28 Jul 2009

politics or political?


Apareceu primeiro o SimpleX. Prendi-o ali ao canto e à rubrica chamei Elucidatory – porque prometeram num dos primeiros postais publicados que não defendiam com unhas e dentes o indefensável, confessando-se, também eles, algo cansados e desiludidos com o rumo. Gostei. E fiquei na expectativa.

Ao voto que herdei de meu Pai no Socialismo, política na qual fui educada em privado, dado que ninguém da família teve algum dia projecção política pública, aliada às raízes na monarquia, tendência acarinhada por outros que nunca deixaram, por tal, de ser da família, e a mais ou menos confusão de sentires e de acreditares – as discussões sobre: política, saúde e trabalho, foram erradicadas, há anos, das tertúlias familiares! Nem me perguntem do que falamos. Há alturas em que as conversas são, no mínimo, irreproduzíveis.
Mas escrevia eu que ao voto herdado de Meu Pai no Socialismo, tenho-lhe juntado cada vez mais dúvidas, certezas, convicções e mágoas de quem, não entendendo muito do assunto, como o prova o texto naif que por aqui vou digitando, ainda assim gosta pouco de deixar o seu “destino” no que aos governantes diz respeito por mãos alheias e exerce, consciente mas talvez não muito convencida, o seu dever de voto.
Sim, no meu entender é dever de voto e não direito. Talvez por já nasci com ele e os direitos têm de ser conquistados. Este, alguém conquistou por mim. Para mim.
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Apareceu rapidamente o Jamais e curiosa fui acompanhando, pedindo intimamente que não se jorrassem os facilitismos de trocas de galhardetes, agressões pessoais e maledicência de retirar audiência, como vejo os políticos, os outros, fazer na televisão. Alguém diz que algo está mal e o Governo responde que em outros tempos também estava, apontando exemplos, datas, número e estatísticas, nomes e apelidos, ficando o espectador cheio de informação que não serve para nada e faltando-lhe aquela essencial que gostaria de ouvir: se está mal que fazer para voltar a estar bem? Podemos participar nisso? É simples. Respostas concretas a questões básicas. Mas neste País o exercício da moda é responder a perguntas com mais perguntas. Chama-se a técnica do “novelo” na gíria da comunicação. Conheço-a.

Aconteceu mais depressa que supus. Os do lado do muro à direita dizem mata e os da esquerda, perfilam, agarram a fruta podre, fazem pontaria e atiram. Os do lado do muro à esquerda respondem e os do muro da direita, sujos e peganhentos, sem tempo para o merecido duche, replicam.
Linkam-se uns aos outros em tracinhos azuis ou laranja que confundem os leitores, de repente estou a ler aqui se o dedo me escapa para o link lá vou eu parar sei lá onde e leio uma outra coisa, igualmente bem escrita, mas em sentido contrário. Chamam-se pelos nomes como se estivessem à mesa do café em acesa cavaqueira e se tocamos, ainda que ao de leve, no nome do citado, aparece-nos a página onde escreve e o que escreve, que por vezes, nem nada tem a ver com o que estávamos a ler, mas não deixa de ser interessante. Todas as pessoas têm mais que uma faceta, já dizia alguém.

Eu, simples e mortal eleitora, incauta q.b., sem grande paciência e tempo, que procurava algo mais informativo esclarecedor e ao fim e ao cabo, porque não admiti-lo, esperançoso também, que para me dizerem que isto está péssimo e que o Primeiro Ministro é isto e aquilo eu não preciso de ter um computador, para ler agressões e insultos encapotados, levantares de véu como quem não quer, ai desculpe, foi sem intenção, também não e que em equilíbrio tenho airosa sido poupada ao que vejo voar em todas as direcções, farto-me.

E as minhas perguntas continuam sem resposta.
E concentro-me na herança de Meu Pai.
Um voto no socialismo porque, começava ele a conversa quando cada um de nós atingiu a maioridade.
Se ele visse hoje o que fizeram com o seu Socialismo ..