30 Oct 2009

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Começou ali ao lado a votação para o melhor texto sujeito ao tema Na Minha Terra Come-se Bem para o qual contribui com este que fala de tudo menos de receitas ! ;).
Felizmente fui a única portanto, entre receitas de ficar a aguar e curiosidades partilhadas por quem conhece bem a gastronomia da sua terra, há de tudo um pouco, acompanhado por umas imagens apetitosas e em presença de anfitriões de uma simpatia extrema. Ide, deliciai-Vos e Votai :)

Por aqui vamos por em prática o velhinho ditado quem quer vai, quem não quer manda!
Nice week-end to you all ;)
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28 Oct 2009

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O Carlos, do alto do seu rochedo, em crónica alegre e bem-disposta dardeja certeiro aqui ao Once que, ágil e de um salto, orgulhoso e vaidoso de prémios que eu sei lá ;) lhe apanha a seta colando-a e pedindo para re-decorar todo o espaço, o esquisito!
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Obrigada Carlos, pela lembrança e pelo que significa: Um blogue onde se aprende algo todos os dias parece-me de um exagero imenso, fruto de um amiguismo condenável em meios políticos, mas que por aqui, no meio das linhas da vida que vou cosendo (e por vezes descosendo) em vossa companhia, é não só de uma agradabilidade extrema como muito a propósito da função de professora que assumo na vida, a par com a de aluna.
Nomear doze blogues merecedores do tiro parece-me contudo tarefa difícil: há muito que apelidei os meus companheiros da barra lateral de Reading & Learning, o que significa que considero aprender algo diariamente com todos eles. Ainda que por vezes concorde. Ainda que por vezes discorde ;)
Mas, como nestas e em outras coisas gosto pouco de furar regras, aqui ficam os doze mais de entre tantos que são tão igualmente mais, (política eu, agora .. !)
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A Barbearia do Senhor Luís
Bandeira ao Vento
Bibliotecário de Babel
O jardim e a Casa
A senhora socrates
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Que todos se mantenham por companhia, neste mundo que de virtual tem cada vez menos.
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27 Oct 2009

interpretações (vii)

A fotografia é de LB nos seus Outros Olhares,
um privilegiado de alma na lente :)
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E às vezes pergunto-me e pergunto-Lhe se é para estar sozinho Deus Meu porque que me deste um coração? Porque me deste estas sensações que tento sufocar na água que brilha, porque me fizeste pensante e pungente, porque me deste a paixão e me ensinaste a calar a cobiça.

Porque me fazes carregar a cruz da solidão, tu que carregaste A dos pecados do homem sem um lamento, sou nada perto de ti e nada parecido contigo pelo que o à semelhança não se concretizou neste teu pequeno ser, aceita um conselho de alguém que acha poder dar-to e desiste! Porque me obrigas a vir mirar-te no espelho indiferente destas águas que passam cálidas e me pedes para tudo questionar e mais outro tudo ainda e sobretudo concluir que quase nada me dás nas respostas que te peço. Respostas. Preciso de respostas.
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Se é para estar sozinho Deus Meu, se é para me sentir assim quase invisível, se é para nada ter por onde começar, nada para escrever, construir, nada para deixar, porque me fizeste?

Para que me fizeste?
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26 Oct 2009

upclose

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Casa de vidro é um filme mediano. Duas crianças que ficam órfãs são acolhidas por um casal supostamente amigo e de puras intenções. Não eram. E as intenções por muito que se revistam de grandes palavreados sonoros e sensíveis dificilmente são puras.
Vi-o sem grande atenção, confesso, perdida em outros pensamentos. Aqueles que me assaltam sempre que estou prestes a tomar uma decisão. Pondero, penso, elaboro cenários de consequências, esfrangalho-as e vejo-me em cada uma a decidir de novo como reagir. Há experiências que nos preparam para a Vida. Assim sonante e com capital letter. Há outras que apenas servem para nos desviar do caminho, fazer um balanço, pensar um pouco, perder tempo.
Nem tudo o que nos acontece nos prepara para quando voltar a acontecer é certo, tendo eu esta teoria redonda que as coisas são quase sempre as mesmas e têm a importância que lhes damos.
Nem mais nem menos.
E se é possível aprender com os erros, como dizem os sensatos que até parece nunca erraram, também é muito cá da casa a teoria, mais quadrada desta vez, que os erros, são invariavelmente os mesmos. E a capacidade de não sofrermos tanto numa segunda ou terceira vez tem precisamente a ver com a inexistência do factor surpresa. Portanto, tantas linhas para dizer menos que nada, e eu perdida em cogitações, menina aventureira ainda de caracóis ao vento dentro de mim, que aos porquês da vida gosto de responder com E porque não? para desespero de quem me interpela.

