30 Sep 2009

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Começou ali ao lado mais uma tentativa de conto desta vez de forma e conteúdos algo ásperos e austeros tentando a escrita realista como sei que não sei escrever, mas o desafio foi lançado, aceitei, e tentarei.

Quase escuso de referir que as vossas reacções, comentários, interpretações e análises ou simples gosto, não gosto, assins assins, desilusões ou surpresas, serão, mais que bem-vindos, agradecidos.
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29 Sep 2009

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O Senhor Presidente da República fala hoje à Nação.
E mais do que curiosidade sobre o que vai dizer, esmiuçada que está a questão sobre a qual ainda não falou e que preocupa todos os que leio, todos os que oiço, eu gostaria de ver abordadas questões simples.
A sério.
Gostaria de ver abordadas questões de sobrevivência. Questões de educação e ensino. Questões de saúde. Gostaria que a agenda encerrasse temas que me são queridos como por exemplo o insucesso escolar, as diferenças, o desemprego, a habitação, a terceira idade e as condições em que sobrevive. Gostaria que o discurso do Senhor Presidente da República versasse sobre o futuro, o que poderemos fazer, em conjunto e individualmente para que o que nos espera seja algo com que podemos sonhar. Sem desesperar.
Gostaria até, tendo a consciência tranquila que não estou a pedir demais, que me desse noticias do casal de idosos que a dívida ao banco desalojou na semana passada do 1º andar do prédio onde vivo. Ou do garoto pequeno que me pede pequeno-almoço encostado ao meu carro todas as manhãs, gostaria mesmo que o Senhor Presidente me descansasse assegurando que todos têm onde viver e como viver. Gostaria ainda, eu sei que protocolos, agendas, horários e sharings são tudo palavras cheias de significado, mas gostaria ainda que desse aos Portugueses um voto de confiança.
E que, mesmo que não tenha a certeza absoluta, nos garantisse que ainda não desistiram de Portugal todos aqueles que nos Governam.

Mas isso sou eu. A utópica de serviço.
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Congratulations Miss :)

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Obsessiva na observação com uma insistência obstinada, obscurecida em paredes meias com as luzes ofuscantes que ocultam a presença opulenta,
anota e aponta, cabula e copia num afinco contumaz que aturde,
olvidando o objectivo que a cá trouxe, pertinácia quiçá parametrizada em resultados obtidos, quais contas de merceeiro, ainda que de cega insistente nada aprenda com o que vê.
Pudera.
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Gosto destes exercícios.
O próximo? é estudar o mapa de destino para o fim-de-semana de três dias .. sim, só ontem me apercebi que temos um à porta ;) distraída eu também .. *
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28 Sep 2009

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He who exercises government by means of his virtue, may be compared to the north polar star, which keeps its place when all the stars are rotating about it.
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Confucius
(cujo aniversário se celebra este mês)
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No rescaldo de um Domingo em que votar foi a coisa de somenos importância, a sério, não me levem a mal a afirmação, votei, votei convicta do que pretendo mas a correr e empoleirada em saltos de 15 cm a caminho do Baptismo da minha doce Sobrinha de um ano de idade, a écharpe em queda livre e a princesa, menina mulher numa toilette que encantou, ao meu lado num mummy por favor despacha-te que estamos atrasadas, a missa começa às 11h30. Mas dizia que no rescaldo de um Domingo em que votar foi o que de menos importante aconteceu, e foi acto feito sem cerimónia alguma, quase a bater o pezinho no chão à espera de ouvir o meu nome, entrega papel, coloca o voto, dobra e entrega e corre dali para fora, quem me mandou a mim não ter em tempo actualizado o cartão de eleitor e ter de ir votar à antiga morada, estou mesmo a ver a menina da junta de freguesia a dizer com pena, não deixe aproximar outras eleições ou tem de passar pelo mesmo. É já a seguir às próximas que vou tratar disto. Mesmo.

