29 Jan 2010

Tal e qual. Incompreensivelmente na mesma.

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bom fim-de-semana *
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28 Jan 2010

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when you judge the others you are not defining them
.. you’re defining yourself
Wayne Dyer
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Foi usada aqui pela primeira vez esta frase. Num postal antigo, a propósito de um desafio lançado por alguém de quem tenho deveras muitas saudades :) mas o que me faz trazê-la de novo à vida é a diferente percepção que tenho hoje do que a mesma significa.
Se na altura a postei para me definir, hoje acho, por tudo o que me rodeia que percebo e por tudo o que me rodeia que não quero perceber, que o melhor mesmo nesta coisa de julgamentos, opiniões caústicas, postas de pescada e afins .. é o silêncio.
Esse mesmo. O de ouro.
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Sorry Mr. Dyer.
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explained!


Que vantagem têm os mentirosos?
A de não serem acreditados quando dizem a verdade
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Aristóteles

27 Jan 2010

Por causa do que li aqui (Obrigada, Caro Tomás) que me levou a ler o que se escreveu aqui, fui buscar este meu texto, já antigo, não fruto de experiência pessoal (como se alvitrou na altura da sua primeira publicação) mas fruto de algo que não entendo.
Como puderam?
Como?
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A carruagem avançava em marcha lenta, penosa.
O cheiro a pessoas e bichos era insuportável no espaço pequeno e abafado. Um cheiro que a faria vomitar houvesse algo no estômago há muito vazio.
Sentada, muito apertada, junto à janela perdia-se na paisagem que passava devagar lá fora. Campos outrora cultivados de verde e amarelo de onde certamente lhe acenariam e sorririam ceifeiras de lenço garrido na cabeça. Tractores brancos e vermelhos a lavrar as grandes extensões, preparar a terra para o cultivo dos cereais, cereais pão. Coisa tão rara que lhe havia esquecido o sabor. E animais no pasto, um pasto verde para vacas, ovelhas, cães pastor em alegres correrias. Tão diferentes dos que agora pendiam em trelas e coleiras nas mãos daqueles guardas.
Um pasto verde onde agora tudo era negro, seco, fumegante e desolador.
Certamente teria sido assim. Decerto que aqueles campos de passagem, à sua passagem para um destino incerto e sem futuro, já haviam sido dourados de seara pronta ou vestidos de verde-milho. Acreditava nas histórias que o avô lhe contava sobre o mundo antes deste mundo. Não era perfeito, como ele sempre frisava, mas era livre, verde, havia terra para cultivar, escolas para aprender, pão na padaria e carne no talho. Por vezes, contava ele, o pai e a mãe tinham de se sacrificar para que a comida chegasse para ele e para os irmãos. Ela gostava de ter tido assim uma família. Mesmo em sacrifício. Prendia-se, como que à força e para nada esquecer, em todos os detalhes da narrativas. Que herdava do irmão mais velho os calções e os sapatos. Que quase sempre levava pão e leite na merenda da escola. E custava-lhe a acreditar que houvesse naquela altura um céu azul, um mar para tomar banho no Verão, matas onde se podia brincar, pessoas e carros e crianças nas ruas .. sem medos. Impossível, uma vida sem medo. O avô contara-lhe esta história vezes sem conta. Tantas quantas as que ela lhe pedia. E os seus olhos cegos pareciam brilhar à luz da pequena vela de cada vez que começava com quando eu era pequeno .. ela embevecida, sonhadora, embalada pela voz quente e meiga do avô que não conseguia imaginar menino, embarcava para um mundo desconhecido, pouco provável, muito pouco real. O mundo em que o avô havia vivido não era o seu. Quem sabe um outro planeta, chegou a acreditar.
.. a carruagem avançava numa marcha lenta, penosa. Lá fora, no céu negro e sem luz, pássaros enormes, para os quais não tinha nome sobrevoavam em circulo o gradeamento que viu abrir-se à sua frente. Um gradeamento pesado, electrificado e guardado por coisas iguais aos gorilas que via no único livro que ainda tinha. Desceu, trémula, os enormes degraus, deparando-se-lhe uma multidão igual a si mesma. Olhos encovados, faces escanzeladas, bocas de fome. Roupas rasgadas, descalços. Milhares de mulheres. Centenas de crianças. Uma enorme tabuleta gritava em letras vermelhas o nome daquele inferno.
Auschwitz.. oxalá o avô tivesse chegado ao fim da história.
Contado como acabara aquele mundo onde ela gostaria de ter vivido.
Talvez pudesse, de alguma forma, perceber o sentimento que lhe dizia ter o seu acabado também.
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25 Jan 2010