Há experiências que nos preparam para a vida.
São aquelas que mais tarde recordamos com um sabor doce ou azedo, de lágrima nos olhos ou sorriso nos lábios. Ou ambos.

Depois há as outras. Aquelas que temos de viver.
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PS_1
E como diz a princesa lá de casa .. às vezes pergunto-me com quem terá aprendido? ;) .. gosto tanto da nossa Vida, Mamã!

PS_2
.. sim, eu sei que aquele pronome em breve vai deixar de ser conjugado na 1ª pessoa do plural :)
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Life is wonderful indeed (continuo neste registo enjoativo, mas que querem?) *
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23 Oct 2009

.. desejo-Vos um excelente fim-de-semana :)



"Nós por cá" ;) vamos .. fazer planos!
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22 Oct 2009

weighing up


Imagem retirada da net _

Encontrei-os há dias na escola de equitação da princesa. A filha, já com dezasseis anos, concorre aos Nacionais pela primeira vez este ano, a minha prepara-se para o primeiro exame de sela, coisa pomposa que lhe vai valer a participação em provas de dressage a partir de Dezembro.
Há alguns anos que não os via. Continuam iguais a si mesmo, bem-dispostos, amigos, como o provou o abraço em que fui envolvida, e acima de tudo, juntos.
Tenho pelos casais que superam as intempéries, uma verdadeira admiração. E tenho, porque não tendo conseguido manter o meu casamento, considero que aqueles que se aturam ao fim de vinte ou vinte e cinco anos, contra tudo e acima de tudo contra todos e todas, são de laurear, admirar e respeitar, numa altura em que a realidade que nos cinge é a do usa e deita fora ou se preferirem toca e foge.

Gostei de os ver. Relembrámos uma altura das nossas vidas em que partilhámos tanto que parecia impossível que nos separássemos, como acabou por acontecer. Pelos casamentos, pelas mudanças de casa, de vida, de emprego, pelo nascimento dos filhos. Caminhos muitas vezes paralelos, outras em direcções opostas que a vida se encarrega de juntar de quando em vez como um mimo, uma prenda.

E gostei acima de tudo de voltar para casa com a sensação que estou no caminho certo.
Acreditando que a brick a day, suado e por vezes sofrido, ou entre gozos e gargalhadas, ou de outra forma qualquer mas acima de tudo com honestidade, lealdade e outras não necessariamente terminadas da mesma forma ;), faz mais pela vida de um casal que todas as palavras mansas, rebuscadas .. (bla, bla, bla com evidentes confusões entre de’s e em’s + a’s)

Mas, e como tenho a mania de dar sempre a volta à situação por mais adversa que se me apresente, acabei a pensar que não tendo passado por tudo o que passei não saborearia hoje o que tenho desta forma intensa, que penso ser a única em que vale a pena apostar. Porque para coisas morninhas tenho sempre a manta do sofá, todo para mim, onde posso regressar.

Posso, porque agora não quero. Isn't life wonderful? Yes, it is. ;)
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21 Oct 2009

commitment

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Fotografia da net
as long as we wish and we wish it long ;)
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20 Oct 2009

alinhavados

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desconcertante este senhor Alfaiate
sem medidas, lápis atrás da orelha ou giz de marcar na mão ;)
desconcertante mas .. viciante.
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Territórios de Caça

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Acompanhei-lhe a escrita durante algum tempo há muito tempo. Agora soube aqui que o livro, cujos episódios on_line me encantaram na altura, foi impresso, tem capa, e vai ser apresentado no próximo dia 9 na Bertrand do Chiado.
Parabéns, Caro Luís Naves. E .. venham mais!
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19 Oct 2009