Recomeçando .. À noite sentada no sofá a correr as fotografias, rindo com algumas, eliminando outras tantas, televisão ligada à espera dos resultados que adivinhava, dei por mim a pensar nas eleições do antigamente como diz a miúda lá de casa, ainda que coloque um tom extremamente meigo no antiga ;) quando no dia seguinte acordávamos em polvorosa para saber os resultados e o Pai, que tinha ficado noite inteira a acompanhar a emissão (acho que para além dos Jogos Olímpicos, era a única altura em que a determinada hora não aparecia o anúncio de “fim de emissão”) nos dizia da sala, de olhos cansados e cigarro na mão, ainda não, Meninos. Ainda não sabemos.
Uma noite inteira. Horas sobre horas num trabalho árduo, para um resultado que hoje se obtém mal as urnas fecham aos votantes (shame on you, quase 40% de abstenção?).
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Vem isto a propósito de quê perguntam .. nem eu sei, afirmo-Vos :)

25 Sep 2009

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Este fim-de-semana é de Baptismo.
Baptismo Cristão.
A nossa pequena Meggie, a menina mais inglesa da família valendo para tal afirmar os imensuráveis olhos azuis perlados por umas pestanas inacreditáveis, a fazer jus ao sangue que nos corre a todos nas veias, faz um ano. E vai ser baptizada. Olho para trás e relembro este baptismo, espero ansiosa o encontro com a família que não se encontra sempre que quer, que deseja.
Ontem na cozinha, entre ingredientes espalhados no balcão, listas coladas no armário com algo ainda a adquirir, lendo atenta e contente a descoberta recente que me vai fazer brilhar ainda mais nas sobremesas que todos adoram ("cambada" de gulosos, é fácil .. ) decidi-me pelo Chiffon de Chocolate e pelas Talhadas de Amêndoa, à laia de contribuição para o repasto que nos espera depois da cerimónia. E sei que desta vez, respeitando as receitas da minha Avó no seu livro original, a emoção de cortar a primeira fatia vai ser outra. Obviamente, facilmente desculpável pela natural emoção que o evento me proporciona.
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Para a minha mais recente sobrinha os votos serão os mesmos que para todos eles, Que Deus permita que seja Feliz. Nós, vamos certamente, todos, ajudá-lO.

Bom fim-de-semana *
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Dica II
Vocês sabiam que para evitar que se forme uma camada dura sobre os pudings, se coloca um pedaço de papel amanteigado sobre a forma logo que saia do forno e não se retira que não no momento de servir? (
Gi ;) eu bem disse que tinha de o comprar :))
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24 Sep 2009

Can you spell it?

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Existem pessoas empapadas no espírito de tudo corrigir.
A sério.
Parecem-me sempre uns prontuários, quais léxicos ambulantes, nervosos, de caneta vermelha em punho, prontos a dardejar verdadeiras lições de ortografia e sintaxe, e chalacear de tudo quanto seja uma vírgula mal colocada, um - que não chega a surtir efeito porque desnecessário, ou a um mero tocrar de lretas facilmente desculpável pela pressa, falta de erudição, desvario momentâneo ou neurónio subitamente apartado.
Há pessoas imbuídas do espírito de tudo corrigir.
E, pasme-se, por incrível que possa parecer, não são professores nem tão pouco escrevem acima de qualquer suspeita.
Quando vejo uma correcção feita com o objectivo único e primordial de elucidar o destinatário, sorrio e assumo o erro que se não é meu passa a ser.
Quando vejo a brigada anti-erro em acção, usando o que pretendem passe por ironia para soquetear a personagem que teve o desplante de mal escrever, vem-me invariavelmente à ideia a frase a troça é, muitas vezes, pobreza de espírito, e rapidamente reconheço que quem assim influi economiza não só no intelecto como na elaboração de ideias verdadeiramente singulares sobre o que ortografar.
É uma pena.
Bem canalizada tanta energia daria certamente frutos apetecíveis.
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Aquela coisa ali em baixo está a chegar a um número redondo, mas não, o visitante 10.000 (é possível isto?) não terá o direito (ou será castigo) de jantar comigo! ;)
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23 Sep 2009

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Inicia-se o estudo da disciplina de Geografia com as teorias.
Dá-se a teoria Geocêntrica, defendida por Claudius Ptolemaeus (pergunto-me se chegará às Tábuas Afonsinas)
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Mummy, é assustador ver alguém defender algo tão longe da realidade.
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.. estou curiosa.
Porque ela vai ter de conviver com pessoas que fazem o mesmo. Ainda. Todos os dias.
:)
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22 Sep 2009

Ou eu me engano muito (o que raramente acontece .. é isso e o quase não ter dúvidas algumas) ou algo está para estalar por aí.
Sim, por aí.
Exactamente aí.
E escusa de fazer de conta que faz de conta que não é consigo.

