18 Feb 2010

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Quando a doutrina ideológica se transmuda em realidade, já não é preciso que o ditador esteja perto para espalhar o medo.
Os cidadãos comuns chamarão a si essa tarefa.
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Kim Hyun Sik é investigador na Universidade George Mason. Durante 38 anos foi professor de russo na Universidade de Educação de Pyongyang.
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É assim que me parece estar a viver.
Sucedem-se as más notícias num país que amo e que não prima nunca pelas boas notícias. Segundo a explicação que um dia me deu alguém que se tornou um bom amigo, as boas notícias são naturais, não fazem manchete nem vendem jornais. Não são portanto publicáveis. É pena. Olho à minha volta e vejo acima de tudo um grande desânimo.
Uma negatividade espessa que se agarra à esperança de alguns anulando-a. Um encolher de ombros aos 10% de desempregos, um esgar de indiferença às demissões na PT, um ar de desprezo ao assunto das escutas.
Nada.
Reacção alguma.
Como se todos já tivéssemos perdido a esperança que alguém pode, alguém deve, nós conseguimos. Conseguiremos?
É nestas alturas que penso deveriam ser notícia as boas notícias. Aquelas que nos falam das curas conseguidas para doentes terminais, as que nos informam do número de casas que se conseguiu para os desalojados, as que nos dão conta do trabalho desenvolvido por tantos anónimos para o bem-estar comum, as que nos trazem novas de todos os portugueses envolvidos em projectos por esse mundo fora, projectos cuja mais valia será para o mundo. Para nós.
É nestas alturas em que cada vez menos vejo sorrisos, oiço gargalhadas, que alguém deveria ter por missão exclusiva levantar o moral das tropas num Good morning, vietnam adaptado às circunstâncias.
Porque se é difícil viver sem esperança, mais difícil ainda se torna sabê-la aí .. Inacessível, interdita.
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Os cidadãos comuns chamarão a si essa tarefa
Que não seja esta a tarefa que nos está destinada.
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