11 Jan 2010


Trouxeram-me um bloco pequeno de Praga.
Na capa, Kafka percorre a cidade, toda amarela, de prédios baixos e árvores frondosas. Em grandes letras brancas sobre o preto do rebordo, o nome do escritor. Em baixo, com o mesmo tamanho e importância, o nome da cidade. Prague. Não conheço esta cidade. Talvez um dia dê por mim a percorrer aquela avenida aqui reproduzida à distância dos meus dedos, de sobretudo e bengala na mão, chapéu enfiado na cabeça, como o escritor aqui representado, e pense que entrei de cabeça no pequeno bloco de Praga que alguém achou que eu gostaria de receber, presa que sou nas viagens ao que desconheço e nas letras que tantos escreveram.
Ou talvez, quem sabe, a cidade mude entretanto de cor, e em conversas animadas no parque que se vislumbra o escritor finalmente descanse, pouse o chapéu e a bengala e se entretenha a contar histórias que “piquem” e “mordam” às aves que regressam à procura do tempo quente e palha para o ninho.
Estou quase, quase a vê-lo fazer tal ..

"Apenas se deveriam ler os livros que nos picam e que nos mordem.
Se o livro que lemos não nos desperta como um murro no crânio, para quê lê-lo?"
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