25 Jan 2010

Acordar às 3 da manhã com uma gritaria na escada do prédio é banal. E é-o porque infelizmente as pessoas perderam o decoro, a intimidade, e uma discussão de porta aberta com ligeiros ruídos de outras portas a abrir para melhor ouvir é certamente motivo de demorada conversa de café nas manhãs e tardes seguintes. Do parece impossível até ao já viram esta pouca-vergonha, expressão que, a propósito, nunca entendi, entre perguntas sobre se será melhor chamar a policia, antecipando gulosamente o tchanam que isso causará, às lamurias dos mais velhos e aos choros das crianças acordadas em sobressalto, tudo serve para uma noite que, de sono pacificador passa rapidamente a insónia.
E quem estava profundamente adormecido à hora em que todos deveriam estar profundamente adormecidos, desengane-se se pensa que uma almofada na cabeça chega para o poupar a tal devaneio. Depois da discussão de porta aberta, coisa que começou por demorar umas duas horas e hoje em dia, felizmente ou porque o assunto é de somenos importância, não tem chegado aos quinze minutos, por norma o macho lá do prédio corre escada abaixo, botas de cowboy de biqueira aprumada, milhares de palavrões na boca que verbaliza alto e bom som enquanto percorre, em passo corrida, os degraus dos andares que separam o seu, da rua.
Finalmente fecha-se a porta do prédio em estrondo, acalmam as cusquices das vizinhas, recolhe em lágrimas a pobre vitima, calam-se as crianças e sossegam os idosos.
Eu?
Bom .. eu fico onde estava, deitada na cama, furiosa por me terem acordado e com uma questão que não tem resposta: se é para isto para que vive esta gente junta, Deus Meu? se não é para ser feliz, porque raio insistem?
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