3 Aug 2009


Atravessam diariamente a passadeira à minha frente.
São sempre diferentes. Ou serão sempre os mesmos? Vêm de cigarro na boca, sem cigarro, de saltos altos, tacões grossos, saltos de cunha de altura improvável, sem saltos. Vestem gangas ou saias curtas, fatos completos com gravata e tudo, vestidos vaporosos ou simples fatos de treino com camisola de decote em bico e sapatilhas. São imensos, ocupam a estrada toda e andam depressa como quem cumpre destino. Nas mãos trazem sacos de papel, de plásticos, livros debaixo do braço, sacos brilhantes, transparentes onde se adivinham tupperwares de cores ainda mais brilhantes, malas a tiracolo, ao ombro, na mão. Os homens ao telemóvel, head phone habilmente oculto na orelha, parece mesmo que falam sozinhos. Falam, gritam, gesticulam.
Atravessem diariamente a passadeira à minha frente.
Tantos.
Novos, velhos, assim-assim, bem vestidos, mal vestidos, com mais ou menos manias, observadores ou concentrados, de passo apressado ou lento e arrastado.
Somos nós.
Somos sempre os mesmos.
Será que algum dia deixaremos de ser sempre os mesmos?