;)
08h10 na rotunda, para a entrada sozinha no liceu às 08h30 passados os 15 minutos de conversa com as colegas de turma, os das outras turmas, aqueles que se conhecem porque conhecem alguém que se conhece também, e todos os outros e ainda os da sala de estudo que não têm forçosamente que frequentar o mesmo ano lectivo ou o refeitório à mesma hora. Todos os dias de sorriso resplandecente e com uma mochila que pesa metade do que ela pesa, a menina-mulher lá de casa, espera na rotunda abaixo do liceu pelas amigas com quem este ano partilha o resto do caminho. Os pais piscam-se o olho e gritam-se bom dia pelas janelas dos carros em manobras confusas de estaciona, sai, olha a mochila .. e o casaco, até logo, beijo, beijo e arranca.
Nas salas de estudo, o Filipe, diligente e fantástico monitor, exigente e meigo, brincalhão e sério, todas as qualidades que deve ter quem toma conta de crianças, da minha pelo menos ;) combinou a estratégia com a garotada do 7º ano. Nada de carrinhas à porta do liceu, que vergonha entrar numa que diz entre outras coisas que não interessam nada ;) CRECHE assim a letras gordas e negras, portanto, a pé, espera-as na passadeira ou espreita-as ao longe para perceber se já terão juízo e autonomia para fazer os dez minutos de caminho a pé que separa o liceu das salas de estudo (são dez minutos, meninas, não trinta.). Eu rio-me, entendendo perfeitamente os cuidados mas sem querer (sem?) faço o paralelismo com o meu tempo de doze anos feito com ainda apenas dois irmãos, um para a creche, outro para a primária, e eu airosa e finalmente liberta do anda lá despacha-te e mana não andes tão depressa, a caminho do Liceu, do mesmo Liceu. Também rodeada de amigas e amigos, também em alegre converseta de quem tem sempre assunto, sempre algo para contar, incrível como temos sempre do que falar ;)
O ano lectivo começou bem.
Dou Graças por isso porque sei o quanto pode começar mal.

A reunião ontem com o Director da Escola e todos os Directores de Turma deu-nos a conhecer além do regulamento, códigos, clubes, actividades, plano pedagógico e didáctico, pausas lectivas, etc, um projecto interessantíssimo, com inicio a 24 de Setembro, e cujo objectivo maior é: acabar com os 10% de insucesso escolar que o Liceu ainda tem, 4% precisamente no 7º ano e os restantes distribuídos até ao 12º. Não é dramático, nem chega a ser grave. De tentar erradicar? Certamente.
Vi alguns, poucos, olhares desconfiados, vi um aplauso maior de quase todos os pais presentes. Dei novamente graças por estar rodeada de gente assim e por a minha filha estar a iniciar um percurso, que ainda vai durar alguns anos, com meninos filhos de gente assim. Porque ainda que muito de nós não saibamos o que isso é, acho até que alguns nunca virão a saber, se é para acabar com o insucesso escolar, contem comigo.
Incondicionalmente. E nem preciso de saber quantas são as crianças que cabem nas percentagens apresentadas.

PS_ e porque, cada vez mais, acredito que tudo passa por uma intervenção maior do indivíduo enquanto agente de dinamização e implementação de ideias e de ideiais, e uma acção menos potenciada por parte das supostas instituições responsáveis. Mas isso sou eu que sou uma utópica, ainda que desta vez com algum eco. Graças .. !
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até sempre*

Uma decisão que é apenas uma parte de uma decisão maior e que marca o meu afastamento quase definitivo da blogosfera.

Hélder Robalo, no Pátio das Conversas


Acompanho os escritos do Hélder Robalo, profissional de mão cheia, há mais de três anos. Acho que deve ter sido, a par do Luís nas Outras Notas (que saudades) dos primeiros autores de blogues que li, colei na minha barra e comentei.

Desde então, mais que o compromisso da leitura diária de carácter informativo nasceu, como nasce nas pessoas de bem, uma amizade e um respeito que sei mútuos, feitos de pequenas coincidências como a agradável descoberta de sermos, entre tantos, vizinhos de raízes feitas. E é à luz de tudo isso que me permito escrever por aqui este trecho hoje, não tendo qualquer dúvida que a blogosfera fica, a partir desta decisão, irremediavelmente mais pobre.