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Ele nada tinha para lhes dar, mas elas insistiam em receber
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.. fantástico conto! Gostei muito Sofia :)
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Acordar às 3 da manhã com uma gritaria na escada do prédio é banal. E é-o porque infelizmente as pessoas perderam o decoro, a intimidade, e uma discussão de porta aberta com ligeiros ruídos de outras portas a abrir para melhor ouvir é certamente motivo de demorada conversa de café nas manhãs e tardes seguintes. Do parece impossível até ao já viram esta pouca-vergonha, expressão que, a propósito, nunca entendi, entre perguntas sobre se será melhor chamar a policia, antecipando gulosamente o tchanam que isso causará, às lamurias dos mais velhos e aos choros das crianças acordadas em sobressalto, tudo serve para uma noite que, de sono pacificador passa rapidamente a insónia.
E quem estava profundamente adormecido à hora em que todos deveriam estar profundamente adormecidos, desengane-se se pensa que uma almofada na cabeça chega para o poupar a tal devaneio. Depois da discussão de porta aberta, coisa que começou por demorar umas duas horas e hoje em dia, felizmente ou porque o assunto é de somenos importância, não tem chegado aos quinze minutos, por norma o macho lá do prédio corre escada abaixo, botas de cowboy de biqueira aprumada, milhares de palavrões na boca que verbaliza alto e bom som enquanto percorre, em passo corrida, os degraus dos andares que separam o seu, da rua.
Finalmente fecha-se a porta do prédio em estrondo, acalmam as cusquices das vizinhas, recolhe em lágrimas a pobre vitima, calam-se as crianças e sossegam os idosos.
Eu?
Bom .. eu fico onde estava, deitada na cama, furiosa por me terem acordado e com uma questão que não tem resposta: se é para isto para que vive esta gente junta, Deus Meu? se não é para ser feliz, porque raio insistem?
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22 Jan 2010

Realize that life is a school and you are here to learn.
Problems are simply part of the curriculum that appear and fade away like algebra class
but the lessons you learn will last a lifetime
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Algebra?
that explains a lot!
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;) nice week-end*
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21 Jan 2010

A Lista

Nada de muito complicado, Duarte, como pode facilmente constatar numa rápida mirada aos items mais abaixo: ;)

Afinal o que é que querem, foi imprudente caro confrade de lides blogosféricas, e agora, se à interrogação se segue afirmação vá lá em tom condescendente, prepare-se cavalheiro, que não o estou a ver negar-nos este prazer, portanto:
Afinal o que é que querem? Ao que se seguiu, está lá escrito, escusa de fazer-se desentendido, um Catarina, mande lá a lista ..

Queremos classe, queremos coisas bonitas em formatos bonitos, bem vestidos, dentes tratados, cabelo saudável, queremos ar de desprotegidos a pedir colo e queremos ar de contra tudo e contra todos anda cá que te protejo, queremos charme, sorrisos e olhos bonitos, mãos tratadas ou calejadas desde que autênticas, e sabe que mais?
Queremos já!

;))

