23 Nov 2009

soul strip (I)

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Há imensas diferenças que temos de gerir. Os credos, as cores, o gostas de tourada? Ou a literatura, os gostos cinéfilos, e os gastronómicos, os temperos apurados ou não? a roupa espalhada, calças vincadas? e os livros desarrumados, o lado da cama e a água, fresca? Natural? Com gelo? A vida de duas pessoas pauta-se por um entendimento tácito por vezes pouco verbal, argumentativo, por uma consciência da decisão tomada e a alimentar, de corpo e coração e cabeça na sentença, porque para ser de outra forma qualquer falta-me a ilha e a cabana.
De romântica incurável à custa de dois erros que repeti até à exaustão passei a romântica sem nervos (os quarenta dão-nos aquela mescla de serenidade fogosa que ao fim e ao cabo nos protege também ;), sem ânsias e com muita expectativa e esperança naquilo que acredito serem as decisões tomadas. Porque a parafernália de opções continua aí ao virar da esquina, mascarada de sedan’s luzidios e cartões de crédito com plafonds criminosos, palavras caríssimas arrancadas a um thesaurus que infelizmente não traz dicionário; ou seja, most of the time, more shadow than substance.
O resto, o enorme e imensurável resto, o querer estar porque sim e procurar estar porque se quer é outra conversa, ou outros 500 como dizia a minha avó paterna, mulher da beira, pragmática, e para qualquer decisão neste sentido há uma característica fundamental que ou se tem, ou posso garantir que já não nasce: o respeito.

Mais que o amor, a atracção física essencial, fundamental, os planos para um futuro que se acha sempre para sempre, a escolha das mobílias e dos copos da cozinha, a decoração do quarto das crianças e o sofá de pele com que sempre se sonhou, o cheirar bem da boca, e o comer com todos os talheres, há o respeito. E com ele o entendimento das palavras compromisso e lealdade.
E quando existem e são sentidos e partilhados, estão alicerçadas as bases para que tudo a que nos propomos dê os seus frutos. Colheitas. Não é a vida feita de colheitas? Até há um ditado a propósito.

Quando não, continue lá a despejar a banheira com a colher de sopa para ver se alguém se importa .. ;)

És uma sortuda, atiraram-me no outro dia à laia de mescla entre a inveja saudável e legítima e outra coisa qualquer que identifiquei em fundo.
Sou. Mas acima de tudo sou uma crente.
E isso não quer dizer nada mais que uma grande confiança no que sou capaz de quando tenho a sorte que tenho tido de me deparar com pessoas de bem. Nada mais, mesmo.
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