11 Dec 2009

Carrega uma negatividade que durante muitos anos me magoou para lá do ponderável este dia 11 de Dezembro. Com a diferença de alguns anos perdi a minha Avó, a minha guia, conselheira e amiga .. e o meu Pai, Homem de Beira feito, conservador e justo, educador e acima de tudo “ensinador”.
Lembro-me que durante muito tempo passei por cima do dia como zombie, não me lembrando, ou fazendo por não me lembrar deste dia específico como se fosse possível adormecer a 10 e acordar a 12 sem ter a noção que aquelas 24 horas haviam sido vividas, recordadas, lembradas, sofridas. Fazia de tudo para que nada de extraordinário acontecesse neste dia. Nada mesmo. Para que um dia mais tarde, um ano mais tarde ou vários, não tivesse de o recordar por outras razões que não fosse a que queria esquecer.
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Tive algum sucesso neste meu propósito até ao dia 11 de Dezembro de 1996. Os enjoos haviam começado há algumas semanas, havia um pequeno atraso, muito pequeno, naquele calendário que todas as mulheres conhecem, e sem querer esperar mais fui à farmácia e comprei um teste de gravidez entre o divertido e o ansioso.
O resultado vocês sabem qual foi. No dia 11. De Dezembro. Acho que este acontecimento, que poderia ter acontecido em outro dia qualquer no mês antes ou a seguir me reconciliou com a minha raiva, a minha revolta, o meu não entender, não querer entender a partida tão precoce da minha Avó. Lembro-me, porque durante os anos seguintes me quis lembrar, que nesse dia entrei pela primeira vez numa Igreja, depois de a ter abandonado, e rezei. Pela minha Avó. Depois por mim, pela minha família, e pelo filho que tinha acabado de saber trazia dentro de mim. Dois anos mais tarde repeti o ritual desta vez pelo meu Pai. E por muito revoltada que estivesse naquela altura, lembro-me de ter pensado neste mesmo dia dois anos antes, na alegria sentida naquela Igreja sozinha, e quase, quase, conseguir entre lágrimas, pressentir o sorriso franco do "velhote" contente por ter conhecido a neta, conformado numa partida que parece sempre cedo demais, deixando-nos a nós, filhos, a herança de continuar. Sempre em frente. Jamais desistir.
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A morte, principalmente, de quem amo? Não a entendo. Mas “fui forçada” a aceitá-la.
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Desejo-Vos um sereno fim-de-semana, se possível à beira de uma lareira *