20 Jan 2010

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Péricles e Sólon e os princípios da democracia em Atenas, debita a mais que tudo com teste de história a aproximar-se a passos largos. Acabar com a escravidão por motivo de dívidas, parece-me uma excelente medida mummy mas podiam ter aproveitado para acabar com ela por todos os motivos, coisa que só se vem a verificar alguns séculos depois, não foi? Hum, hum, respondo-lhe enquanto dobro meias, collants, perneiras e afins. E mummy? Sim?
..sabias que os tribunais eram constituídos por seis mil pessoas e só um homem era responsável pelo manter da ordem? Ahhh exclamo, pensando na nossa reduzida, revolta e pouco ordeira Assembleia.
Péricles disse ainda que doravante seria atribuído um subsídio a todos os homens que exercessem cargos políticos, é justo! Continua a miúda. Assim os mais pobres podiam concorrer a cargos públicos, continua. Mummy? Conheces alguém muito pobre que tenha chegado a Governante? Assim de repente querida, espera .. deixa-me pensar.
E Aristóteles Mummy, sabes quem é certo? .. Certo, respondo, suspirando. Faltam-me três meias, detesto quando isto me acontece. Aristóteles defendia a democracia ateniense como sendo forte e com bases seguras dado que as magistraturas não podiam ser exercidas pela mesma pessoa mais que uma vez e eram de curta duração. O professor explicou-nos que era acima de tudo para evitar a corrupção.
Mummy
?
Sim querida? (encontrei um dos pares fugitivos, menos mal) a páginas tantas (esta expressão é minha, diabinho de clone!) os homens futuros perderam algo dos antigos, não achas?
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Os homens futuros, engraçada a equação de uma mente de doze anos que salta magistralmente sobre o presente que parece, até a ela, não interessar.
Homens futuros.
São eles.
Os nosso filhos.
Que lhes saibamos transmitir tudo o que vão precisar para emendar o que fazemos no presente.
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19 Jan 2010

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.. é engraçado como as coisas se repetem. Às vezes penso que somos sempre os mesmos a fazer as mesmas coisas. Outras gosto de acreditar que conseguimos inovar, melhorar e melhorar-nos, aprender e ensinar. Modificar, viver e sentir de formas diferentes assim nos entreguemos aos sentimentos e às pessoas de forma intensa, única, ou a acharmos única, a acreditarmos intensa.
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Mas depois .. bom, depois contam-me uma historieta engraçada e por uma simples frase dita da mesma forma, à mesma hora e em circunstâncias quase tão iguais que até assustam, chego à conclusão que somos sempre os mesmos e o que fazemos agora já fizemos antes e faremos provavelmente num futuro próximo ou longínquo .. de onde concluo que mudança e singularidade, precisam-se!
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Coisa redonda o Mundo, safa!
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18 Jan 2010

Hoje, fiquei-me por aqui :)

.. trabalho, muito trabalho, imenso trabalho!
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* Boa semana *
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15 Jan 2010

readings (xxi)

Brilhante este texto de Pedro Correia. Era bom que lessem por esta cartilha também todos os que têm por missão informar-nos.

Por aqui, em casa da Cristina, continua a decorrer a Rua da Memória. Gostaria mesmo, mesmo, como já disse à Autora, de ter esta encadernação na minha estante ;)

O Senhor Rafeiro (mas) Perfumado foi-se embora sem me pedir autorização ;) Não sei se lhe desculpe a ousadia, se fique por aqui a torcer que a decisão tenha uma volta na próxima esquina!

A mistura de bem escrever e bem fotografar, bem receber com bom gosto e bom senso, é rara nos dias que correm. Temos galerias apinhadas de grandes obras sem uma linha explicativa, e pessoas, como eu, que fazem deste espaço um intimismo por vezes insuportável ;) e não conseguem perceber para onde apontar o olho da câmara.
Felizmente há excepções como o provam a excelência do espaço da Minha Amiga Luísa e outro que não pára de me surpreender: O do Senhor Alfaiate Lisboeta.

Leiam. E depois digam-me se não tenho razão ;)
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Bom fim-de-semana *
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14 Jan 2010

São tempos de luto.
E desta vez não por causa das guerras do homem contra o homem, da falta de humanidade, da arrogância e do despudor com que se tratam os nossos iguais nos quatro cantos do mundo. Não por causa da ambição, da falta de carisma, da desonestidade e do despotismo com o quais tantos outros escravizam os nossos iguais nos quatros cantos do mundo.
Não por nossa causa mas se calhar por causa de nós e das nossas causas. Ou não.
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O certo é que os tempos são de luto.
A Natureza, essa força indomável, revoltou-se. E revelou-se.
Estamos longe nós.
Muito longe para chegar um cobertor ou uma malga de sopa. Para dar tecto às crianças que ficaram órfãs, para levar os hospital os estropiados, magoados, para enterrar os mortos e consolar os que ficaram.
Mas estamos perto para poder ajudar, fazer a pequena diferença entre fazer algo e não fazer nada.
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À Caritas, organização que conheço bem, todo o sucesso neste amealhar de meios em tempo recorde.
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Tem de ser possível.
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13 Jan 2010

O psicótico vive assim aprisionado numa circularidade repetitiva que o impede de ser criador de si mesmo, para si mesmo, caindo no poço da inexistência mental e da gradual desertificação psíquica.