Contudo, e porque acredito em projectos adiados, sobrepostos, realizados e até cancelados, sei que o empenho, o tempo, esse bem precioso, e a disposição nem sempre são nossos aliados.

E sei também que a amizade de que se usufrui, raramente se perde.
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Boa sorte Meu Amigo .. e o maior dos sucessos (o que pelo que te conheço, quase escuso de desejar) :)


Até sempre *
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21 Sep 2009

interpretações (vi)

Fotografia pedida emprestada à Luísa :)
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Por vezes quando aqui chego o sol está mais baixo. Sento-me na beira do muro e olho a água que brilha do brilho do por-de-sol e penso, penso quase sempre a mesma coisa aliás. Todos os dias ao chegar esforço-me por pensar em outro algo mas foge-me a mente sempre e diariamente para a mesma interrogação. Sento-me de pernas penduradas no cimo da água a tocar os respingues de uma ondulação provocada nem sei pelo quê e penso, todos os dias penso, o que haverá para lá da linha que avisto, que me esforço por avistar e que no esforço me magoa os olhos do brilho do por- de- sol que brilha no brilho da água que daqui a nada perde o brilho e a luz e fica negra.
Como a noite.
Haverá noite por lá?
Para lá do risco que vejo?
Haverá, quem sabe, alguém a perguntar o que haverá do lado do risco do lado de cá.
A essa posso responder: eu.
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18 Sep 2009

Primeiro porque é um dos meus autores predilectos.
Tenho quase todos os livros que já escreveu e só lamento que por vezes não seja mais industrial como muitos que pautam os top’s de venda com vários escritos à la minute .. mas desta vez o que me faz falar de Perez-Reverte não é o seu último A Sombra da Águia, que está na calha marcado para ser lido, a aguardar pacientemente na prateleira entre Luís Sepulveda e Miguel Sousa Tavares.
Desta vez, o que me faz falar de um dos melhores novelistas contemporâneos espanhóis é ..

A Capa do Livro, senhores, a capa, desenhada por alguém que está a dar que falar :)

Parabéns Minha Amiga *
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Excelente fim-de-semana
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17 Sep 2009

Há um objectivo na morte de alguém.
Tem de haver.
Mais que a perda, mais que as lágrimas que não param de correr cara abaixo, mais que o sentimento que algo ficou por dizer e tanto por viver e sentir, há definitivamente um outro objectivo na morte de alguém: o de nos fazer parar, equacionar, pensar e interiorizar o que andamos por cá a fazer e quanto tempo teremos ainda para cumprir tudo a que nos propomos.
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Descanse em Paz.

14 Sep 2009

i'll be back!

(imagem da net)

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in a while ;)
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Looking for love? Pergunta-me o amigo Carl Lewison num correio electrónico que furou a barreira do spam do meu descontentamento.
Aren’t we all? Apetece-me responder de volta, não fosse a certeza de ir parar a um site que terá tudo, mas tudo mesmo, sim até isso, para me oferecer à excepção de Amor.
Looking for love? e na pergunta inocente qual aranha impune na teia de contactos em Fwd’s e envios a um universo incapaz de caber sentado à minha mesa, nomes e contactos que não sei como me conhecem, de onde vêm, e como me encontram, ainda que por vezes tenha uma ligeira suspeita, mensagens sobre tudo o que dificilmente poderá interessar, ofertas de prémios improváveis e certezas de outros impossíveis, no meio de tudo isto há certamente, eu sei que há, almas aflitas e carentes que respondam de uma assentada sim, sim, oh sim, por favor. E assim se tecem sentimentos, se marcam encontros, se vivem .. vivem?
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Looking for Love?
Thanks Carl, Love found me already ;)
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11 Sep 2009

a ler. hoje e sempre. principalmente hoje.

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Que seja um bom fim-de-semana *
Nós vamos queimar os últimos cartuchos das férias grandes ;)
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10 Sep 2009

Após este magnífico e profundo texto da Margarida a quem há muito baptizei meigamente de Meggie – diminutivo que pertence à família, primeiro à minha mãe, hoje à minha mais recente sobrinha que a propósito vai fazer um ano dentro de dias, vocês acreditam? :) fiquei a pensar na diferença que ela brilhantemente aponta entre o ser e o estar, e no oposto a tudo isto que é o ser feliz ou estar feliz, ideia que já vi explicada por teclados alheios mas que me pertence e até posso dizer quando e em que contexto a expliquei.

