29 Apr 2010

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.. são os tempos de crise, repetem os garotos, ops, pré-adolescentes com direito a ir para a cama depois das 21h30, s.f.f., ;) de doze anos, sentados na mesa da sala, a elaborar um trabalho para a disciplina de projecto. Cortam, consultam, imprimem, resumem, procuram, comentam, opinam.
É a crise! atira o miúdo dos caracóis e cara de reguila (deves ser fresco, pensei imediatamente assim que o vi entrar), e continua: pelo menos é o que o meu Pai está sempre a dizer.
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.. convivem com a crise os nossos filhos.
Na vida do dia-a-dia, na escola, em trabalhos de pesquisa. Estão mais alerta, mais informados, mais atentos aos sinais, e conseguem enumerar, assim de repente, meia dúzia de medidas para poupar. Poupar água, poupar energia, poupar dinheiro.
Sorrio, na cozinha, enquanto lhes preparo um lanche, .. estão muito melhor preparados do que nós. Estão mais expostos é certo. Talvez não tão protegidos a assuntos que no meu tempo ninguém conversava com as crianças, ninguém explicava. Talvez porque se achasse que não entenderíamos, talvez porque a barreira entre as obrigações dos Pais e a existência dos Filhos, fosse estanque, separada, engavetada em meia dúzia de noções que entretanto abandonámos.
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Estão mais expostos os nossos filhos, sem dúvida, mas mais fortes, também.