3 Mar 2010

_
As tarefas fáceis não me seduzem. A montanha tem de ser difícil .. Os que me conhecem facilmente me atribuem esta sentença, mas desenganem-se, não o é, pertence sim a João Garcia, proferida em vésperas da partida para o Nepal onde tentará concluir o projecto de conquista dos 14 cumes mais altos do mundo sem oxigénio artificial. Doido? Não! Simplesmente motivado por algo maior, mal alto neste caso na verdadeira acepção da palavra, melhor no seu ponto de vista, algo que o complete, que o torne igualmente conhecido (será um dos dez alpinista do mundo a conseguir tal coisa, e o primeiro de nacionalidade portuguesa).
_
Mal comparado, ainda que nada tenha contra a epopeia para o sucesso da qual endereço desde já os meus votos, mas escrevia, mal comparado, olho ao meu redor e gostaria de ver este ânimo, este empreendorismo, esta noção de que se consegue, não interessa o quão difícil, a única coisa sem remédio nesta vida é mesmo a morte, por enquanto claro, portanto, mãos à obra, mangas arregaçada e vamos para a frente que atrás foi passado.
E vejo. Felizmente vejo esta força mas infelizmente só quando a tragédia nos toca à porta. Quase sempre e apenas quando a tragédia se faz amiga com requintes de malvadez, surpreendendo tudo e todos. Na maioria dos outros dias em que escoamos a nossa vidinha limitamo-nos às queixas, às cobranças, ao maldizer, à falta de civismo e de educação, à falta de paciência, e acima de tudo, à falta de amor-próprio e de integridade tantas que são as situações ridículas a que nos expomos, fazendo-nos passar pelo que não somos, de tal forma que acabamos por esquecer não quem mas o que somos (sempre me intrigou como se consegue tal feito durante tanto tempo .. no tempo)
_
Continuemos.
Até à próxima vez em que algo faça bater mais forte o coração, assomar aquela cor rosácea ao rosto, e fazer-nos decidir intervir.
Quem sabe não chegamos ao cume também .. (?)
_