7 May 2010

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.. sentada na calçada como que abandonada. Ao lado, um cartão mal escrito com uma história inverosímil ainda que verdadeira. O cabelo desgrenhado, sujo e pejado de bichos cai pelas costas outrora certamente direitas. Nos olhos não há luz. Nem esperança. Apenas a triste nuvem que deixam os sonhos que abandonamos cedo demais. Uma nuvem cinzenta, da cor do céu do Inverno.
Profere uma ladainha baixinho, numa voz meiga e velada que passa despercebida na loucura da hora de ponta da nossa cidade. Pessoas como formigas demasiado ocupadas. Sempre ocupadas. É uma música, reconheço, e até lhe sei a letra. Fala do mundo, e das pessoas no mundo. Fala de responsabilidade e de amor ao próximo. E aquela melodia nos lábios de quem já pouco espera soa a grito de socorro. Pedido de ajuda disfarçado nos saltos altos que martelam a calçada onde se senta. Como que abandonada.
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4 May 2010

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A verdade primeiro ama-se, depois demonstra-se
Vergílio Ferreira