.. explicou-me há dias uma boa amiga, psicóloga de formação e profissão, que são várias as psicoses de que sofre o Homem moderno. Sendo que a que acima se explica é a principal responsável por esta falta de compromisso, este apontar de baterias afiladas a vários objectos ao mesmo tempo, este procurar incessante ainda que se encontre, passa adiante e continua a procurar, filtra, côa, bica aqui e acoli.
É engraçado como em tempos expliquei uma postura semelhante, obviamente que não com estes termos elaboradíssimos de quem sabe do que fala e escreve, mas como leiga profunda.
E leiga no sentido de não entender até hoje como se repetem circularidades sem nunca se lhes encontrar a outra ponta.

Inspirado aqui este. Deixou-me a pensar Luísa :)
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12 Jan 2010

memories

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As pequenas cartas espalhadas na mesa e viradas para baixo.
Da caixa de onde saíram está ainda o cheiro a louro e alfazema que habitava a casa da avó por aquelas alturas. Um cheiro adocicado que se prendia às roupas, à cama, ao ar.
As pequenas cartas têm as primeiras figuras conhecidas das personagens de Walt Disney, actrizes e actores do velho cinema, paisagens de pastores guardando rebanhos ou simples representações de folhas e flores.
Conhece-as a todas de cor. Sabe as estórias que a avó lhe contava sobre cada conjunto, também de cor. Os cantos estão gastos, amarelecidos, de tanto manusear em arrumos ou paciências solitárias. Lembra-se de ter casado o lobo com o carneiro numa negação de predador-presa ainda sem perceber que diabo era a cadeia alimentar, simplesmente por achar que aquele bicho feio e preto não tinha culpa de ter nascido assim e que para brincadeiras felizes lhe faria bem um companheiro branco e lanudo. Lembra-se da gargalhada da avó quando lhe expôs a lógica não em busca de aprovação mas porque assim entendia que deveria ser. Ugly things together with beauty ones, dear? perguntara-lhe na altura de sorriso nos lábios, e ela ponderou a pergunta com ar ausente de menina pequena e respondera it's the fair way granny, o afago nos cabelos revoltos e compridos e a pressão no ombro deram-lhe a entender que a avó não pensava de outra forma.
As pequenas cartas espalhadas sobre a mesa agora todas viradas para cima .. e o pastor sorri-lhe do alto do monte verde com o rebanho aos seus pés, as árvores parecem ondular numa brisa suave que cheira a eucalipto, e aquela nuvem branca e serena num céu imaculado e azul lembra-lhe outros jogos, jogos de vista, deitada na relva, braços cruzados atrás da cabeça, a avó sentada numa manta tricotando e a pergunta is there a … ?, deixando-a completar a figura, antecipando a descrição da coisa mais inverosímil à primeira mas perfectly there, i can see
.. as cartas, as plantas, árvores e folhas representadas numa pintura perfeita em tons suaves do verde ao laranja, passando pelo amarelo torrado (não há nenhum lápis com esta cor, pensava, tentando reproduzir), o castanho-terra e o outro mais claro que se mistura num vermelho ocre para dar a entender que é Outono
.. recorda a apanha das folhas no jardim da casa da avó, pendurá-las em ráfia na cozinha ou guardá-las no meio das capas dos livros à espera .. waiting for granny? .. they’ll get older, assegurava-lhe.
As pequenas cartas agora empilhadas, conjuntos coerentes e um grosso elástico, dos antigos, à volta de cada um, de volta à caixa de madeira onde sempre eram guardados com cheiro a louro e alfazema, que habitava a casa da Avó por estas alturas.
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texto reeditado.

11 Jan 2010


Trouxeram-me um bloco pequeno de Praga.
Na capa, Kafka percorre a cidade, toda amarela, de prédios baixos e árvores frondosas. Em grandes letras brancas sobre o preto do rebordo, o nome do escritor. Em baixo, com o mesmo tamanho e importância, o nome da cidade. Prague. Não conheço esta cidade. Talvez um dia dê por mim a percorrer aquela avenida aqui reproduzida à distância dos meus dedos, de sobretudo e bengala na mão, chapéu enfiado na cabeça, como o escritor aqui representado, e pense que entrei de cabeça no pequeno bloco de Praga que alguém achou que eu gostaria de receber, presa que sou nas viagens ao que desconheço e nas letras que tantos escreveram.
Ou talvez, quem sabe, a cidade mude entretanto de cor, e em conversas animadas no parque que se vislumbra o escritor finalmente descanse, pouse o chapéu e a bengala e se entretenha a contar histórias que “piquem” e “mordam” às aves que regressam à procura do tempo quente e palha para o ninho.
Estou quase, quase a vê-lo fazer tal ..