Tenho para mim a teoria que a felicidade essa palavra enorme que pouco cabe na boca e sentimentos de gentes que se afadigam a cumpri-la, é um puzzle.
Assim sem mais nem menos, um puzzle de inúmeras peças que leva qualquer coisa como uma vida a construir. Por vezes encaixamos uma peça num local a que julgamos pertence para mais tarde nos darmos conta que sobra espaço ou que lhe falta o à-vontade para estar, sem roçar os cantos, num espaço curto demais para que se sinta respirar. Levamos a eternidade que nos é permitida a mudá-las de local, encaixa mais à frente, procura o azul que combine com este laranja, ou simplesmente deixa-a estar por aí mais uns tempos que já cá volto.
Aqueles a quem o puzzle tem de aparecer completo, direito, com coerência e de preferência emoldurado e pendurado na parede da sala de visitas à vista de todos, são os mesmos que dificilmente pronunciarão com propriedade a frase: estou feliz, sinto-me feliz, sou feliz. Sem grandes explicações. Apenas porque sim.
Porque o sol brilha, porque a minha filha sorri e é saudável, porque o carro pegou depois de uma noite de chuva, porque havia no supermercado tudo o que preciso e tinha na carteira dinheiro para pagar, porque o cozinhado saiu bem, porque os amigos chegaram a horas, e aqueles que não chegaram trouxeram flores para me verem sorrir fingindo-me zangada, porque a família é saudável, porque o chefe disse bom dia, sinal que tenho chefe e acima de tudo sinal que tenho trabalho, porque a chuva esperada finalmente apareceu, e já vejo em alguns galhos as folhas a amarelar, quase, quase a cair, porque a padeira continua a entregar o pão fresco e estaladiço todas as manhãs, porque acordo cedo ou porque me deixo dormir na preguiça inimputável, porque uso aquele vestido que me fica um must ou calço os ténis ao final do dia para a caminhada à beira rio, sagrada, diária e que nos sabe tão bem.
Porque sim.
Um porque sim feito de pequenas peças, minúsculas por vezes, que encaixo todos os dias no local a que sinto, penso e acredito .. pertencem.
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A nomeação é agradável, é bom receber prendas quando não é o dia do nosso aniversário e eu, chata que sou, dou tanta importância ao detalhe que ..
não é nada sobre isto que eu quero escrever!
A nomeação é agradável, mas acima de tudo e fundamental é a leitura deste texto.
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Porque é assim de forma simples, com sentimento e acima de tudo muito respeito pelo que nos rodeia, que nos devíamos mover ..
aqui e lá fora.
Aqui como lá fora.
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Obrigada J. Mesmo*
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9 Sep 2009

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Descobri aqui a preciosidade e fiquei meia hora a percorrer as folhas, rezando intimamente para que o telefone não tocasse e ninguém me interrompesse a descoberta.
Porquê?
Ora vão lá ver se não tenho razão :)
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Inclui-me a Xantipa – alguém com quem tenho aprendido tanto :) (obrigada) numa corrente de 10 itens cuja explicação “Cada um deve fazer uma listinha com 10 escolhidos para dar o cartão vermelho. Pode ser uma pessoa, uma atitude, enfim, tudo aquilo que de alguma forma nos incomoda, se quiser e precisar, dê uma justificativa breve. Após fazer isso, passe a bola para mais cinco blogueiros e vamos ver no que dá” me faz pensar nas coisas de que não gosto, naquilo que de facto me incomoda, ou no que alteraria se tivesse como.