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Inicia-se a menina lá de casa nas artes da culinária. De sorriso enfarinhado e avental maior que si mesma, afinca-se no manuseio das facas que cortam rente e dos temperos. Em cima do parapeito da janela da cozinha, a mesma que já se pinta de tons outonais não fazendo grande caso das temperaturas de Verão, alinham-se os vasos carregados de tomilho, orégãos, manjericão, salsa e coentros, e uma já cheirosa alfazema. A princesa aprende a retirar os que estão maduros para tempero, cortá-los finos depois de lavados, e espalhá-los com conta peso e medida, deixando as minúsculas folhas soltarem-se dos dedos, inundando o ar com um cheiro agradável e apetitoso. Algumas gotas de limão, tomate cortado em pequenos cubos e cebolas a estalar em lume brando, que alouram e salpicam, a carne em cubos e um grande testo a tapar a frigideira do petisco. Ao lado, em lume muito baixo para não pegar, ferve um arroz lavado e escorrido, com pequenos pedaços de alho desfeitos com a palma da mão, um generoso fio de azeite e uma pitada de sal. A sobremesa? Maçãs assadas no forno, cobertas de açúcar amarelo, e envoltas em papel vegetal como sempre vi a minha avó fazer.

Limpa as mãos a princesa e esfrega-as com creme. Arruma o avental dependurado por detrás da porta da despensa. Limpa o balcão da cozinha, pega nos individuais e coloca os pratos, talheres, copos e guardanapos. Para a mesa, menina, chama-me a rir à gargalhada.

Felicidade?

Eu já referi, mas estou repetitiva. São os momentos. Os pequenos e deliciosos momentos que partilhamos.

PS_ estava excelente o petisco. It runs in the family .. ;)
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16 Oct 2009

Poverty? Yes, indeed.


Children sleeping in Mulberry Street (1890)
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Já deixámos escoar mais de um século como areia entre os dedos.
Não acredito que tenhamos muito mais tempo para provar que somos capazes de resolver esta questão.
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15 Oct 2009

Blog Action Day 2009

A iniciativa não é minha.
É destes senhores, esforçados e preocupados que assim a toque de um click e alguma imaginação nos arrastam a consciência em frases como are you as caring as we think you are?
I am. So .. here it goes :)
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Carta de um Futuro que podemos evitar. E devemos.
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Sonho cada vez mais com elas.
As bolas de sabão que a minha tataravó Catarina descreve nos imensos cadernos que deixou escritos, tantos, dizia a minha avó, que lhes perdera a conta. Hoje tenho um comigo. Apenas um forrado a um tecido resistente que não sei como se chama de uma cor que não sei explicar. Leio vezes sem conta registos simples e cheios de sentimento do que foi a vida do antes. E antes de quê, perguntam-me aqueles que espero um dia me possam ler. Antes de o homem ter decidido assumir-se como controlador de uma natureza que existiu muito antes dele e continua a existir independente da nossa vontade. Hoje, contra a nossa vontade. E de a ter maltratado, ignorado, usurpado. Ignorado. Tal como hoje ela faz connosco. Os que sobreviveram.
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Não me vou alongar em juízos.
A folha de papel que tenho nas mãos é algo único por aqui e muito pequena. E o lápis não mais que um toco com que me esforço por deixar registo. Tenho 30 anos. A minha pele é seca e sulcada, e o meu peso não deve chegar aos 40 kg. Não há comida em parte alguma do planeta e o que foram biliões e biliões de habitantes são hoje pouco mais de milhares, concentrados a sul de um globo, cansado e deformado, dado que a parte norte está totalmente congelada e inacessível. Não temos como nos aventurar na procura do bem inestimável: a água. O que não deixa de encerrar alguma ironia. Hoje em dia quase ninguém sabe o que é um rio e acho que mar é palavra totalmente desconhecida, mas dizia eu, a água é um bem mais precioso que as 120kal por dia que comiam os refugiados em campos protegidos no tempo da minha tataravó (li isto num dos textos dela, e desejei com todas as minhas forças ser um deles).
As pessoas que me rodeiam (vivo numa comunidade de cerca de 300 indivíduos) arrastam-se, esgravatam a terra com as unhas, negoceiam a vida dos filhos que vão conseguindo ter, na maioria crianças desfiguradas e com minúsculas hipóteses de sobrevivência, e dos poucos animais resistentes, porque fruto de mutações horríveis que os tornam assustadores, indomesticáveis e intragáveis, em troca de uma palmeda (massa confeccionada com barro lodoso e pequenas bagas que suponho venenosas dadas as reacções que provocam), algo parecido com o pão de antigamente, acredito.
A maioria das mulheres são estéreis e a esperança de vida ronda os 45 anos, os homens morrem invariavelmente mais cedo, vergados ao peso dos ossos que não conseguem revestir, sem esperança nos olhos baços.
Penso que dentro de uns dez anos não haja ninguém nesta nossa comunidade. Não estamos em contacto com as restantes que sabemos existem. Não temos forças para percorrer os quilómetros imensos que nos separam, mas acredito que a situação é esta por todo o lado. É confuso viver com um limite tão imposto mas se vos confessar que na maioria dos dias preferia desaparecer, não estou a exagerar.

