12 Oct 2009

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Os teus textos invadem a alma das pessoas sem incomodar, escreve-me uma doce e meiga amiga, mulher de vida dura feita, que conheci há muitos anos, tantos que nem me lembro quando. Amiga por quem tenho uma admiração imensa, por tudo o que com ela aprendi e aprendo, por tudo o que sei viveu e vive. Amiga de quem gosto muito.

Acho que posso arrumar as canetas e os lápis afiados que mantenho em cima da mesa da sala onde escrevo. Posso apagar o candeeiro tão cansado quanto os meus olhos de horas e horas de trabalho e escrita, leitura e escrita e trabalho. Posso guardar na gaveta os cadernos, tantos cadernos que estou certa um dia alguém encontrará, todos encadernados em capa grossa de tecido como aprendi a fazer com a minha avó em tardes de inverno passadas entre linhas e fitas, tecidos e cores, livros e capas, restaura, cola, forra, sorrisos de vitória pelo trabalho conseguido e bem feito. É o mote da minha vida este; Conseguir e bem fazer.

Invado sem incomodar qual conquistador sem espólio ganho ou roubado. Que mais posso querer, pergunto-me de sorriso ao ler-lhe o comentário, que mais posso almejar que esta serenidade de alguém que se diz dependente dos textos que deixo aqui e ali, e assim os qualifica. A alma. De escritora? Longe disso na vertente comercial da palavra. Mas se me falarem em paixão pela escrita, pela palavra, nacional ou estrangeira, traduzida ou não então confesso-me desde já culpada. E até sei qual a minha pena.
Acho que dificilmente receberei elogio mais significativo. Pelo que encerra. Pelo que representa. Pela importância que dou a tudo o que faço.
Invado. Mas não incomodo. :)
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