Aqui ficam os meus 10 cartões vermelhos, e um desafio à Luísa, à Meggie, à Nocas, ao João Severino e ao Pedro Correia, para nos dizerem quem ou o que brindariam com tal privilégio ;)
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À falta de liberdade. Mas não só assim escrito como se de estandarte se tratasse. À real, vivida e sentida hoje. Ainda hoje
À intolerância, à arrogância, altivez saturada, mania. Pura mania sem fundamento. Como se estivessem em lados diferentes de um mesmo de muro. Como se soubessem que não vão morrer como todos os outros e nesse dia, quando chegar ao fim o tempo que tiveram para viver quem sabe perceberão o quão mal o empregaram.
Ao racismo. Expresso em mil e um detalhes em centenas de situações da vida que se vive de perto e que não vem nas notícias nem faz manchete de audiências.
Ao extremismo. Seja ele qual for, que anula o bom senso que eu, ingénua, ainda acredito exista na humanidade
A todos quantos não tendo vida para viver, por opção ou incapacidade, tentam usurpar o lugar dos outros. A vida dos outros. Como se tal fosse possível numa imitação rafeira de uma peça de teatro. É esse o resultado: Uma lastimável peça mal encenada e pior interpretada.
A este tão luso hábito do conformismo. Do deixa andar. Do não vale a pena.
À maledicência. À pura maledicência com objectivos poucos claros para quem verbaliza o mal que projecta no alheio.
À falta de esforço e à falta de exemplo e à falta de Bondade.
À falta de coragem para empreender e à falta de fé para acreditar.
A este fado tão nosso do queixume, como se tivéssemos muito porque nos queixar.
Por vezes penso por onde andará a nossa coragem enquanto povo, enquanto nação.
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É evidente que se eu conseguisse reunir em 10 (eram 10 Catarina …!) os cartões vermelhos escusava de pensar já no próximo: cartão vermelho a esta incapacidade minha: a de dizer em pouco o tanto que acho que tenho para dizer ;)
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Obrigada Xantipa! :) *
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8 Sep 2009

Sento-me à mesa da sala na penumbra do candeeiro que espalha uma luz difusa, serena. Miro a vela a arder, cheiro a canela, vermelho sangue, e inspiro calmamente o aroma apelativo que se encarrega de eliminar os vestígios do último cigarro fumado. Maldito vício que já tentei contornar de todas as formas e mais alguma. As folhas de linhas estão sobrepostas, milimetricamente arrumadas, e a caneta predilecta em cima delas, ligeiramente inclinada. A inspiração não aparece, não há assim um tema, O tema sobre o qual me apeteça escrever, a política nacional faz-me sorrir de tristeza, os casos, casinhotos e casotas, melindres de almas pouco sérias não são para esmiuçar, vim de férias, a minha está renovada em banhos de mar salgado e a mente livre de grandes ou pequenas questões que me tirem o sono. Perscruto o molho de folhas, arrumadas na tentativa que do papel ainda branco, pautado, saia a ideia que me apeteça explorar e recordo as boas-noites da princesa, dorme bem mummy, amanhã quero ler, e que vai ela ler, sorrio agora mirando o tecto e dando graças pela limpeza profunda a que me dediquei nos primeiros dois dias de férias, os tectos estão alvos de novo, as paredes bem esfregadas e nem uma réstia de nada a apontar em cima dos móveis ou sob os sofás. Mentalmente enuncio o que há a fazer este Setembro, o mês vai quase a meio, as aulas começam na quarta-feira, a minha filha feliz pelo reencontro ainda que o espaço seja tão grande, tão maior. Na volta que demos ao liceu no dia das inscrições, de mão dada, eu revivi toda a felicidade que foi ter ali sido aluna e transmiti-lho na certeza que será feliz também. Escola Secundária .. mas alguém me explica quem deu autorização ao tempo que corresse assim tão a favor do tempo?
Amanhã quero ler e a inspiração que não vem, a vela arde, não até ao fim que ao contrário do que se advoga não é bom presságio quando tal acontece, logo eu que de supersticiosa tenho menos que nada, mas o certo é que não as deixo a arder sozinhas e raramente lhes aproveito os restos. O candeeiro cansado, os meus olhos também, mais uma anotação mental para reapreciar se as lentes ainda continuam a cumprir a sua obrigação, uma volta pela cozinha arrumada, mais um toque no estore de tecido que não me parece direito, abro e fecho o frigorífico à procura de coisa nenhuma e apago as luzes. Passo no quarto dela cuja respiração nem se ouve, coisa que me afligia e me tirava o sono quando ainda era bebé, sempre dormiu sem se ouvir esta criança e penso que de criança tem quase nada já, comprida que está, a ocupar metade da cama em largura mas com os pés já visíveis perto da madeira. Beijo-a na testa ao que murmura algo imperceptível e sorri acompanhada que deve estar nesta altura de sonhos doces, com o que sonhará a minha filha, pergunto-me, afastando-me para o meu quarto e pensando intimamente: amanhã terei a inspiração para outro algo escrever. Estou certa que sim.