Tudo começou numa altura em que aos avisos sobre a modificação da natureza, sobre aquecimento e o degelo, os homens responderam com ignorância e intelectualidades do género desde que me lembro que há muito frio e muito calor ou isto da alteração climatérica é mais um tacho para elites, etc e tal (vale-me o caderno que herdei para perceber o que realmente se passou porque a maioria acredita que se tratou de um ataque nuclear em 2075).
Gostava que um deles fosse ainda vivo hoje para perceber até que ponto tal negligência, quase criminosa, influenciou o seu futuro. O nosso presente.
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O meu único consolo? Conseguir ler e escrever (sou das poucas, posso garantir e valeu-me uma mãe apaixonada pela letra escrita em barro ou no caminho poeirento, que trauteava canções enquanto percorria os 50km que nos separavam da busca por melhores condições quase todas as semanas) numa altura em que a maioria da população não consegue verbalizar uma palavra simplesmente porque não se consegue levantar da condição de animal rastejante para onde nos atiraram as gerações que nos antecederam.
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Sonho cada vez mais com elas.
Bolas de sabão coloridas, a brilhar ao sol, coisa que hoje não existe (encontrei no meio do caderno, várias fotografias coladas, algumas em locais que me ferem a vista de tão inacessíveis.)

A penumbra envolve o planeta como se estivesse sempre quase a escurecer. Uma coisa é certa: ninguém tem medo do escuro por aqui e às horas tardias é quando conseguimos reparar um telhado de troncos ou partir em busca de terra ainda não esgravatada na tentativa de encontrar um fio de água. Quando tal acontece mastigamos aquela terra húmida durante horas. E digo-vos que é um dia melhor, esse. Durante a maior parte do tempo a temperatura é altíssima, insuportável, ou então gelada de cortar a respiração e provocar morte quase instantânea.

Teria sido simples deixarem-nos ver o sol, sabem?
Bastaria terem acreditado.

Terem agido. Terem respeitado. Terem investido.
Se toda a nossa vontade em sobreviver, por mais um dia, pudesse alterar o passado.

Se.

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14 Oct 2009

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Achar que a palavra passa a verdade absoluta porque a escrevemos é um princípio errado de sentirmos a nossa vida, os nossos sentimentos, os sentimentos que despertamos nos outros ou aqueles que os outros acordam em nós.
Não é por se escrever que a realidade acontece.
É por se sentir, por se dizer, por se sorrir ou chorar, por se gritar e até pelo silêncio que por vezes nos invade quando nos mexem no cabelo.
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Trust me .. I know.
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is there still a doubt somewhere? better not.

