9 Oct 2009

Estava eu a tratar das flores para a Igreja. A escolher pessoalmente o que deveria ser entregue e onde, as do restaurante para decorar as mesas em tons mais suaves, sem grandes folhas, os pequenos arranjos de centro de mesa que não tenham um cheio muito intenso, enfim, minudezas e pormenores a que gosto de me entregar e em conversa sussurrante com a Dª Amélia, florista de sempre do Mercado da Ribeira. Mercado de sempre.
Ele entrou e pediu um grande ramo de margaridas e um pequeno de rosas pálidas, rosa claro desmaiado. Vi a expressão da Dª Amélia endurecer, cumprimentar secamente e despachar-se naquelas mãos calejadas e cheias de pequenos golpes de tesoura, a preparar os ramos, arranjos e pedidos especiais. Na entrega de olhos baixos, não se deixou encantar pelo sorriso estranho do homem, algo estranho o sorriso, e despachou-o com um até sem próxima, sem bom fim-de-semana, sem nada.
Levantou os olhos para mim e respondeu à minha muda interrogação namora com a mãe, leva sempre flores para ela e imagine, para a filha que ainda é uma criança! Não acho bem, não acho nada bem, queira Deus que, deixando a frase incompleta, assim a meio, benzendo-se de seguida, abanando a cabeça na reprovação e deixando-me a pensar.
A pensar profundamente.
Tão profundamente que já tinha as encomendas no carro e ainda ali estava, encostada à porta de madeira, envolta no cheiro enjoativo de flores que também já recebi, algumas que ainda recebo.
Queira Deus ..
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Está Sol, pelo menos aqui pela beira Tejo sobre que tão bem escreve a Patti na crónica de hoje, bem mais feliz que o texto que por aqui deixo que ainda agora me pôs de novo a pensar, portanto, Caros Amigos, tenham um excelente fim-de-semana * De Sol *
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