7 Sep 2009

Aproveitei o período de férias para mais uma incursão pelo passado. Quem me lê aqui e me conhece lá fora sabe a minha predilecção pelo que já foi, aconteceu, alguém escreveu, alguém viveu. Encontrei por mero acaso o primeiro livro de receitas da senhora Minha Avó. Uma cozinheira de mão cheia e uma doceira das melhores, como já tive oportunidade de ir relatando por aqui que, não sendo portuguesa, cedo se inteirou do que se fazia por cá e como, imitando e repetindo receitas que lhe granjearam prémios na verdadeira cozinha tradicional portuguesa, e pondo em prática tantas outras de sua autoria para gaúdio de todos quantos eram convidados à sua mesa, sempre cheia.
Convivi durante anos, que hoje me parecem sempre poucos, com panelas a fumegar num fogão que mal as comportava e fornos ligeiramente abertos para que os bolos não minguassem. Aprendi segredos e pequenos saberes e sabores que fazem toda a diferença quando os utilizamos. Descasquei, debulhei, espremi, bati e misturei ingredientes enquanto ouvia a voz cadenciada da minha avó que explicava, como quem nunca se cansa de explicar, o como e o porquê. O quando e o quanto. O peso, a medida, a forma. Parte desta aprendizagem fi-la praticando mas outra, tanta outra perdeu-se ao longo dos anos na minha memória entretanto cheia de outros sentires, de outros ensinamentos. Encontrar o primeiro livro de receitas da minha avó escrito a tinta permanente, e datado de 1943, começou por me fazer corar – a sério, corei tanto que sentia a cara a escaldar, para logo a seguir perder completamente a noção de tempo. Eram 21h quando a minha filha entrou na cozinha arrastada pelos primos a gritar de fome numa palhaçada própria de crianças pequenas! eu sentada no chão, pernas à chinês, não sei ainda hoje durante quantas horas, devorei aquele manual diário com todas as anotações, todas as receitas, a propósito de tudo, dicas sobre todos os ingredientes, folhas já amareladas, pautadas por uma escrita azul, serena, corrida. Igual à minha dizem para me verem sorrir.
Partilharei convosco, não as receitas que herdámos (a minha mãe, tios e tias, irmãos e irmãs, matar-me-iam se o soubessem) ;) mas os sabiam que? com os quais a minha Avó encheu páginas e páginas que me encantam. Espero que os aproveitem e se divirtam a experimentar ;)

Dica I
Vocês sabiam que
para conservar sal sêco no saleiro, se cobre o fundo deste com papel mata-borrão?

4 Sep 2009


A igreja estava vazia.
O calor insuportável da rua, num ar denso e pesado próprio do mês de Agosto, contrastava com o fresco, quase arrepiante, daquela sala de pedra, com bancos de pau devidamente alinhados e a figura da Virgem ao cimo do altar. Um altar branco, imaculado, sem flores nem ornamentações. Simples. Corrido e comprido, tapado com uma toalha que supus de linho alvo, sem enfeites ou rendas. Fiquei parada não sei quanto tempo. Os meus olhos presos nos olhos da Mãe dos homens. O ar ligeiramente sofredor, ligeiramente esperançoso, um meio sorriso a despontar numa cara de porcelana, sem emoção. Uma mão levemente erguida a outra segurando um bebé que dificilmente terá sido Cristo o Redentor. O Sofredor.
Sempre me intrigaram as explicações que me deram quando criança para as imagens que pontuam nas nossas igrejas católicas. A serenidade apresentada como que uma benesse de conformismo perante o mal que se adivinha e se sabe os homens fizeram, fazem, e continuarão a fazer.
Sorri aquela mãe perante todos quantos partilham o seu espaço, em pedidos e orações e quiçá não atende ainda algumas delas. Sorri aquela mãe de porcelana com o seu filho bebé nos braços numa altura em que sabe, porque as mães sabem sempre, que lho vão tirar. Que lho vão matar.
Ergue a mão numa saudação ao carrasco.
Num adeus ao criminoso.
Miseráveis os homens que nada aprendem com quem está disposto a dar a vida .. por eles. Abençoada a mãe que tudo sabendo consegue continuar assim: impávida, serena, sorrindo, saudando.

A religião é, por vezes, para mim um verdadeiro enigma.
Já a fé, a minha Fé, é totalmente inabalável.