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13 Oct 2009

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Mummy, chama a princesa meigamente, tocando ao de leve com dois dedos no caderno que acabei de forrar a amarelo. O tecido é um brocado antigo tingido, com laivos de laranja e de tempo, do tempo que passou fechado no baú dos atoalhados, convivendo em perfeita sintonia com a toalha do meu baptismo, bordada com as minhas inicias pela avó paterna, e com o véu, já algo amarelado do meu casamento. Mummy? Interroga-me olhando a obra, orgulhosa, folheando este novo caderno feito de velho, ainda sem letras, linhas aprumadas e direitas, vantagem da tipografia, sem emendas, rasuras, anotações laterais ou marcas de folhas dobradas, maltratadas. Gostas, pergunto-lhe, vendo-a sorrir, ao que responde, muito, ficou perfeito mamã, só lhe falta uma coisa, menciona de sobrolho alçado e os grandes olhos castanhos em sorriso aberto. Ai falta returco achando que se refere à data, há sempre uma data nos meus cadernos, a data em que os inicio nunca sabendo quando os vou terminar. Falta sim senhora, assegura-me já meio a brincar, encavalitada na cadeira da mesa da sala e com o caderno ao colo, acariciando a capa que me parece ver de um amarelo mais vivo agora perdendo aos poucos a tristeza do antigo. Do abandono.
Falta o conteúdo mamã, remata airosa a princesa pioneira de um reino sem rei. Falta o conteúdo, repete, abrindo-o ao meio e entregando-mo assim aberto, as mesmas linhas direitas ainda sem nada, na certeza que em breve, ali lerá. Em breve.
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12 Oct 2009

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Os teus textos invadem a alma das pessoas sem incomodar, escreve-me uma doce e meiga amiga, mulher de vida dura feita, que conheci há muitos anos, tantos que nem me lembro quando. Amiga por quem tenho uma admiração imensa, por tudo o que com ela aprendi e aprendo, por tudo o que sei viveu e vive. Amiga de quem gosto muito.

Acho que posso arrumar as canetas e os lápis afiados que mantenho em cima da mesa da sala onde escrevo. Posso apagar o candeeiro tão cansado quanto os meus olhos de horas e horas de trabalho e escrita, leitura e escrita e trabalho. Posso guardar na gaveta os cadernos, tantos cadernos que estou certa um dia alguém encontrará, todos encadernados em capa grossa de tecido como aprendi a fazer com a minha avó em tardes de inverno passadas entre linhas e fitas, tecidos e cores, livros e capas, restaura, cola, forra, sorrisos de vitória pelo trabalho conseguido e bem feito. É o mote da minha vida este; Conseguir e bem fazer.

Invado sem incomodar qual conquistador sem espólio ganho ou roubado. Que mais posso querer, pergunto-me de sorriso ao ler-lhe o comentário, que mais posso almejar que esta serenidade de alguém que se diz dependente dos textos que deixo aqui e ali, e assim os qualifica. A alma. De escritora? Longe disso na vertente comercial da palavra. Mas se me falarem em paixão pela escrita, pela palavra, nacional ou estrangeira, traduzida ou não então confesso-me desde já culpada. E até sei qual a minha pena.
Acho que dificilmente receberei elogio mais significativo. Pelo que encerra. Pelo que representa. Pela importância que dou a tudo o que faço.
Invado. Mas não incomodo. :)
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9 Oct 2009

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Começa amanhã ali ao lado, na Aldeia da Minha Vida, um dos melhores blogues que me é dado a conhecer neste mundo un-virtual ;) mais uma iniciativa para a qual, as Organizadoras simpáticas e incansáveis me voltaram a convidar.

