro. considere-se este um homem perfeito. considere-se que não há conflito semântico entre os vocábulos homem e perfeito – ou seja, ignore-se a antítese. ignorando a antítese é-se forçado, consequentemente, a ignorar todos os lexemas com significado, ainda que remotamente, ligados ao conceito de posições opostas. ignore-se, portanto, as palavras oxímoro, antónimo, desavença, conflito. poder-se-ia forçar o esquecimento da guerra e seus sinónimos. assim seja. consequência: este homem no centro do mundo, sendo perfeito, aperfeiçoou-o. de repente, um mundo antropocêntrico deixou de ser uma ideia renascentista, logo, arcaica. missão: encontrar o homem perfeito. matá-lo."
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Tiago Sousa Garcia em A Portrait of a Man as a Young Artist .. young but mature, i would add.

1 Jul 2009

a formiguinha de serviço continua aqui a fazer das suas ;) .. e aqui terminou um projecto interessante - Parabéns, de novo, Susana, pela ideia e promoção - e mais Parabéns ao Vencedor ;) aproveite bem esse fim-de-semana numa das terras mais lindas que conheço .. a de meu Pai :)

instruction # 6 (cont)

Eu, por outro lado, acredito piamente que quem o mal pratica o mal recebe, e o Bem?
Bom, por vezes o Bem leva mais tempo a encontrar o seu caminho de volta porque o Mal, esse inquieto e travesso, capaz dos piores cenários, semeia a discórdia nos sinais de trânsito e obriga-o a andar às voltas, deveras demoradas, até entrar no caminho correcto e direito de regresso a quem o pratica.
Nada que uma dose extra de paciência, um ar levemente ausente e uma calma por vezes forçada, não ajude ao tempo de espera. E quem espera ..