3 Sep 2009

Honor isn't about making the right choices.
It's about dealing with the consequences
(unsourced)

E quem melhor preparado para lidar com as consequências que quem atenta propositada e impunemente contra a honra alheia? Quem difama, inventa, mescla e mascara a realidade? A doença está diagnosticada e chama-se solipsismo. Cura? Penso que ainda não foi descoberta.
Quem se atreve a atentar contra a índole de alguém que dificilmente algum dia conhecerá? Dizia a minha querida Amiga Luisa num postal publicado há uns dias, que tem no seu círculo de pessoas conhecidas e amigas dois tipos de mulheres: pelo que me foi dado conhecer através de comentários aqui deixados, e obviamente não publicados, e de emails recebidos, durante a minha breve ausência, numa verdadeira corrente de fel, com vários ou será apenas uma interveniente?, a propósito de nada, falta um tipo nessa classificação, o qual a minha educação não permite que enuncie publicamente.

Enquanto nos der gozo por aqui andar, respondia, igualmente à Luísa, a propósito do amabilíssimo e sincero comentário de boas vindas que me deixou: e essa satisfação não passa, infelizmente para alguns, por vontades alheias.
Inicia-se um novo ciclo em Outubro para quem acredita nestas coisas: façam algo por vós mesmas. Invistam na vossa vida. Mas de uma forma consistente e interna e não só para bloguer ler. E parem, para bem da vossa sanidade, de me ler. Até porque não é por me agredirem e insultarem que vou parar de escrever o que me apetece neste espaço que é meu. E depois, para realmente me prenderem a atenção, a ponto de me apetecer explorar esta troca de galhardetes com a qual anonimamente me brindam, teriam de ser algo mais inteligentes, com uma escrita mais fina e devidamente articulada, enfim ..
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Confesso-me algo cansada deste tema, e sei que com ele canso igualmente os meus leitores que nada têm a ver com o assunto que já tem barbas brancas, pelo que é a última vez que aqui publicamente abordo esta questão, até porque se há coisa que não consigo compreender é como é que se destila tanto ódio e ressabiamento, visiveis em todos os caracteres digitados mas se continua diária e persistentemente a ler o Twice, Three Times a Lady de forma quase doentia.
A Lady .. ora aí está algo que só nascendo outra vez poderão vir a conseguir ser.

2 Sep 2009

Da janela de um pequeno quarto de hotel, com vista para a Baixa, o amanhecer da cidade iluminada ao primeiro sol. Como numa tela em branco, os desenhos se delineiam: ruas, árvores, colinas, casas, o castelo, o rio. As cores emergem e, num processo vagaroso, a pintura se faz, revelando, sob olhar cuidadoso, uma Lisboa plácida
– Helder Macedo Vícios e Virtudes

Da varanda do meu quarto de férias via o mar. Imenso, com um brilho inacreditável às madrugadoras 6h, hora a que acordei todos os dias num hábito difícil de perder de quem tem, ao longo do ano, de pedir mais tempo ao tempo.
O cachorro ia a passeio, o pão estaladiço e fumegante com um cheiro capaz de fazer matar por, comprado, e o café tomado na esplanada sobre o areal num sossego que não sinto em mais altura nenhuma. Dificilmente, na calma que me rodeava poderia fazer outra coisa que não o que fiz todos os dias, durante tantos que me parecem hoje tão poucos. Descansar. Divertir-me, lambuzar-me de gelados de baunilha e chocolate, andar descalça, pedir peixe grelhado na brasa todos os dias, embrenhar-me em leituras que devorei, partilhá-las com a minha filha, conversar, conversar imenso sobre tudo e sobre nada e encantar-me com o sentir, o partilhar, o estar porque sim. Porque se quer não porque tem de ser ou porque alguém assim o espera. É bom. É, diria mais, fantástico, quando a nossa vida é tão a vida que sempre quisemos e ao fim e ao cabo nem tivemos de fazer qualquer coisa fora do normal para que assim seja.
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Obrigada Verão. Obrigada Mar.
Eis-me pronta para outro ano. Outras surpresas, conquistas e vitórias. Sorrindo. Não pela certeza de sucessos mas pela intuição que conseguirei. De novo.
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Aqui outra rentrée ;)
Que a vossa seja como pretenderem que seja.