Ide e votai, ou ide sem votar, garanto-Vos que vai valer a pena ler tudo o que por lá vamos ortografar, desta vez com cheiro a pimenta e manjericão ;) *
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Estava eu a tratar das flores para a Igreja. A escolher pessoalmente o que deveria ser entregue e onde, as do restaurante para decorar as mesas em tons mais suaves, sem grandes folhas, os pequenos arranjos de centro de mesa que não tenham um cheio muito intenso, enfim, minudezas e pormenores a que gosto de me entregar e em conversa sussurrante com a Dª Amélia, florista de sempre do Mercado da Ribeira. Mercado de sempre.
Ele entrou e pediu um grande ramo de margaridas e um pequeno de rosas pálidas, rosa claro desmaiado. Vi a expressão da Dª Amélia endurecer, cumprimentar secamente e despachar-se naquelas mãos calejadas e cheias de pequenos golpes de tesoura, a preparar os ramos, arranjos e pedidos especiais. Na entrega de olhos baixos, não se deixou encantar pelo sorriso estranho do homem, algo estranho o sorriso, e despachou-o com um até sem próxima, sem bom fim-de-semana, sem nada.
Levantou os olhos para mim e respondeu à minha muda interrogação namora com a mãe, leva sempre flores para ela e imagine, para a filha que ainda é uma criança! Não acho bem, não acho nada bem, queira Deus que, deixando a frase incompleta, assim a meio, benzendo-se de seguida, abanando a cabeça na reprovação e deixando-me a pensar.
A pensar profundamente.
Tão profundamente que já tinha as encomendas no carro e ainda ali estava, encostada à porta de madeira, envolta no cheiro enjoativo de flores que também já recebi, algumas que ainda recebo.
Queira Deus ..
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Está Sol, pelo menos aqui pela beira Tejo sobre que tão bem escreve a Patti na crónica de hoje, bem mais feliz que o texto que por aqui deixo que ainda agora me pôs de novo a pensar, portanto, Caros Amigos, tenham um excelente fim-de-semana * De Sol *
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8 Oct 2009

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"We can easily forgive a child for being afraid of dark.
The real tragedy is when a man is afraid of light. "
Platão
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7 Oct 2009

under no circumstances

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Estás a ir embora não estás?
Eu sinto. Sinto a tua ausência ainda que presente, o ar alheado a falta de entusiasmo. Sinto a necessidade de te interpelar de três em três minutos ainda que só raramente, muito raramente, receba um aceno de cabeça sinal que me ouviste. Será que me ouviste? A forma como lês distraidamente o jornal de manhã já não é a forma como lias distraidamente o jornal de manhã, comentavas as notícias, pedindo a minha opinião, ouvindo interessado as minhas extrapolações e rindo da minha utopia. Era interessada a forma como o fazias parecendo interessado? As crianças já não te encantam, estás sempre de saída apressado e sem paciência, os programas são cancelados e adiados e já nem te esforças por pedir desculpa. Eram sentidas as desculpas que davas antigamente? Ou eram meras invenções de uma mente que está sempre longe demais, insatisfeita, inacessível?
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Estás a ir embora não estás?
Eu vejo, eu sinto, falas em sinais, tu que gostas de dan brown escritor que não consigo ler, lembras-te da discussão que tivemos depois de me teres obrigado a ler o livro dele, lembras-te como te espantaste com as minhas conclusões e interpretações, lembro-me de quando me disseste que tinhas sorte por poder partilhar a vida com uma mulher como eu. E agora? Em jogo de roleta cega saiu-te outra? Mais inteligente, mais formosa, mais velha, mais nova? Que procuras afinal que assim que encontras, abandonas, pergunto-me em noites que ainda te espero. Que ainda espero.
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Estás a ir embora não estás?
E eu, quase certa nas conclusões que vou tirando de tudo o que não dizes, de tudo o que não explicas, acabo por acreditar nelas simplesmente porque tu não me dizes outra coisa que não seja o silêncio. E o silêncio pesa mas é fecundo, cheio de palavras e de intenções, imagens e sentires. Ou ausência deles.
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Estás a ir embora, não estás?
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6 Oct 2009

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Há coisas que por mais que me esforce parecem-me sempre inacabadas, incompletas, mal-amanhadas.
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2 Oct 2009


.. a teoria está sabida. A prática não nos amedronta. Se eu não voltar na 3ª feira, podem começar a procurar nos hospitais mais próximos, por favor? (risos)
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Vamos experimentar! E como dizia ontem a menina lá de casa, para quem fez o baptismo que fizemos de heli ;) isto não deve ser muito dificil! (confesso que tenho as minhas dúvidas mas vou estragar a diversão? nem pensar .. )
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Bom fim-de-semana a tutti *


1 Oct 2009

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Isto de respeitar as lições e conselhos de Saint-Exupéry cansa, afadiga, apressa e por vezes atormenta. E não me julguem mal no sentido de aqui decifrarem alguma queixa, reclamação, exigência, protesto ou vindicação .. acho que nem chega a ser um murmúrio.
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É simplesmente uma constatação.
Digamos que um libelo de barriga cheia.
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