"Apenas se deveriam ler os livros que nos picam e que nos mordem.
Se o livro que lemos não nos desperta como um murro no crânio, para quê lê-lo?"
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8 Jan 2010

da pobreza (i)

Há-a em várias formas, modelos, exemplos, conteúdos e teores.
A de espírito parece-me a mais grave uma vez que não te cura. Mas não é de pobrezas de espírito e de pessoas naturalmente estúpidas que me vou ocupar numa das sextas-feiras de cada mês, deste ano que ainda agora começou.
E para começar (redundantemente, pelos vistos) uma sexta-feira por mês dá qualquer coisa como doze histórias, se a matemática não me falha, o que é imenso; se não o conseguir que seja por algo que me incapacite e não por vontade de quebrar promessas. Prometo muito pouco. Se calhar porque cumpro tudo o que prometo.
A pobreza que me traz aqui, que deu origem à arrumação da barra lateral onde diariamente se substituem fotografias, é a Real. A resistente, áspera. A carência, escassez, verdadeira penúria.
A desesperança.

E, nunca tendo sido pobre, considero-me apta a falar do assunto, o que vou fazer na forma de pequenos contos. Aqui absolutamente reais e baseados em todo o voluntariado, campanhas, acções e actividades, que me ocupam grande parte dos dias de todos os anos e não só deste, ora dedicado à erradicação da pobreza e da exclusão social. A única não verdade no que escreverei doravante, serão os nomes dos intervenientes. Porque neste caso, todos eles têm uma cara. Uma vida. E a possibilidade de a mudarem. Sem que para isso, precisem de publicidade.

E para todos os que a esta hora estejam a pensar no confortável chavão em vez de dares o peixe ensina a pescar relembro-Vos que a fome não espera e alguém cujas necessidades básicas não estão minimamente satisfeitas não tem certamente a força necessária para desenrolar uma rede ou segurar a cana de pesca (o que Maslow, cuja psicologia humanista admiro imensamente, explica muito melhor, aliás).

O ideal?
O ideal não existe.
É isso que nos faz ir mais longe, tentar de novo, cair e erguer. Mas diria que a possibilidade razoável seria conseguir alimentar e ensinar. Prover e providenciar. Colmatar e preparar. E isso, no meu humilde ponto de vista, cabe-nos a todos os que de nada precisamos, nada nos falta, temos para nós e para os nossos. Porque em qualquer altura da vida, por um tropeção, azar, contingência, injustiça, irregularidade ou outro palavrão qualquer, podemos estar à beira, beirinha, de ter de estender a mão.

E não. Aqui não vale a pena chamarem-me utópica.
Tudo o que o grupo de gente anónima e solidária ao qual me orgulho de pertencer já conseguiu ao longo dos anos prova bem que não se fala de utopia neste particular, mas sim de vontade.
Boa-Vontade.
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7 Jan 2010

