8 Jan 2010

da pobreza (i)

Há-a em várias formas, modelos, exemplos, conteúdos e teores.
A de espírito parece-me a mais grave uma vez que não te cura. Mas não é de pobrezas de espírito e de pessoas naturalmente estúpidas que me vou ocupar numa das sextas-feiras de cada mês, deste ano que ainda agora começou.
E para começar (redundantemente, pelos vistos) uma sexta-feira por mês dá qualquer coisa como doze histórias, se a matemática não me falha, o que é imenso; se não o conseguir que seja por algo que me incapacite e não por vontade de quebrar promessas. Prometo muito pouco. Se calhar porque cumpro tudo o que prometo.
A pobreza que me traz aqui, que deu origem à arrumação da barra lateral onde diariamente se substituem fotografias, é a Real. A resistente, áspera. A carência, escassez, verdadeira penúria.
A desesperança.

E, nunca tendo sido pobre, considero-me apta a falar do assunto, o que vou fazer na forma de pequenos contos. Aqui absolutamente reais e baseados em todo o voluntariado, campanhas, acções e actividades, que me ocupam grande parte dos dias de todos os anos e não só deste, ora dedicado à erradicação da pobreza e da exclusão social. A única não verdade no que escreverei doravante, serão os nomes dos intervenientes. Porque neste caso, todos eles têm uma cara. Uma vida. E a possibilidade de a mudarem. Sem que para isso, precisem de publicidade.

E para todos os que a esta hora estejam a pensar no confortável chavão em vez de dares o peixe ensina a pescar relembro-Vos que a fome não espera e alguém cujas necessidades básicas não estão minimamente satisfeitas não tem certamente a força necessária para desenrolar uma rede ou segurar a cana de pesca (o que Maslow, cuja psicologia humanista admiro imensamente, explica muito melhor, aliás).

O ideal?
O ideal não existe.
É isso que nos faz ir mais longe, tentar de novo, cair e erguer. Mas diria que a possibilidade razoável seria conseguir alimentar e ensinar. Prover e providenciar. Colmatar e preparar. E isso, no meu humilde ponto de vista, cabe-nos a todos os que de nada precisamos, nada nos falta, temos para nós e para os nossos. Porque em qualquer altura da vida, por um tropeção, azar, contingência, injustiça, irregularidade ou outro palavrão qualquer, podemos estar à beira, beirinha, de ter de estender a mão.

E não. Aqui não vale a pena chamarem-me utópica.
Tudo o que o grupo de gente anónima e solidária ao qual me orgulho de pertencer já conseguiu ao longo dos anos prova bem que não se fala de utopia neste particular, mas sim de vontade.
Boa-Vontade.
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