Aniversário

Faz três anos este meu Diário :) e orgulhoso pela memória da dona que este ano não o esqueceu, ofereceu-me esta manhã um flash-back que me encantou.
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Passou por aqui nos primeiros tempos em que timidamente dava uns passos pelo mundo so called virtual, iniciou um caminho longo, proveitoso, em recta ou curva apertada no qual cresceu em termos qualitativos e quantitativos (não sou eu que o afirmo, mas sim os comentários vossos e de tantos outros que recebi ao longo destes três anos), fechou-se em copas durante uns meses para penar, sofrer, amargar, reconstruir e respirar fundo (quem afirmou que crescer sem sofrer é possível deveria reequacionar as parcelas), foi alvo de investidas pouco honestas e por isso mesmo ignoradas, mantendo-se contudo inalterável na sua forma e conteúdo, talvez um pouco mais prudente .. ou menos crédulo, ou ambos ;) aprendeu imenso com tudo o que leu, concordou tantas vezes quantas as que discordou.
Arvorou-se desconsiderado quando a senhoria se iniciou em outras lides, que me são tão gratas quão grato é escrevê-lo quase todos os dias ao longo destes tantos dias que passaram desde o dia que lhe dei um Nome: Once.
Once ficará até ao dia em que definitivamente o fecharei. Um legado. Para mim, para que eu possa, quando me apetecer ou a memória falhar, recordar. Para a minha filha, menina que pauta quase cada linha que escrevo, que lê, opina, emociona-se ou ri à gargalhada. A minha maior crítica, sem dúvida.
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A Vós, que dele também fazem parte, lendo e comentando, que as minhas letras continuem a ser apetecíveis e que eu possa continuar a contar, por aqui, com a vossa companhia.
Enquanto o quiserem. Enquanto eu quiser. O meu Obrigada.
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Ao Once, em todas as suas versões, cujo fio condutor se mantém e manterá, os meus parabéns. Não é fácil ser como ele é: Meu. Eu.
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6 Jan 2010

Biblical Magi or Three Wise Men

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" (...) A melhor descrição dos reis magos foi feita por São Beda, o Venerável (673-735), que no seu tratado Excerpta et Colletanea assim relata:
“Melchior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus. Gaspar, era moço, de vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio, e Baltazar era mouro, de barba cerrada e com quarenta anos, partira do Golfo Pérsico, na Arábia Feliz.

Quanto a seus nomes, Gaspar significa Aquele que vai inspeccionar, Melchior quer dizer Meu Rei é Luz, e Baltazar traduz-se por Deus manifesta o Rei.
Como se pretendia dizer representavam os reis de todo o mundo, as três raças humanas existentes, em idades diferentes.
Assim, Melchior entregou-Lhe ouro em reconhecimento da realeza, Gaspar, incenso em reconhecimento da divindade e Baltazar, mirra em reconhecimento da humanidade." (...)"
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O destaque nas palavras é de minha autoria.
Talvez para me lembrar que a equação é simples: Respeito, Fé e Humanidade.
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Não será difícil reconhecer os ingredientes, concordo, mas olhando o Mundo lá fora e cá dentro, como se obterá a receita?
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*Feliz Dia de Reis*

5 Jan 2010

«Sentados a uma mesa da taberna A Catedral, o jornalista Santiago Zavala conversa com o seu amigo Ambrosio. Estamos em Lima, na época ditatorial do general Manuel A. Odría (1948-1956), e dessa conversa, acompanhada de cerveja, emerge um Peru cruel, corrupto, desesperançado, matéria-prima ideal, portanto, para um romance que só um grande jornalista e escritor como Vargas Llosa poderia ter produzido.
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Recebi-o no Natal.
Entre compromissos, visitas, almoços e lanches, algum voluntariado que nesta altura assume, para quem o recebe, uma importância maior que o verbo, viagens de Final de Ano e Consoadas, tenho andando com ele debaixo do braço. Ontem a princesa, olhou-me muito séria e proferiu: mummy, deve ser fantástico esse livro! (acho que me chamou umas vinte vezes antes de me conseguir arrancar da página por onde viajava) ;)
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Sou admiradora da obra e do escritor jornalista como aqui aparece referido. Um escritor duro, de palavra cheia de significado, que escreve sobre o que se passa, passou e provavelmente vai passar-se de novo com a Humanidade à qual, por vezes em alguns desabafos (principalmente quando lido no original) não gosta particularmente de pertencer.
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Conversas na Catedral .. ou como alguns homens poderiam realmente mudar tudo. De tudo.
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4 Jan 2010

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Não adianta mudar de calendário,
quando todos os dias são iguais,
ou inscrever no rosto do diário
as intenções habituais.
O que importa é seguir, saltar o muro
e mergulhar inteiro no amanhã,
enfrentando os atalhos do futuro
de peito aberto e alma sã.
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E faço minhas estas palavras do Poeta, acrescentando ..

Não adianta abrilhantar
O que se sabe tem de terminar
Nem prometer
Aquilo que dificilmente se poderá cumprir
Enfrentar o futuro de sorriso
Crentes no que valemos e podemos
E de caminho dar a mão a alguém
Que tentando, não consegue sozinho
Parece-Vos difícil?
Asseguro-Vos que não é.
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Votos de um 2010 ..ímpar *
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